OS CÃES DO INFERNO


17/07/2004


(continuando...)

Quando essa revolução quadrinhal aconteceu na minha vida, eu descobri que queria escrever (entre tantas outras coisas que eu sonhava fazer, escrever era uma). Queria muito contar histórias. Aí entra uma coisa legal e engraçada sobre como surgem as idéias para se contar histórias. Eu não me lembro exatamente como surgiu a idéia de escrever o Primeiro Relato (cujo título originalmente era "Khalel", uma brincadeira com a palavra de origem árabe khalil, que significa guardião, melhor amigo, associada ao sufixo el, dos anjos). As primeiras linhas rolaram por volta de 1989, eu tava com 16 anos. Dentre as muitas paixões que eu tenho, como a maioria dos amantes da literatura fantástica, eu era doida por vampiros e lobisomens. Ficava imaginando as possibilidades de 'juntar' estes mundos num único universo totalmente integrado. Os lobos sempre foram animais que me fascinam. Acho que são meus prediletos, ao lado dos cavalos.

Eu havia percebido que em todas as histórias de vampiro, a presença dos lobos era uma regra. Eles sempre agiam como protetores do sono dos vampiros (isso é bem evidente naquele filme "The lost boys"), ou os próprios vampiros se transformavam em lobos, coisas assim. Quando eu vi Lost Boys, me deu um estalo. Por que não contar a história dos lobos que protegem os vampiros? Eu me lembro também que em algum momento eu fiquei fascinada com a palavra "alcatéia". Achava legal e ficava criando histórias sobre super-heróis lupinos, e o nome da série seria "Alcatéia" (aliás, esta minha 'coisa' com a palavra alcatéia pintou por causa de um artista chamado Alcatena). Foi então que surgiu a idéia de juntar tudo isso. Comecei a escrever Khalel (que era o nome original do guardião que hoje se chama Azael) como se estivesse escrevendo uma história em quadrinhos. Só que tinha uma coisa... eu não sabia escrever para quadrinhos! E na época eu não sabia que não sabia fazer aquilo, eu simplesmente fui fazendo. A história começou a ganhar corpo, tomar forma. Inicialmente, tinha o nome de "Alcatéia" e falava sobre um grupo de cinco lobos que eram protetores de um vampiro da Moldávia (Lucien). Não tinha muito enredo, eu nem me lembro direito da idéia original, exceto que o tal vampiro estava prestes a ser queimado e precisava salvar a esposa, que era humana. Conforme eu fui fazendo, um entre esses lobos, começou a se transformar num personagem interessante: Khalel. Bem, a gente sabe que quando voce começa a contar uma história, de um determinado ponto adiante a impressão que temos é que a própria história é que está contando sua história para voce, então, eu meio que fui perdendo o controle sobre tudo. Como eu nunca havia estudado nada sobre escrever histórias, eu meio que tive que perceber sozinha que não bastava apenas contar a história desse ou daquele personagem, mas era preciso que eles tivessem gênese! É, eu sei que parece estúpido dizer isso, é claro que personagens precisam de gênese, mas ninguém chegou e falou pra mim "Marcela, se voce vai escrever uma história, não se esqueça de que voce tem que criar todo o universo que acompanha sua história para que ela possa fazer algum sentido, hein???". Não. Eu fui fazendo no esquema dos erros e acertos. Na medida em que as cenas se desenvolviam eu precisava encontrar elementos que as tornassem plausíveis.  No começo eu fazia isso meio que "on demand". Quando aparecia a necessidade, criava-se uma explicação. Depois a coisa foi apertando e chegou uma hora em que eu falei: "Ok. Está na hora de fazer isso direito!". Foi a parte mais gostosa do trabalho. Foi neste momento que eu descobri um elemento fundamental na vida de quem quer contar histórias: a pesquisa. Era simplesmente maravilhoso criar e então buscar elementos que pudessem tornar a criação realista.

Bem, depois eu continuo porque o telefone tá tocando.......

Escrito por Marcela Godoy às 18h22
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Ilustração1-PrimeiroRelato

Bom, acho que pra falar do Primeiro Relato, nada melhor do que uma ilustração como essa do Campos para encontrar inspiração.....

