OS CÃES DO INFERNO


03/08/2008


TUDO AGORA NO SITE OFICIAL!

www.marcelagodoy.com

Beijos!

Escrito por Marcela Godoy às 16h46
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20/10/2006


Meus queridos,

Os Cães do Inferno estão de mudança!
Nosso novo endereço é:

www.marcela-godoy.blogspot.com

De resto, nada de novo!
Continuem frequentando, comentando, groselhando como sempre!

Beijos a todos e nos vemos lá!

Escrito por Marcela Godoy às 20h39
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17/10/2006


Não acredito na direita e não discuto com ela. Pregar para convertido é só para quem faz milagres (coisa que morreu com Paulo). Não faço. É perda de tempo.

Meu aflito discurso, contudo, é voltado para aqueles que, como eu, passaram boa parte de sua vida experimentando aquela sensação de vazio tão bem metaforizada pelos irmãos Wachowski em Matrix, ao introduzir a busca pelo intangível empreendida pelo então Mr. Thomas Anderson – futuramente, Neo – quando do começo da trama.

“Wake up, Neo. Wake up.”

Para a gravidade do momento atual não há medida.

Tenho trinta e três anos de idade. Vivi o fim do golpe militar sem ter vivido o golpe militar de fato. À época, era criança e “aquelas conversas” não me diziam respeito.

Nasci em família de classe média, e como em toda classe média que se preza, a de minha família não foi diferente: mera massa de manobra, nenhuma posição ideológica definida, nenhuma formação intelectual suficiente para tomar partido e defender princípios. Estudei em colégio católico até completar o ensino fundamental e concluí minha vida escolar num colégio cujo diploma serviria bem mais como um “comprovante de renda” do que como um certificado de formação. Não orgulhosamente, mas como boa cidadã de classe média que sou, refiro-me ao Colégio Objetivo (onde concluí o ensino médio), o mais famoso e descolado antro de insipidez ideológica de que se tem notícia, uma verdadeira fábrica de mentes brilhantemente vazias criticamente, e louvavelmente enriquecidas de frivolidade.

Decerto que, dado meu espírito naturalmente inquiridor e irritantemente insatisfeito, em algum momento vir-me-ia debruçar resignadamente sobre a mesa, tal qual o fez Mr. Anderson quando buscava o algo que está “ali-não-se-sabe-onde”.

Eis que quando menos espero – e quando mais preciso – me é oferecida a famigerada pílula vermelha, por um Morpheus tão real quanto a uma-só-carne que não muito depois eu e ele viríamos a ser. “Tudo o que eu tenho a te oferecer é a verdade”, foi o que os olhos dele me disseram.

E de repente o véu se foi. Não sobrou nada.
Tudo veio abaixo de maneira tão avassaladora que a sensação foi de renascimento, não sem deixar de passar, contudo, pela dor lancinante da morte que o antecede.

O feio nunca foi tão feio.
O belo nunca foi tão puro.
E nós nunca estivemos tão sozinhos...

O momento que ora vivemos é tortuoso para quem provou da famigerada pílula.

Há momentos em que o desejo é de que nunca antes a houvéssemos tomado. Em outros, damos graças aos Morpheus que, espalhados pelas vielas virtuais ou pelas prateleiras empoeiradas das bibliotecas públicas, nos agraciam com suas palavras gratuitamente cruas e esclarecedoras: a verdade é tão somente um lado de uma história de dois lados. Não há qualquer verdade na verdade, porque a verdade não se define por ela mesma: ela é apenas um meio, jamais um fim.

O que se busca hoje no Brasil – a meu modesto ver – é um fim. Uma verdade. Esse é o maior de todos os erros. E essa verdade (a de que há uma busca pela verdade como um fim) transubstancia-se em mentira. Na pior de todas elas: a de que a verdade é possível.

Para aqueles que provaram da pílula, o momento é tenso e angustiante. Nós, os indesejados cidadãos de Zion, fizemos nossa escolha há muito tempo e esta transcende pessoas e verdades como um fim. Nós estamos sozinhos, tentando levar a pílula adiante. Um a um...

E para aqueles, que ainda vivem presos à Matrix, o momento é simplesmente o momento. Eles, os habitantes do “programa”, acreditam que a verdade é só o fato que se apresenta. E eles jamais estão sozinhos. Têm a todos eles.

Escrito por Marcela Godoy às 20h38
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15/10/2006 11:46h
O 1º GOLPE DE ESTADO JÁ HOUVE. E O 2º?
Paulo Henrique Amorim

Um golpe de Estado levou a eleição para o segundo turno.

É o que demonstra de forma irrefutável a reportagem de capa da revista Carta Capital que está nas bancas (“A trama que levou ao segundo turno”), de Raimundo Rodrigues Pereira. E merecia um sub-titulo: “A radiografia da imprensa brasileira”.

Fica ali demonstrado:

1) As equipes de campanha de Alckmin e de Serra (da empresa GW) chegaram ao prédio da Polícia Federal, em São Paulo, antes dos presos Valdebran Padilha e Gedimar Passos;

2) O delegado Edmilson Bruno tirou fotos do dinheiro de forma ilegal e a distribuiu a jornalistas da Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, do jornal O Globo e da rádio Jovem Pan;

3) O delegado Bruno contou com a cumplicidade dos jornalistas para fazer de conta que as fotos tinham sido roubadas dele;

4) O delegado Bruno procurou um repórter do Jornal Nacional para entregar as fotos: “Tem de sair à noite na tevê., Tem de sair no Jornal Nacional”;

5) Toda a conversa do delegado com os jornalistas foi gravada;

6) No dia 29, dois dias antes da eleição, dia em que caiu o avião da Gol e morreram 154 pessoas, o Jornal Nacional omitiu a informação e se dedicou à cobertura da foto do dinheiro;

7) Ali Kamel, “uma espécie de guardião da doutrina da fé” da Globo, segundo a reportagem, recebeu a fita de audio e disse: “Não nos interessa ter essa fita. Para todos os efeitos não a temos”, diz Kamel, segundo a reportagem

8) A Globo omitiu a informação sobre a origem da questão: 70% das 891 ambulancias comercializadas pelos Vedoin foram compradas por José Serra e seu homem de confiança, e sucessor no Ministério da Saúde, Barjas Negri.

