OS CÃES DO INFERNO


21/07/2004


(continuando)

Nesse meio tempo, conheci o Cariello. Putz... Octávio Cariello... Eu o havia visto algumas vezes e falado com ele outras poucas, mas tinha muito, muito receio de me aproximar dele. O Cariello é um mito, after all!! Quando eu passava por ele, me dava até calor... Ele me dava "oi" e eu pensava "Queen of the Damned...". Ele me dava "tchau" e eu pensava "H.P. Lovecraft...."... Octávio Cariello... Que pessoa maravilhosa. Que mestre. Que amigo. E QUE PUTA PROFISSIONAL MARAVILHOSODOCACETEPUTAQUEPARIU!!!!!!!!!!!! O puto escreve, desenha, designs, fotografa, canta... E tudo isso maravilhosamente!!! O Cariello tem um lugar muito, muito especial na minha vida porque foi a primeira pessoa a quem eu confiei meu livro para uma leitura crítica. Aliás, eu não divulgo uma linha do meu trabalho sem antes consultá-lo! Tudo o que eu escrevo, passa pelo crivo dele. Minha maneira de escrever quadrinhos é profundamente influenciada por ele. Embora eu tenha aprendido a roteirizar com o Codespoti, foi com o Cariello que eu "ganhei" mão para escrever realmente. E continuo aprendendo, afinal, eu mal comecei (e fico aqui falando como se eu já fosse veterana! Que menina metida do cacete!!!)!!! No Primeiro Relato, as críticas do Cariello foram fundamentais para o resultado final do trabalho. Ele me aconselhou a tirar capítulos, acrescentar outros, e batizou um dos principais personagens da história, Onírus. Uma das cenas que eu mais gosto no livro foi sugerida por ele. Nós gastamos noites inteiras (e eu não estou exagerando!!) discutindo antes que eu chegasse ao formato final. E não só isso! Meu livro foi parar nas mãos da Devir por indicação dele e do Campos!! Eu agradeço a Deus todos os dias por ter colocado o Cariello na minha vida. Nós nos tornamos tão amigos! Em poucos meses eu tinha a sensação de que já o conhecia a vida inteira... Quem o conhece sabe do que estou falando. Uma das coisas que eu mais amei nele, e que até comentei com minha terapeuta a respeito, é que o Cariello é o tipo de pessoa que te pergunta "Tudo bem?" realmente interessado em saber se está tudo bem com você! Ele é capaz de ficar horas e horas te ouvindo e o faz de coração, gratuitamente e sinceramente. Não só isso. Ele ensina! Sim, ensina! E divide! Aliás, divide-se com você! Isso é tão raro! Muito raro! As pessoas hoje em dia exercitam o egoísmo como se estivessem exercitando a caridade. É uma terra de ninguém. Mas... A prova de que Deus gosta realmente de nós está quando Ele coloca pessoas como este querido amigo em nosso caminho!

Aliás, ele agora está escrevendo um livro... Meu... E que livro... E como eu gozo do privilégio de ser amiga dele, estou lendo em primeira mão! hehehehehe. Bem feito pra vocês! Quem conhece o trabalho dele, sabe sobre "Eon" (antigo "Inferno"), um projeto que ele vem fazendo há muitos anos e que (esperamos ansiosamente) saia em breve. Eu tive o prazer de ler o roteiro da série e posso dizer que ao ler o trabalho dele, minha maneira de escrever mudou completamente. O Cariello tem um estilo bastante pessoal. Ele "ensina" o leitor a ler a sua obra. Duas das coisas que mais me chamam atenção no trabalho dele são: a pesquisa e o aproveitamento das páginas. O roteiro dele é, por si só, uma aula de roteiro. A pesquisa dele é irritantemente extensa e minuciosa! Não existe o 'acaso' e o 'aleatório' na narrativa. Cada detalhe fora pensado e brilhantemente colocado. Sobre a arte, bem, aqui realmente não há o que dizer. O próprio Cariello está desenhando... Só posso afirmar, meus amigos, que "Eon" é uma obra única. E ainda tem o livro.....