Pode parecer meio presunçoso falar do próprio trabalho, mas acho que não é bem o caso... Na verdade, eu sempre quis fazer um diário. Cheguei a fazer agendas quando era adolescente e me lembro de ter ganho de aniversário do meu pai, quando eu fiz 12 anos, um diário com chave e que continha em todas as páginas uma série de poemas de Vinícius de Moraes. Lembro-me de ter escrito bastante lá, mas perdi esse diário e depois nunca mais senti vontade de ter outro. Vejo este espaço um pouco dessa maneira. Uma oportunidade de falar sozinha mas, de uma maneira que somente a tecnologia pode explicar, se fazer ouvir por todo o mundo....

Eu sempre gostei de escrever. Não sei se faço isso bem ou não, ainda tenho muito o que aprender e, sim, sou dessas pessoas que acredita que nascemos, crescemos e morremos num constante processo de aprendizado que não se restringe, inclusive, a uma vida, mas a todas elas. Então...

Quando eu era moleca, adorava escrever peça de teatro para meus irmãos e primos encenarem nas festas da família. Eu tinha uma estranha atração, contudo, pelo fantástico, desde muito jovem. Ficava até tarde assistindo um programa que passava no Canal 7 todas as sextas-feiras chamado "Calafrio". Passava antes da Sala Especial. Tinha um outro programa também do Zé do Caixão e uma sessão especial que rolava de madrugada na TV Bandeirantes só com filmes de terror. Eu tenho alguns bloqueios na minha memória (coisa que eu trato na terapia), então não me lembro com detalhes sobre o que eu gostava de ler. Lembro-me de ter lido Christine e Carrie ainda bem jovem... Descobri Edgar Alan Poe fazendo um trabalho de escola no ginásio e me apaixonei. O primeiro conto que li de Poe foi "Nunca aposte sua cabeça com o diabo". Os gibis entraram na minha vida quando eu fiz uma cirurgia de adenóides, aos 11 anos. Eu me lembro que quando cheguei do hospital, com a garganta detonada, só podendo tomar sorvete e gelatina (e com uma tonteira que durou uma semana por causa da anestesia geral), minha mãe havia comprado um montão de gibis pra eu passar o tempo. Acho que nem ela se lembra disso. Lembro-me de que quando eu vi aquele puta monte (sem exagero, era um puta monte, devia ter uns duzentos exemplares de todo tipo de HQ!!), meu primeiro pensamento foi: "Meu... eu vou ter que ler tudo isso aí???". Foi engraçado. eu tinha a sensação de que precisava ler para não deixar minha mãe triste, muito mais do que porque os títulos me atraíam. Eu me lembro de ter lido não mais do que dois ou três e depois me desinteressei... Sei lá porque, acho que porque eu tava me sentindo mal e ver TV exigia menos de mim. Tinha um outro agravante também... eu era fascinada por alguns heróis da TV. Como tenho uma dificuldade natural de estabelecer datas, ou me lembrar delas, bem, não lembro exatamente minha idade quando tudo começou. Meu primeiro grande heroí (e favorito até hoje) foi Batman. Eu não conheci o Batman dos quadrinhos até ter quinze anos, mas era viciada na série da TV. Depois veio Ultraman. UHH! Mudou minha vida! Nossa! Aquilo era demais! Eu era realmente viciada (ainda sou!) nos filmes de herói japoneses. Acompanhava diariamente o Ultraman (os dois, Ultraman e Ultraman Jack), Ultraseven, Vingadores do Espaço e depois, Spectraman. Houve um tempo, inclusive, durante minha infância (e confesso, comecinho da adolescência) em que eu acreditei realmente que era de outro mundo. Chamava meus colegas de escola de terráqueos, pelo amor de Deus! Teve também o lance do Superman no cinema... Puta, aquilo foi outro marco pra mim. Era diferente de tudo o que eu havia visto na vida, possivelmente o mesmo que aconteceu com a maioria das crianças da época. Eu sei que o resultado disso tudo foi o fato de até acho que os 12 eu ter a convicção de que era de outro planeta. Eu ficava horas olhando pela janela do apartamento esperando o dia em que meu povo viria fazer contato (eu achava que era do planeta Ultra, ou do planeta de Goldar, aliás...). Esse dia entreou para a minha história e de meus irmãos como o "Dia da Revelação". Sim, eu ansiava pelo Dia da Revelação!... Tinha uma outra coisa estranhíssima a meu respeito também na minha infância. eu era muito mentirosa. Não mentirosa no sentido de fazer maldades com metira, mas mentirosa no sentido de ficar inventando histórias a meu respeito. Teve uma época que eu inventei que era Chilena (sabe-lá-deus porquê a porra do Chile!) e que tinha nascido dentro do avião exatamente em cima da fronteira do Brazil com o Chile, só que mais pra dentro do Chile... Numa outra ocasião, eu inventei que tinha um cachorro em casa, um collie que se chamava York. Meu, eu não tinha nem um peixe (bem, tive alguns, mas nenhum contemporâneo desta história....). Eu também adorava assustar minhas primas. Contava histórias de terror pra elas, a maioria de improviso. A primeira vez que escrever passou pela minha cabeça foi na quinta-série, numa aula de redação. O professor nos havia pedido para fazer uma redação sobre sei-lá-o-que, mas sei que fiz a minha narrando uma breve aventura do Van Helsing (que terminava muito mal pra ele, by the way!). O professor me fez ler a redação em voz alta e depois me perguntou o que eu queria ser quando crescesse. Eu disse a ele que queria ser astronauta. Ele riu e me disse para ler mais... Enfim, eu nunca soube o que foi feito daqueles gibis que minha mãe me deu... Anos depois, em 87, eu comecei a sair com a turma de amigos do meu irmão. Na verdade, eu era apaixonada por um deles havia muitos anos e sempre que podia eu me enfiava no meio da turma. Com o tempo acabei "sendo aceita" por aquele grupo bastante exigente de moças e rapazes e foi então que os gibis entraram na minha vida pela segunda vez, desta, contudo, para nunca mais saírem. Eu me lembro que tinha ido até a casa do Rodrigão porque queria convidá-lo a ir ao cinema. Quando cheguei lá ele e o André (um outro amigo da turma) estavam deitados no chão do quarto, lendo. Estava aquele silêncio e quando eu entrei tive a sensação de ter quebrado uma corrente de magia ou algo assim. "Sentaí", foram as palavras do André para mim. Eu sentei no chão e havia um monte de revistas espalhadas. Uma entre elas me chamou atenção porque achei a sonoridade do nome muito legal: Ronin. Foi como se alguém houvesse me dado um chute na cabeça. Depois disso, eu rolei o barranco. Não parei mais até hoje, graças a deus. Leio muito menos do que gostaria porque infelizemente tudo o que é bom custa caro e eu não tenho grana pra comprar tudo o que eu gostaria de comprar. Tem também a questão da quantidade. Quando a gente gosta de muitas coisas, a soma no final de tudo acaba extrapolando o orçamento...