9) A Globo jamais exibiu a foto ou o vídeo (clique aqui) em que aparece Jose Serra, em Cuiabá, numa cerimônia de entrega das ambulâncias com a fina flor dos sanguessugas;

10) A imprensa omitiu a informação de que o procurador da República Mario Lucio Avelar é o mesmo do “caso Lunus”, que detonou a candidatura Roseana Sarney em 2002, para beneficiar José Serra. ( A Justiça, depois, absolveu Roseana de qualquer crime eleitoral. Mas a campanha já tinha morrido.)

11) Que o procurador é o mesmo que mandou prender um diretor do Ibama que depois foi solto e ele, o procurador, admitiu que não deveria ter mandado prender;

12) Que o procurador Avelar mandou prender os suspeitos do caso do dossiê em plena vigência da lei eleitoral, que só deixa prender em flagrante de delito.

13) Que o Procurador Avelar declarou: “Veja bem, estamos falando de um partido político (o PT) que tem o comando do país. Não tem mais nada. Só o País. Pode sair de onde o dinheiro ?”

14) A reportagem de Raimundo Rodrigues Pereira conclui: “Os petistas já foram presos, agora trata-se de achar os crimes que possam ter cometido.”

(continua...)

Escrito por Marcela Godoy às 18h39
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(...)

Na mesma edição da revista Carta Capital, ao analisar uma pesquisa da Vox Populi, que Lula tem 55%, contra 45% de Alckmin, Mauricio Dias diz: “ ... dois fatos tiraram Lula do curso da vitória (no primeiro turno). O escândalo provocado por petistas envolvidos na compra do dossiê da familia Vedoin ... e secundariamente o debate promovido pela TV Globo ao qual o presidente não compareceu.”

Quer dizer: o golpe funcionou.

Mino Carta, o diretor de redação da Carta Capital, diz em seu blog, aqui no IG (http://blogdomino.blig.ig.com.br/), que houve uma reedição do golpe de 89, dado com a mão de gato da Globo, para beneficiar Collor contra Lula. “A trama atual tem sabor igual, é mais sutíl, porém. Mais velhaca,”diz Mino.

Permito-me acrescentar outro exemplo.

Em 1982, no Rio, quase tomaram a eleição para Governador de Leonel Brizola. Os militares, o SNI, e a Policia Federal (como o delegado Bruno, agora, em 2006) escolheram uma empresa de computador para tirar votos de Brizola e dar ao candidato dos militares, Wellington Moreira Franco. O golpe era quase perfeito, porque contava também com a cumplicidade de parte de Justiça Eleitoral e, com quem mais? Quem mais?

O golpe contava com as Organizações Globo (tevê, rádio e jornal, como agora) que coonestaram o resultado fraudulento e preparam a opinião pública para a fraude gigantesca.

Que só não aconteceu, porque Brizola “ganhou a eleição duas vezes: na lei e na marra”, como, modestamente, escrevi no livro “Plim-Plim – a peleja de Brizola contra a fraude eleitoral”, editora Conrad, em companhia da jornalista Maria Helena Passos.

Está tudo pronto para o segundo golpe.

O Procurador Avelar está lá.

Quantos outros delegados Bruno há na Policia Federal (de São Paulo, de São Paulo !).

A urna eletrônica no Brasil é um convite à fraude. Depende da vontade do programador. Não tem a contra-prova física do voto do eleitor. Brizola aprendeu a amarga lição de 82 e passou resto da vida a se perguntar: “Cadê o papelzinho ?”, que permite a recontagem do voto ?

E se for tudo parar na Justiça Eleitoral? O presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello já deixou luminosamente claro, nas centenas de entrevistas semanais que concede a quem bater à sua porta, que é favor da candidatura Alckmin.

E o segundo golpe? Está a caminho. As peruas da GW já saíram da garagem.

Escrito por Marcela Godoy às 18h38
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02/10/2006


Corrijam-me se eu estiver enganada...

Mas os eleitores de Cristovam Buarque e Heloísa Helena devem estar, no mínimo, confusos.

Hoje, em entrevista ao site da UOL, o candidato derrotado afirmou: "No 1º turno, a gente escolhe o que é mais próximo a nós; no 2º turno, o que é menos distante", fazendo uma alusão ao fato de ainda não haver decidido a quem prestará apoio no 2o. turno.

Agora eu me pergunto: o candidato da revolução educacional já não deveria ter definida sua posição ideológica, uma vez que a direita é conhecidamente a patrocinadora do "emburrecer para governar"? Essa dúvida é mesmo legítima, ou nunca houve, de fato, uma profunda preocupação com a mudança do modelo educacional brasileiro. Pior, será que quando se refere às vantagens das alianças, os projetos de transformação devem ser engavetados?

Da mesma maneira, o eleitor de Heloísa Helena deve estar se sentindo abandonado. A grande reformadora perdeu, e agora largou a batata quente na mão de seu eleitorado. Disse ela: "Meu eleitor é livre para decidir em quem votar. Não vou apoiar ninguém". Muito pretensioso da parte de HH se abster num momento tão decisivo. Uma coisa é certa: se ela afirma tão veementemente ser uma pessoa “que tem amor no coração”, devia ter a humildade de reconhecer que sua derrota não significa uma derrota do povo; principalmente porque o pobre que vota em HH é tão pobre quanto aquele que vota em Lula. E é o pobre que está desesperadamente tentando reeleger Lula, não o rico, nem a classe-média! Então o pobre do Lula não merece de HH o mesmo discurso?