Ok, eu sei que sou um Zé Ninguém para estar falando mas o estou fazendo simplesmente como alguém que está aprendendo a contar histórias e encontrou um mestre. Mais até, um ídolo. Eu aprendo ao ler o trabalho dele e por isso estou dividindo esses comentários. QUE FIQUE MUITO CLARO, HEIN???

Dá pra sacar porque a Quanta é um marco na minha vida. Me trouxe, como eu sempre digo, meus "Três Cês: Campos, Cariello e Cosdespoti". Hehehehe. Foi lá também que publiquei pela primeira vez! Sim! Meu primeiro editor foi Weberson Santiago, que além de ser outro grande artista e responsável pelas cores maravilhosamente feitas da capa do Primeiro Relato foi quem publicou meu primeiro trabalho em quadrinhos, no Ainda?, um fanzine muito legal, com tiragem de 12.000 exemplares, do qual ele é o editor. A historinha se chamava "Travessia" e foi um trabalho de conclusão de curso do módulo básico do curso de roteiro do Codespoti. Mais Quanta?? Ok, tem mais sim! Thiago Cruz, meu parceiro em Sete Segundos (e outros projetos que ainda estão em fase de criação!). Foi lá também que conheci o Sammy (Sam Hart - "Shem Ha-Mephorash, Uma noite em Staronova", um conto de horror para quadrinhos), Renato Guedes (Guardiões do Mito, o universo dos personagens do Primeiro Relato), Roger Cruz (Os Cães do Inferno e As Indizíveis Aventuras de Choper & Azir - outro projeto literário), Ivan Reis"("Before Time"), além de outros tantos outros artistas maravilhosos e pessoas muito legais que com o tempo acabaram se tornaram amigos muito especiais pelos quais eu tenho profundo carinho e respeito (Artur Fijuta, Davi Kalil, Bruna Brito, Fernando PQ, Jefferson Costa, Andre Bofete, Olavo Costa, Greg Tochini, Vanessa Lima, Joe Prado... A lista é interminável!). E, PELOAMORDEDEUS, A QUANTA É A CASA DO QUEBRA-QUEIXO TECHNORAMA, álbum recentemente premiado como melhor álbum de aventura pelo HQ MIX!!!!!!!!

Escrito por Marcela Godoy às 18h22
[ ] [ envie esta mensagem ]

19/07/2004


 

Bem, essa aí é capa do meu primeiro projeto indepente de quadrinhos, um título chamado 'Momentum', feito em parceria com o grande Thiago Cruz, lançado esse ano no dia 15 de junho na Quanta Academia de Artes, onde estudei roteiro para HQ com Sérgio Codespoti, meu amigão do peito!

Falar da Quanta? Putz... Me emociona. A Quanta é uma das maiores alegrias da minha vida.

Cheguei lá por causa do Marcelo Campos. Quando estávamos começando a nos conhecer, e eu comentei com ele sobre meu sonho de fazer quadrinhos, ele me falou sobre a escola (da qual ele é um dos donos, junto com Octávio Cariello. Eles haviam acabado de mudar para a Rua Minas Gerais e o Marcelo havia me prometido avisar sobre quando o primeiro curso de roteiro da escola estaria finalmente aberto. Foi no segundo semestre de 2002. Me lembro de ter recebido um email da Fati (esposa do Marcelo), falando que as inscrições estariam abertas. Fui até lá, me inscrevi e comecei o curso.

Exceto pelo Marcelo, que eu havia praticamente acabado de conhecer, eu não conhecia ninguém. Aos poucos, fui me aproximando do pessoal. O livro neste sentido (que à época eu estava terminando), ajudou muito. O professor de roteiro do curso é o Sérgio Codespoti (do premiadíssimo Universo HQ). Acho que minha amizade com o Codespoti nasceu por causa da minha teimosia. Eu era uma aluna MUITO, MUITO pentelha. Deixava ele meio puto. No fundo, eu queria impressionar o Sérgio... Queria que ele achasse que eu era boa, que tinha algum jeito pra coisa... Pelo amor de Deus... Sabe, aquela arrogância escrota que muitos iniciantes têm? Aquela postura do tipo "aluno prodígio". Não sabia merda nenhuma e ficava com aquela atitude imbecil de quem sabe tudo... É óbvio que eu caí do cavalo!!! O mais legal é que isso nos aproximou muito. Bem, quem conhece o Sérgio sabe que ele é FODA! Não demorou nadinha pra ele me colocar no meu devido lugar! Se no começo eu queria mostrar serviço, no final eu acabei ficando com tanto medo dele que levei um tempão pra conseguir mostrar qualquer trabalho que não aqueles que ele nos pedia em aula! Aprendi muito com ele. O curso foi fantástico e eu recomendo a todos que têm vontade de aprender a escrever quadrinhos. O Sérgio é uma pessoa maravilhosa e um profissional como poucos. (Além, é claro, de ser hiper divertido, cozinhar para caralho e um amigo muito, muito especial).