(continua........)

Escrito por Marcela Godoy às 16h31
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OK. Admito. Foi um momento de fraqueza. Não sei porque fiz aquilo, não sei. Acho que foi pra chamar atenção... eu ando tão carente... melhor não começar com isso, puta merda... Enfim, passou. 

Bem, a idéia original do Blog era falar sobre histórias, contar histórias, coisas assim. Eu mesma pouco contribuo pra ele, então resolvi mudar isso. Abobrinhas à parte, que tal começar então contando um pouco da minha história?

Meu nome completo não é Marcela Godoy (mas também não vou dizer qual é). Nasci em 21 de junho de 1973, às 5:55 da manhã. Eu gosto muito do dia 21 de junho. Ele é cheio de coisinhas especiais. É dia de solstício (de inverno no Hemisfério Sul e de Verão no Hemisfério Norte). É ano novo Inca, Maia e Asteca! Era Corpus Christi, no dia em que nasci. É o mesmo dia em que nasceu Bach e o mesmo em que morreu Maquiavel. Ainda não tive saco de procurar saber o que aconteceu no dia 21 de junho de 1973 exatamente. Acho suficiente saber que foi o dia em que nasci! Já é um marco histórico pelo menos na minha vida e na vida dos meus pais! Por causa do horário em que nasci, sou gêmeos ascendente gêmeos. No chinês, sou Boi. Não sei exatamente o que isso significa, mas tudo bem. Quer dizer, na verdade, eu já soube o que isso significa porque comprei um livro há muito tempo e li bastante sobre o assunto, mas me esqueci de tudo. É verdade, eu tenho um pequeno problema de memória.... Eu leio algo hoje e amanhã já me esqueci do que li. É fogo! Eu ainda não entendi como minha mémória trabalha, qual sua "lógica" pois eu me lembro de absurdos e outras coisas simplesmente somem. Isso me causa problemas, não estou exagerando!