No final, parece que ninguém joga no time de ninguém.
Os interesses são sempre unilaterais.
Pessoais.

É de se pensar.

Escrito por Marcela Godoy às 19h21
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Afinal, de que lado nós estamos?

 

As urnas não mentem: a maioria do eleitorado paulista declaradamente não leva em consideração a questão ética na hora de votar. Mais do que isso, o paulista (em especial o paulistano) tem bastante definido de que lado está ao se posicionar do ponto de vista ideológico e socioeconômico: é direita, e é elitista. Três candidatos eleitos com maioria absoluta são suficientes para provar a teoria, a saber:

 

José Serra, cujo nome aparece envolvido na máfia das sanguessugas ao lado de outros políticos do PSDB, foi eleito com o maior número de votos da história do estado num primeiro turno. Paulo Maluf (conhecido como o “Rouba, mas faz”) foi eleito com 739.827 votos; tendo sido o deputado federal mais votado do estado. Clodovil, declaradamente uma figura racista, hitlerista, elitista, que se candidatou a um cargo público em virtude de sua decadência como celebridade e falência financeira, consegue se eleger em terceiro lugar em SP, com nada menos do que 493.951 votos.

 

Os dados são assustadores para aqueles eleitores que tentam orientar seu voto por vias ideológicas ou, pelo menos, sócio-econômicas. Não acredito que haja em São Paulo maioria rica ou de classe-média alta. Acho que do ponto de vista da distribuição de renda, o estado mais rico da federação está mais para Porto Príncipe (capital do Haiti) do que para Berna (capital da Suíça). Curiosamente, entretanto, o paulista vota como se fosse um cidadão suíço.

 

Isso é um grave indicador do despreparo político do eleitor de São Paulo; afinal, os paulistas se consideram cidadãos informados, procuram buscar a social-democracia, mas parecem não enxergar (ou compreender) que a direita elitista que eles elegem e re-elegem não tem nada de social-democrata. Pior, é uma direita que se esconde atrás de um nome fantasia, de uma grande propaganda enganosa.

 

Eu dou o braço a torcer e admito que o governo Lula traiu seus companheiros esquerdistas ao manter o mesmo modelo do governo anterior, mas creio que neste sentido ele mereça mais um voto de confiança pelo menos por ter buscado a social-democracia. A meu ver, o governo Lula foi o que o PSDB se propôs a ser ideologicamente e não foi: uma social democracia. O PSDB, contudo, jamais foi social-democrata ou centro-esquerda, o nome aí é só uma alegoria mentirosa. Afinal, estamos falando de um modelo de governo que privilegiou as privatizações, a injeção desmedida do capital estrangeiro, a diminuição dos investimentos públicos nas áreas sociais. Mais do que isso, um modelo que se choca frontalmente com o processo de integração latino-americano e que criminaliza os movimentos sociais.

 

Ademais, sejamos honestos, a transformação do sistema (tão almejada pela esquerda que sempre apoiou Lula e da qual ele faz parte) jamais poderia se dar neste governo simplesmente porque o povo não tem formação intelectual suficiente para compreender de fato o que defende a ideologia de esquerda ou de direita. Qualquer tentativa do Lula de forçar uma transformação neste sentido seria vista como uma tentativa de golpe, já que - para o povo politicamente despreparado - palavras como comunismo e socialismo são sempre associadas com ditadura e totalitarismo. O discurso de Heloísa Helena podia ser belíssimo e comovente, mas se ela houvesse mesmo chegado ao poder será que teria coragem de levar a cabo a transformação que tanto prometia? Eu não me lembro de tê-la visto falar em sua entrevista na Rede Globo que o modelo capitalista neo-liberal de hoje seria derrubado em favor do modelo socialista que ela defende. E me pergunto a razão pela qual ela nunca tenha dito abertamente que todas as suas propostas de governo só seriam de fato concretizadas a partir da mudança deste modelo. Será que ela também não seria obrigada a trair a esquerda neste sentido? Aliás, será que não traiu ao esconder de seu discurso - de maneira aberta e clara - este fato? Não me lembro de tê-la ouvido falar claramente as palvras: "Se eleita vou instaurar o socialismo no Brasil!". Ela sabe que não poderia fazer isso. Neste sentido, seu discurso ficou vazio. Para mim, pelo menos, decepcionante.

 

A coisa boa, contudo, foi que Lula iniciou com seu governo a retomada do processo de politização do povo brasileiro e este foi um duro golpe na direita. Mas o povo, infelizmente, ainda é imaturo até mesmo para enxergar este fato.

 

Mas limitemos nossa discussão à proposta empurrada pela direita: o voto ético.

 

Foi muito confuso compreender a razão pela qual tantos amigos e parentes deram seu voto a Paulo Maluf e negaram seu voto a Lula. Afinal, se a ética é a bola da vez, como explicar esta escolha? Chega a dar para ver a cara dos donos dos veículos de imprensa rindo do eleitor paulista.

  

Mas quem foi que disse que a luta seria fácil? 

 

(Bibi, este é para você)

Escrito por Marcela Godoy às 14h59
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29/09/2006


Querida Karen,

Estou dirigindo este post diretamente a você em consideração não apenas à nossa amizade, mas também ao esforço que você vem fazendo nos últimos dias para melhor usar seu voto no dia 1º de Outubro. Eu jamais teria a pretensão de dizer a você em quem você deva votar. Isso não seria democrático. O que eu posso fazer por você, contudo, é incentivá-la a alimentar ainda mais este seu inato espírito crítico.

