As pessoas contam histórias das mais diversas maneiras; quando o filho conta pra mãe como foi o seu dia, está contando história; quando o aluno escreve uma redação na escola, está contando história; quando um amigo prende a atenção de um grupo de amigos com uma piada que ainda não acabou, está contando história; quando alguém procura um analista pra resolver suas neuroses, vai contar história... O trabalho do escritor é contar histórias. A Marcela parece estar passando por uma crise porque teve seu primeiro trabalho publicado e acha que não será mais capaz de contar outras histórias tão boas quanto. O escritor formatiza o pensamento em linhas que devem ser lidas de maneira coerente, mas isso não implica em transformar o ato de contar histórias em algo entediante ou sem prazer. Há pessoas que contam histórias sem graça, outras podem iluminar um tema obscuro ou transformar um discurso que, na boca de outros seria pífio, num relato tocante, engraçado, tenebroso ou comovente. Se o filho é bem articulado, o seu dia será ouvido com atenção; se o contador da piada tiver ritmo e puder estabelecer um pouco de empatia, fará todos rirem (mesmo que a pida nem seja tão boa assim); e assim por diante... O trabalho do escritor é contar histórias. Como todo artista, deve tentar fazer seu trabalho da melhor maneira possível. A grande bobagem é tentar superar-se, tornar-se genial ou escrever a mais perfeita obra-prima. Marcela! Senta a bunda na frente do teclado e pára com essa bobagem. Vai contando as tuas histórias sem medo de ser feliz. Você já provou que é boa contadora de histórias, não precisa provar que é melhor do que é! Fui!


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