Minha vida mudou completamente de uns dois anos pra cá. Foi quando conheci o Marcelo Campos. Eu adoro essa história porque ela é uma prova concreta de que aquela balela que diz que "o universo conspira" é verdadeira. Durante muitos anos eu tirei meu sustento a partir do ensino da língua inglesa e da portuguesa para estrangeiros. Dei aulas em cursos de línguas, cursinhos pré-vestibulares e empresas. A última empresa em que trabalhei como professora foi a que melhor me pagou, que me rendeu amigos realmente verdadeiros e que proporcionou a introdução da Família Campos em minha vida.

Já havia algum tempo que eu não escrevia nada. O projeto do meu livro ("O Primeiro Relato da Queda de um Demônio", Devir, 2004), que na época tinha outro nome - mas isso é outra história que eu ainda vou contar aqui - estava totalmente abandonado e eu estava começando a acreditar em algo que nunca em toda a minha vida acreditei: o fracasso. A única coisa que me mantinha teimosa e persistente era saber que o fracasso é um privilégio dos vencedores, porque a gente só fracassa quando nossa realização não dá certo, e a realização por si só já é uma vitória, então eu não podia me sentir fracassada porque ainda não havia realizado nada e até que houvesse realizado algo e a realização não tivesse dado certo, então eu simplesmente seria insistente e enfim.... Acho que ficou claro. Uma das coisas que eu havia sonhado para o projeto do livro era a parte visual. Eu não queria me desvencilhar da idéia original (a história do Primeiro Relato foi concebida originalmente para ser uma HQ) e achei que se o livro fosse ilustrado o trabalho enriqueceria muito. Mas eu não conhecia ninguém. Ninguém mesmo. Tinha um ex-namorado que desenhava bem, mas ele nem morava mais em São Paulo. Pessoas do mercado? Eu jamais pensei que um dia viria a conhecer algum artista do mercado, jamais! Para mim, era um sonho. Um sonho desses irrealizáveis (existe isso??). Bem, depois de falar com muitos amigos que tinham amigos que tinham amigos que sabiam desenhar, eu comecei a desanimar de novo (não em relação a terminar o livro e tentar publicá-lo, mas em relação a tê-lo ilustrado). Foi aí que um aluno-grandeamigo meu, o Jefferson, fez um comentário que eu até mencionei nos agradecimentos do "Primeiro Relato". Ele disse: "Marcelinha, acho que a Iride é amiga de um cara que desenha... Acho que ele é profissional, inclusive." Esse mundo é engraçado mesmo... A Iride era diretora nessa empresa. Eu a conhecia um pouco na época, a gente conversava de vez em quando, mas ela sempre foi muito legal e eu sabia que não teria problema em falar com ela sobre aquele amigo. Além do mais, O Jefferson fez a gentileza de ir lá e meio que abrir caminho com ela (eu era muito tímida e tinha medo de falar com pessoas que tinham poder pra me demitir. heheheh). Quando ele falou que eu estava escrevendo um livro ela achou super legal quis ouvir a respeito e foi só eu dizer que estava li por causa do amigo dela que desenhava profissionalmente que ela na mesma hora passou a mão no telefone e ligou para este amigo que eu não fazia a menor idéia de quem se tratava....