Se não estou enganada, esta será sua primeira experiência como eleitora para eleições do governo estadual e federal. Assim como você, um número imenso de jovens eleitores irão às urnas neste domingo, alguns com a opinião formada acerca do que querem e outros, como você, sem saber exatamente o que fazer.

Minha resposta para você é simples: vote naquele candidato com o qual você mais se identifica e que mais poderá fazer por você. Quando digo “você”, não me refiro somente à sua pessoa, mas também à classe social a que você pertence.

De maneira geral e bem simplificada, podemos dividir a sociedade brasileira (do ponto de vista da renda) entre rico, classe-média alta, classe-média baixa, pobre e miserável. Para votar, você tem que saber exatamente em qual destas classificações você se encaixa.

Infelizmente, existe no Brasil um preconceito muito grande da classe-média para com a própria classe-média. Principalmente porque o cidadão de classe-média, que sabe que não é rico, na maioria das vezes é levado a crer que “é feio” dizer que é pobre. Isso piora muito quando falamos da classe-média das regiões sudeste e sul, uma classe-média naturalmente preconceituosa e racista. Aliás, este racismo e preconceito estão de tal maneira impregnados na cultura do sudeste que sequer nos damos conta da naturalidade com a qual dizemos “fulano é um baianinho”, tal qual não houvesse aí qualquer intenção de ofensa. A verdade, embora feia e suja, é que a classe-média baixa tem vergonha de dizer que é pobre, e a classe-média alta faz de tudo para se parecer com os ricos. E isso acaba ficando no caminho quando a coisa tem que ser analisada do ponto de vista das convicções políticas e ideológicas de cada um. Em outras palavras, na hora do vamos ver, a classe-média não sabe a quem ela "deve servir", se ao rico (que ela sonha ser um dia), ou ao pobre (que veladamente ela detesta, mas sabe que tem idenficação).

Seria impossível discorrer num e-mail sobre as diferenças de políticas sociais e econômicas defendidas pela direita capitalista neo-liberal (hoje oposição, representada pela coligação PSDB-PFL) e pelo governo (que não podemos afirmar ser de “esquerda” de fato, mas que teve uma política voltada para a diminuição das desigualdades sociais inerentes ao sistema capitalista neo-liberal da direita). Na prática, hoje, para você, a três dias das eleições, isso tudo é groselha. Você mesma sabe que não tem (ainda) fundamentação teórica suficiente para tomar uma decisão que seja de fato “politizada”, mas sabe também que não pode ficar em cima do muro.

Então no seu caso, minha querida, faça o seguinte: busque identificação.

Pergunte-se qual candidato entre Lula e Alckmin (sabemos que o Cristovam Buarque e a Heloísa Helena não iriam para um segundo turno, caso houvesse); e entre Serra e Mercadante, que mais se parece com você do ponto de vista de sua classe social. Esqueça, apague, toda e qualquer influência da mídia em relação a este bombardeio (que já encheu o saco! Ainda bem que acabou!) de notícias sobre corrupção, porque você não tem parâmetro para julgar este mérito, na medida em que apenas o governo atual é que está sendo alvo destas acusações e há, declaradamente, um esforço conjunto da mídia para manter debaixo do tapete as falcatruas do governo anterior e outros governos. E não se iluda. Seria mentiroso afirmar, como afirmam muitos candidatos, que é possível acabar com a corrupção. A corrupção não pode ser vencida, pois é um mal que está impregnado no coração do homem desde tempos imemoriais. E isso não fui eu que disse, está em Gênesis 6:5-6 “Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente. Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração”. E se você acha este argumento pouco convincente, coloquemos a coisa de maneira mais direta: a corrupção não pode ser vencida porque faz parte da lógica e da dinâmica do sistema. A corrupção, ou no nosso jargão, aquele famoso “por fora” é cultural e todos sabemos disso. Se até garçom só te trata bem se você der gorjeta, que dirá político...

Neste sentido, quais são suas opções?

De um lado você tem um ex-operário, ex-líder sindical, sem curso superior, que dedicou sua vida às causas do trabalhador encabeçando greves, passeatas, comícios, agüentando o dia inteiro em pé em porta de fábrica, conduzindo negociações com o empresariado para a busca de melhores condições salariais e de benefícios para as classes trabalhistas e que, uma vez eleito presidente, procurou durante seu governo defender, na medida do possível, os interesses dessa mesma classe a que ele sempre pertenceu e daquela parcela do povo brasileiro que sequer tinha acesso ao mercado de trabalho. Ele fez um governo de esquerda? Certamente que não, mas procurou dirigir a maior parte dos recursos para a preservação e engrandecimento das empresas nacionais (ou seja, freou as privatizações) e voltou boa parcela dos recursos públicos para a diminuição das desigualdades sociais.

De outro, você tem um médico, que nunca participou de greve, que nunca fez comício em porta de fábrica, que nunca trabalhou com carteira assinada e cartão de ponto; que conta, com muito orgulho, ter iniciado sua carreira política aos dezenove anos, em Pindamonhangaba, como vereador, e de lá para cá ter tido somente a política como profissão. Ele cursou medicina numa universidade particular, nunca exerceu esta (ou qualquer outra) profissão de fato, e faz parte da Opus Dei (http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT1106776-1653,00.html).
Veja mais detalhes de sua biografia acessando o link: (http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u14099.shtml ). Não vou dizer para você colocar no peso de sua balança o fato de o PCC se haver criado e desenvolvido durante os 12 anos de governo do partido deste candidato (seis dos quais sob comando pessoal dele mesmo) porque você pode achar que meu discurso está sendo tendencioso... Mas o PCC é um fato, e você deve mantê-lo em mente pelo menos para analisar o governador que voce pretende eleger.

Agora basta a você responder à pergunta: com qual dos dois eu me identifico mais? Qual dos dois está mais próximo de minha classe-social? Qual deles defende o interesse do rico e qual deles defende o interesse do pobre?

É a gravata versus o macacão.

Fique tranqüila.
Tenho certeza de que até dia 1º, você terá a resposta.

E quanto ao debate de hoje, honestamente, se eu fosse o Lula faria exatamente o que ele fez. Se ausente ele já foi chamado chefe de quadrilha, imagine do que ele não seria chamado se estivesse presente. Ademais, foi bom ele não ter aparecido, afinal as campanhas políticas da oposição foram tão bombardeadas de informação só sobre a "corrupção do governo Lula" que a gente não ficou sabendo de proposta de governo nenhuma... E engraçado que hoje, que eles tiveram chance de falar sobre isso porque o alvo dos ataques não estava presente, eles ainda assim insistiram em só atacar a cadeira vazia... Não é engraçado?

Leia a nota que Lula encaminhou à Rede Globo e julgue por você mesma se a decisão dele não foi mesmo a mais acertada...

Três contra um é covardia!

Escrito por Marcela Godoy às 02h07
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24/09/2006


Eu não pensei que fosse fazer isso em momento algum, mas acho que tenho um dever já que todo o resto está conspirando contra algo em que eu acredito com todo o meu coração: que ninguém deva passar fome. Por isso, adotando uma postura nada partidária, mas totalmente politizada, achei por bem dar minha contribuição (ou não) ao corrente caldeirão de abobrinhas lançado feito merda no ventilador por toda a mídia brasileira.

Em primeiro lugar, gostaria de – sem medo algum – afirmar que dirijo este texto àquela parcela da classe média que se diz politizada e que sequer sabe, de fato, a definição do referido termo (a saber, politizar: fazer alguém, ou a si mesmo, capaz de compreender a importância do pensamento e da ação política; dar ou adquirir consciência dos deveres e direitos do cidadão; segundo o dicionário Houaiss de língua portuguesa).

Estive conversando com algumas pessoas de meu convívio ultimamente sobre os recentes acontecimentos envolvendo o PT nessa história da carochinha que circula por toda a mídia sob o título de “Escândalo do Dossiê”. Desde o começo, quando esta bomba estourou, a primeira pergunta que me veio à cabeça foi: “o que contém o tal dossiê?”. Uma semana depois – vale dizer, depois de vasculhar canais de TV, internet e outros meios atrás de mais informações sobre o crime de nosso querido ex-ministro da saúde José Serra – minha pergunta mudou para: “O que contém este dossiê de tão importante, a ponto de mobilizar a mídia inteira para desviar o foco de sua atenção?”. Não apenas isso, mas esta pergunta acabou me levando a uma outra: “A mídia pensa realmente que a classe média é ignorante a ponto de aceitar uma manobra descarada como essa, cujas finalidades são claramente: 1. garantir pelo menos o governo do estado de São Paulo para o PSDB, já que o governo federal está praticamente com Lula de novo; 2. desviar completamente o foco da atenção – que deveria estar voltada para o conteúdo do dossiê e não para de onde veio o dinheiro para comprá-lo; 3. varrer para debaixo do tapete mais uma falcatrua do PSDB, tal qual foram varridas todas as 60 (veja, eu disse sessenta) CPIs que o referido partido embargou em SP?

Então, a fim de testar minha teoria sobre “quão imbecil a mídia pensa que eu sou?”, resolvi colocar minhas convicções de lado e apenas me perguntar como alguém que tem o mínimo de noção acerca do conceito da palavra ‘estratégia’: por que diabos um candidato que está praticamente reeleito iria aparecer com uma trapalhada dessas a dez dias de vencer as eleições com mais de cinqüenta por cento dos votos populares...

Aí eu resolvi prestar ainda mais atenção a tudo e vi Heloísa Helena (sim, aquela mesma Heloísa Helena que eu vi dando um baile na Fátima Bernardes – e gostei!, aquela mesma Heloísa Helena que aparece abraçada a Plínio de Arruda Sampaio do PC do B, candidato ao governo do estado de SP; aquela mesma HH que disse haver aprendido sobre socialismo na Bíblia) comendo das migalhas da Rede Globo, mamando da teta imunda da rede Globo, aquela mesma Rede Globo que ajudou a ditadura militar a se instaurar no Brasil e que pousa de “santa” exatamente como fez a Igreja Católica durante o Nazismo (e que não apenas pousa de santa até hoje, mas carrega a palavra em seu nome e nas orações que ensina aos seus fiéis).

Meu marido colocou a coisa de um jeito interessante: se a arma que matou o coronel Ubiratan fosse encontrada, (veja: a arma que contém as digitais do assassino de um homem!), e tal arma fosse negociada por quem a encontrou: o que seria mais importante? Saber de quem são as digitais que estão na arma (ou seja, saber a identidade daquele que cometeu crime), ou saber de onde vem o dinheiro que utilizado como pagamento pela prova?

É interessante pensar sobre como a classe média é facilmente manipulada pela mídia; como a classe média tem sua própria ética, ou seja, uma ética que não tem qualquer tipo de semelhança com “ética”, a saber: “parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano, refletindo especialmente a respeito da essência das normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social”. Isso por uma razão muito simples, por definição, ‘ética’ relaciona-se com ‘investigação’ e a classe-média não investiga, a classe média consome. O que quer que seja, mas principalmente informação. A classe média faz o que o mercado determina. A classe média faz o que a mídia determina. A classe média é tão mercadoria quanto a mercadoria que ela é levada a consumir. É graças à classe média que máximas como "show must go on" são possíveis...