Foi uma conversa engraçada.... "Marcelo? Oi! Aqui é a Iride! Tudo bem? Estou aqui com uma amiga que escreveu um livro e precisa de um desenhista pra fazer as ilustrações... Você trabalha com isso, não trabalha? Você fala com ela? O nome dela é Marcela.", e me passou o telefone. Dei aquele sorriso 'estou com a sensação de estar sem calças'  e peguei o aparelho. "Oi, Marcela, eu sou o Marcelo. Tudo bem?"...."Tudo!"...."Então, a Iride falou que ce escreveu um livro né?"....."É."..... "Então, fala um pouquinho do livro..."......"Err.... É uma história que acontece no Séc XV... Tem um demônio... Sabe, eu sempre fui muito fã do trabalho do Neil Gaiman.... Você conhece o trabalho do Gaiman?". Sim, amigos. Eu perguntei isso ao Campos... Se ele conhecia o trabalho do Gaiman. Este foi o ponto de virada.... "O Gaiman? Ah, conheço sim! Publiquei um Pin-up numa edição do Sandman...". Silêncio sepulcral de minha parte. Subiu uma onda de calor que me deu a sensação de que minha cabeça ia explodir. Olhei para a cara da Iride como quem diz "pra quem voce ligou?" e ela estava sorrindo, entusiasmada com o meu papo sem fazer qualquer idéia do que estava acontencendo..."DEsculpe, Marcelo, mas.... É Marcelo do que mesmo???", perguntei....."Campos.", ele disse.....Hesitei um momento. "Marcelo Campos? Marc Campos?...."... E ele riu do outro lado, acho que uma das risadas mais simpáticas e gostosas que já ouvi na minha vida!..."É!". ...

A primeira coisa que eu fiz foi pedir desculpas...."Cara! Putaquepariu! Desculpe! Eu nem imaginava.... Quando a Iride falou, meu, eu não... Puta, vamos começar de novo... Olha, eu não queria incomodar você, foi tudo um mal entendido.... Puta, eu queria um autógrafo seu! Pode ser?...".... e foi assim que tudo começou. O Marcelo foi maravilhoso. Não somente me ouviu pacientemente aquele dia, como convidou-me à sua casa. Foi quando conheci a maravilhosa Fati e os pequenos Padawans (Fefê tava acordado e Fefinha tava nanando....). Eu nunca vou me esquecer disso... Eu cheguei lá e a Fati e o Marcelo foram tão maravilhosos... Com vinte minutos de conversa a sensação que eu tinha era que os conhecia a vida inteira. Eu ficava me perguntando "cara, será que depois que eu for embora eu ainda vou vê-los de novo??... Poxa, eu queria vê-los de novo!". A verdade é que eu já nem estava preocupada com o livro... Eu acreditava realmente que o Marcelo não ia topar mas, putz... Só o fato de ter tido a chance de conhecê-lo, ir até a casa dele, tomar chá com a esposa dele! Falar sobre dinosssauros com o filho dele! Puta, isso já era mágico e surreal demais!! Se nada desse certo depois daquilo, tudo já teria dado certo de qualquer maneira, entende??? 

A verdade é que minha vida mudou naquela noite em que estive na casa da Família Campos. Minha vida enriqueceu naquela noite....

Bem. mais tarde eu continuo.... 

Escrito por Marcela Godoy às 10h43
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14/07/2004


     

Esse aí é meu marido. Ele é ator pornô. Essa foto é do último filme que ele fez: "Ainda me lembro dAquiles anus dourados...". Muito bom.

Escrito por Marcela Godoy às 18h56
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OK.... Por que escrever se não escrever pode dizer tanto? Enviar uma carta em branco. Dizer sem falar. Olhar mas não ver. Palpar e não sentir. Pensar ao abstrair. O que? Você não está entendendo??? Eu explico. Punheta mental. Este é o nome. No fim da tarde de 10 de julho de 2004 eu não tinha nada para dizer, mas queria dizer assim mesmo. O que fiz??? Postei uma mensagem em branco. Proposital? Não. Não sou inteligente a este ponto. Sou, na verdade, burra o suficiente para simplesmente clicar em "salvar e publicar" ao invés de "cancelar". Aí percebemos a tênue linha que separa a genialidade da mais completa estupidez. Fico me perguntando quantas e quantas pessoas involuntariamente transformam um erro estúpido em acontecimentos de aparente inspiração. Eu adoraria dizer que a idéia foi minha, registra-la e ganhar R$1,00 a cada vez que alguém fizesse a mesma coisa. Mas... Foi só cagada mesmo. Melhor dizendo, "Cachaça", nas palavras de minha querida amiga Fati Campos...

Escrito por Marcela Godoy às 18h31
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