E o mais engraçado é que todos se dizem politizados! Todos se dizem capazes de “compreender a importância do pensamento e da ação política; dar ou adquirir consciência dos deveres e direitos do cidadão” sem produzir questionamentos próprios, somente pensando com o cérebro das emissoras de TV, dos donos de jornais e revistas, dos websites...

Uma coisa é uma verdade histórica, comprovada, e inquestionável: ricos e pobres têm – de fato – consciência de classe. O rico sabe que é rico. O pobre sabe que é pobre.

E a classe média o que tem? A Rede Globo. A ilusão de que é ela que move a roda.

Acho que está na hora da classe média mostrar que é capaz de pensar.
Acho que está na hora da classe média mostrar que pode questionar além de consumir.

Eu não sei quanto a vocês, mas para mim, tentar derrubar um candidato que tem mais de cinqüenta por cento da maioria do voto popular por meio da distorção dos fatos é um insulto à democracia. Aliás, é um insulto à inteligência. Pelo menos à minha... Afinal, será que este candidato não merece pelo menos o questionamento acerca de tudo o que a mídia vem lançando contra ele? Será que existem esqueletos só no armário do PT?

Espero que você, caro leitor, tenha a certeza de que suas convicções políticas são de fato suas.

E antes que fique qualquer dúvida: não, eu não sou petista.
Mas vou votar no Lula. De novo. Como disse no começo, acredito com todo o meu coração que ninguém deve passar fome. É fácil dizer que o bolsa-família é uma esmola, afinal, diz isso quem almoça e janta todos os dias. Ademais, eu jamais votaria num candidato da Opus-Dei, sempre achei a Igreja Católica um antro de diabos que só fizeram acumular malefícios ao longo de toda História em qualquer segmento que se possa conceber. E como se isso não bastasse, votar num candidato de extrema-direita (sim, caro leitor, sei que você está se sentindo traído porque ninguém te contou isso, mas sinto informar que o PSDB não é centro-esquerda como se diz, é extrema direita mesmo – vasculhe um pouco a história do partido, suas alianças, e as pessoas que o fazem e você constatará este fato) seria como votar no Bush, ou como diria Hugo Chaves, no próprio diabo.

E já que estou dizendo tudo, para o estado meu voto é do Mercadante. Se ele fizer pelo pobre paulista o que o Lula fez pelo pobre do quinto dos infernos do Brasil, para mim já está de bom tamanho. Além do mais, não voto na pessoa de um "pseudo-separatista", nem mum partido que não consegue enxergar a relação entre crime e falta de educação. Valha-me Deus, 12 anos de PSDB em São Paulo e o que ganhamos? O PCC...

É a classe-média pagando por sua falta de critério ao votar em candidatos que defendem os interesses de uma classe da qual ela jamais fará parte.

É histórico: rico governa para rico...
E a filha do Alckimim trabalha na Daslu, não nas Casas Bahia.

Mas no final, como eu sou uma Zé-Ninguém, deixo vocês com o depoimento de alguém que é intelectualmente reconhecido... Leiam a entrevista a abaixo. E perguntem-se por que nunca esta intelectual fora convidada para um entrevista no Programa do Jô....

Escrito por Marcela Godoy às 23h08
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Entrevista com Rose Marie Muraro: escritora
MOISÉS MENDES

Reconhecida no Brasil e no Exterior como autora de livros sobre a condição da mulher, Rose Marie Muraro ganhou prestígio como feminista a partir dos anos 70. Formada em economia, circula pela sociologia, antropologia e psicologia para entender o feminino e seu ambiente de opressão e pobreza. Nesta entrevista por telefone, ela defendeu uma tese que admite ser capaz de provocar reações indignadas:

- Ser moral dentro de um sistema imoral é legitimar a imoralidade.

É dita, repetida, soletrada para defender que, apesar das denúncias de corrupção, o governo Lula deve ser anistiado por ter socorrido os pobres. A escritora, 75 anos, entende que setores que cobram moralidade de Lula, do governo e do PT sempre se comportaram imoralmente. A seguir, a entrevista que concedeu por telefone:

Zero Hora - Os intelectuais identificados como de esquerda voltaram a falar depois da crise de corrupção?

Rose Marie Muraro - Eu falei o tempo todo. Nunca estive em silêncio. Outros estiveram, porque houve um desânimo, um pouco de decepção com Lula. Mas vou votar nele de novo. Minha decepção é com a parte econômica. Quero ver o que ele vai fazer no segundo mandato. Estou votando meio de nariz fechado. Mas no Alckmin (Geraldo Alckmin, candidato do PSDB) não voto porque é da extrema direita.

ZH - Sua decepção é só com a área econômica?

Rose Marie - Eu estava esperançada. Achei que Lula sairia do modelo neoliberal, e ele não saiu. Mas reconheço que o Bolsa-Família incrementou a economia do Nordeste, que cresceu 10%. Aprendi com Dom Hélder Câmara (arcebispo de Olinda e Recife, já falecido) que, ao mesmo tempo em que se dá comida, é preciso se fazer uma reforma estrutural. Mas o pobre diz: Lula faz por mim. Os porteiros da minha rua dizem: pelo menos hoje a gente come. Um deles me contou: pela primeira vez consegui juntar dinheiro para comprar uma passagem e retornei à minha cidade no Nordeste, e ela estava toda iluminada.

ZH - Por isso, segundo as pesquisas, os pobres votam em Lula?

Rose Marie - O pobre sempre foi expropriado desde o nascimento. Lula sabe disso porque fugiu de Garanhuns para não morrer de fome. Uma pesquisa que realizei mostra que, desde que nasce, uma criança filha de camponeses sabe que vai chorar de fome e que seus desejos não serão satisfeitos, que sua fome não será saciada. Que ela sempre espera pela mãe, que já sofria como mulher a opressão do marido, dos pais. Essa criança esperava, na passividade, pela vontade de Deus, do céu, uma salvação. Se ficasse boazinha, como pobre, iria para o céu. Aí tem também a opressão do patrão, do machismo, a dominação, a religiosidade popular.

ZH - O pobre não vincula Lula ao mensalão e agora ao caso do dossiê contra Serra?

Rose Marie - O pobre já vinha sendo roubadíssimo, expropriado. Isso de mensalão e de sanguessuga é da lógica da classe média, não chega ao pobre da forma como os entendemos. A corrupção é uma disfunção do sistema econômico. Temos uma dupla moral. Os pobres serão sempre roubados pelos dominantes, porque os pobres devem ser honestos, e eles, não. Um banqueiro me disse que é assim mesmo, que a corrupção e a fraude são das leis do mercado. A classe rica ri de você. O caso do dossiê é revelador. Nada se investiga sobre o envolvimento de Serra com as sanguessugas, mas tudo se investiga sobre o PT. A mídia está com todo o foco sobre o PT.

ZH - Todos, invariavelmente, agem então de forma antiética?

Rose Marie - Eu digo que ser moral dentro de um sistema imoral é legitimar a imoralidade. O pobre sempre ouviu que deveria ser honesto, mas foi expropriado. Hoje ele pensa: vou votar em alguém que faz algo por mim, que me dá o que comer. É ético o que o povo está fazendo, ele está defendendo a sua vida. É a lógica da vingança de quem sempre foi expropriado. Seja quem for, se der comida aos pobres, terá meu voto. São Tomás de Aquino, na Suma Teológica, já dizia que, se você está com fome, você tem o direito de roubar. Nenhum presidente antes havia favorecido tanto os pobres, a não ser Getúlio Vargas. Mas depois veio Delfim (Delfim Netto, ministro da Fazenda durante a ditadura) e expropriou a comida dos pobres. Delfim era um ético?

ZH - Isso justifica o mensalão e a corrupção?

Rose Marie - Essa história de mensalão foi criada pelo PFL. O próprio Roberto Jefferson (ex-deputado, do PTB, que denunciou o mensalão) disse que o PT não tinha se locupletado. Os outros governos roubaram indistintamente. Juscelino (Juscelino Kubitschek) fez Brasília com o dinheiro da Previdência. O mensalão é pouco perto dos bilhões das privatizações do governo FH, o governo mais corrupto. Mas Lula é considerado um semi-estadista, e FH é um grande estadista. Sempre achei o mensalão uma coisa ridícula, uma bobagem. Converso com pessoas esclarecidas que se deram conta de que tudo foi uma armação.

ZH - O governo não tinha como agir de outra forma, sem o mensalão?

Rose Marie - Tinha. Eu iria para a TV e diria: tenho tais leis para votar, boas para a população, e o Congresso não quer. Mas como governar se a Câmara tem os partidos dos ruralistas, das empreiteiras, da indústria farmacêutica, dos bancos, das indústrias? O que Lula deveria ter feito era trocar a política econômica que beneficia essa elite. Mas ele acendeu uma vela a Deus e outra ao diabo.

ZH - Pelas suas conclusões, Lula teria sido vítima de uma campanha moralista?

Rose Marie - Todo moralismo é farisaísmo. Está em São Mateus. Os fariseus de hoje são a classe dominante. Falam de moral num sistema que sempre foi imoral. Isso é farisaísmo. E não sou comunista, porque o comunismo tem a mesma lógica. A noção de ética não pode ser aplicada à economia se não vier acompanhada de outros valores. Essa moral foi feita para manter as pessoas pobres. Eu não sou farisaica. Enfrentei a ditadura e luto concretamente contra a injustiça.

( moises.mendes@zerohora.com.br )

Escrito por Marcela Godoy às 23h07
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15/08/2006





"EU AMO NOVA IGUAÇU!"

"A figura de um tridente pintado na encosta da Serra do Vulcão, logo atrás do Mirante do Cruzeiro, causou ontem polêmica entre moradores e religiosos de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Muita gente ficou revoltada e acusava a prefeitura de desrespeito às religiões. O desenho fez parte de oficina de arte pública, no Projeto Interferências Urbanas, evento promovido pelo município semana passada.

"Isso é coisa do mal, do demônio. Uma afronta a um símbolo de Jesus e com a permissão da prefeitura. Subiram aqui com o pretexto de fazer arte e foram embora deixando esse símbolo do mal", disse a evangélica Edileide Amaro, 31 anos.

O prefeito Lindberg Farias (PT), no entanto, alega que o artista plástico Alexandre Vogler, responsável pela oficina, não tinha permissão para colocar o símbolo - que, segundo ele, é ligado diretamente ao diabo.

"Quando soube que tinha sido desenhado um tridente mandei retirar imediatamente. Ele tinha combinado de escrever 'Eu Amo Nova Iguaçu'. Mas acabou colocando esse símbolo que afronta a cruz. Desde pequeno que vejo a figura do diabo com tridente na mão. Moramos numa cidade de Deus", justificou Lindberg."

JORNAL 'O DIA', DE 15 DE AGOSTO DE 2006


Eu ri por quase dois minutos sem parar....

Escrito por Marcela Godoy às 01h14
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Ela é ou não é inacreditável?!

Escrito por Marcela Godoy às 00h48
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28/07/2006


"BRASIL, O NAUFRÁGIO DA ÉTICA"

O escândalo dos sanguessugas é perfeito exemplo da amoralidade dos senhores. Sem falar do desfecho de Belíssima...
Por Mino Carta

"Tu quoque, Emerson Kapaz? Estou entre atônito e perplexo. Tomo nota de que ele nega qualquer semelhança com sanguessuga. A ex-mulher afirma, porém, que misteriosa quantia aninhou-se de inopino na sua conta bancária. Quem me apresentou ao jovem Kapaz foi Oded Grajew, digníssima figura, nos tempos da ditadura. Sonhávamos com liberdade. O regime fardado bateu em retirada espontânea, mas a liberdade só valeu para alguns, dispostos a entendê-la como impunidade.

Resta provar, em definitivo, que Kapaz participa dessa operação de punguismo parlamentar, a reunir um quinto do Congresso. Sanguessugas de pequeno porte, creio que se habilitariam a furtar a sacola das esmolas durante a missa. Representativos, contudo, de uma sociedade afluente e profundamente aética. Donde, feroz, arrogante, irresponsável, predadora.

Incompetente, muito, excepcionalmente. Mandam em um país beneficiado pela natureza de inúmeros pontos de vista, e sempre o trataram como se fosse terra de conquista a ser explorada sem nada receber em troca. Às vezes escondem-se em um pretenso patriotismo, último refúgio dos canalhas. E engalanam seus bem-amados carros com bandeirinhas verde-amarelas nos dias de jogo da seleção.

Hipócritas, muito, excepcionalmente. Perfeitos descendentes dos senhores que estupravam as meninas escravas na senzala e engoliam hóstias aos domingos na capela da casa-grande. A imagem não é minha, porém da lavra do professor Carani, brasileiro e zeneise como eu, ambos nascemos em Zena, ou seja, Gênova.

O próprio caso dos sanguessugas oferta o exemplo da hipocrisia senhorial. A mídia, salvo raras exceções, enxerga-o como resultado da gestão petista. Ocorre que a origem do caso remonta a seis anos, e seu ápice foi atingido em 2002. Tempo do reinado do príncipe dos sociólogos, o FHC que nos invejam de um pólo a outro. De todo modo, esse esforço concentrado e patético para debilitar a candidatura Lula à reeleição ganha outros exemplos, bastante eficazes.

Faz pouco tempo, o candidato tucano ao governo de São Paulo, José Serra, e o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen, viram, atrás da ação do PCC, a mão petista. Não é por acaso, no entanto, que o PCC é fenômeno de pura marca brasileira, único no mundo atual. De quem é a responsabilidade? Da maldade humana, aquela detectada por Cesare Lombroso, ou de outra maldade, aquela dos predadores hodiernos e de antanho?

Há quem pretenda comparações com a Colômbia dos tempos do traficante Escobar, à testa de um poder paralelo. O planeta, no entanto, curva-se. A novidade, o toque da imaginação e do sestro, está no fato de que o próprio Estado brasileiro se torna refém dos presidiários. E tende a tornar-se cada vez mais.

Há também quem observe que a desgraça reina em todos os cantos do globo terrestre. É inegável. Mas é inegável, também, que o Brasil é vice-campeão mundial em má distribuição de renda, exibe um PIB abaixo de medíocre, suas metrópoles constam entre as mais perigosas do mundo. Etc. etc. etc. Espanta a insensibilidade de tantos, graúdos e nem tanto, aspirantes a graúdos. É claro sintoma do esgarçamento moral que assola o País.

Sabe-se que a Globo, ao longo de suas novelas, faz pesquisas para averiguar os humores do público. Belíssima, o mais recente e retumbante sucesso, texto de Sílvio de Abreu. Concluiu-se com o triunfo do mal. A vilã, homicida e ladra, acaba em Paris, em flat infindo de janelas escancaradas para a Tour Eiffel, com garantia de conta na Suíça e a companhia de mancebo sequioso, a despeito de entrada em anos, intermináveis. Consta que a Globo atendeu aos resultados da derradeira pesquisa, a maioria exigia a glorificação do crime."

Publicado no Editorial da Carta Capital desta semana.
Ah, você lê a Veja... Mmmm... Bem, nem tudo está perdido...
Ainda há tempo de mudar.
Sempre há.

Escrito por Marcela Godoy às 18h48
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Quem disse que os tradutores não são lembrados pelos fãs??

O jornalista e fã declarado de Sin City, Felipe Voigt, publicou esta semana uma entevista que fez comigo para seu blog, em vista da tradução que eu fiz para os álbuns de Sin City relançados pela Devir ano passado. Ele é editor-chefe do jornal semanal "A Tribuna de Cordeirópolis" e mora em Limeira. A matéria ficou tão legal, que vai sair num jornal local este sábado! Adorei! Hehehe!

Dêem uma conferida! http://questaodeordem.blogspot.com/

Beijos a todos!
M.

Escrito por Marcela Godoy às 10h00
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14/07/2006


Brincando de Palhaço

Para rir com o palhaço do Vanucci chapadaço apresentando seu programa depois da vitória da Itália na final, copie e cole na sua barra de navegação o seguinte endereço: http://youtube.com/watch?v=rmqcCO-nu4A
Efeito colateral: como o vídeo remete a questões indigestas e mal-resolvidas (afinal, perdemos a copa...) você poderá, de repente, ter a sensação de que o palhaço, na verdade, é você... Todos nós...

Para rir com o palhaço do Serra sobre sua promessa de permanecer na prefeitura de São Paulo por quatro anos, copie e cole na sua barra de navegação o seguinte endereço: http://youtube.com/watch?v=o_1PejF3Bzg&mode=related&search
Efeito colateral: como o vídeo remete a questões indigestas e mal-resolvidas (afinal, ele saiu da prefeitura para concorrer a governador...) você poderá, de repente, ter a sensação de que o palhaço, na verdade, é você... Todos nós...

Escrito por Marcela Godoy às 17h46
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