continua........

Escrito por Marcela Godoy às 23h10
[ ] [ envie esta mensagem ]

É muito engraçado. Algumas pessoas que realmente foram (ou são) muito importantes em minha vida, entraram em minha vida via "história em quadrinhos". Eu tava falando outro dia do meu orientador na USP. Trocamos as primeiras palavras por causa do Neil Gaiman... Um outro exemplo foi meu chefe Marcello Bessan, com quem trabalhei durante 3 anos na KPMG. Foi em 1996. Um ano difícil pra cassete pra mim no quesito "grana". Eu fiquei desempregada de repente e precisava muito, muito trabalhar. Fiz teste numa porrada de empresas. Algumas não me aprovaram, outras eu não aprovei. Até que fui parar na KPMG. Passei por todas as fases que antecediam a entrevista com meu futuro chefe até que finalmente chegou a hora do "vamos ver". A entrevista seria em inglês, uma das exigências do cargo. Eu havia acabado de chegar dos States e tava bem afiadinha. Tinha ido passar uns dias lá com meu noivo, Christiano Rocha (de quem eu vou falar mais pra frente) por ocasião de uma gravação que ele foi fazer com um puta baixista animal chamado John Patitucci (que eu tive a honra de conhecer!!). Enfim, começamos a entrevista e a coisa tava indo meio tensa. eu não sabia direito o que falar e já estava convecida de que tinha explodido a chance. Então o Marcello fez o comentário, seguido da pergunta de um milhão de dólares... "Você fala inglês muito bem... Onde você aprendeu?". Sabe aquele momento em que voce se pergunta, falo a verdade (que é meio inacreditável), ou conto uma mentira qualquer (que pareceria muito mais verdade do que a verdadeira verdade...). Eu já achava que a coisa toda tinha ido pro cassete mesmo, então decidi contar a verdade, digo, o absurdo da verdade... "Aprendi sozinha. Por causa do Batman."

Ele ficou olhando pra minha cara um minuto e então falou... "Você gosta do Batman?". A cara dele era de quem estava perguntando algo bastante indiscreto e eu tive certeza que já não faria mais diferença tentar mudar a abordagem ali, então joguei tudo pra Deus... "Eu ADORO Batman. Aliás, adoro super-heróis, embora o Batman seja um herói, porque não tem super-poderes. Leio muito. Aprendi inglês por causa de um título que eu adorava e que não tinha saído no Brasil na época em que eu comecei a comprar. Chamava-se "Legends of the Dark Knight". E antes que eu continuasse, ele deu um sorrisão e completou... "Eu sei. Saiu aqui depois, com o nome "Contos do Cavaleiro das Trevas"...

Eu abri um sorriso enorme. Lá estava meu herói predileto salvando minha vida... Quem iria imaginar. Passamos o resto da conversa falando sobre quadrinhos. Ele realmente curtia. O Bessan foi um cara muito importante na minha vida. Até conhecê-lo eu não sabia nada sobre profissionalismo. Ele me ensinou muito. Era um profissional profundamente respeitado nacional e internacionalmente em seu segmento de atuação. Ele faleceu no ano passado, vítima de câncer. A lógica de Deus me assusta profundamente.

Escrito por Marcela Godoy às 22h45
[ ] [ envie esta mensagem ]

18/07/2004


Meu, difícil retomar! Nossa, eu estava realmente entusiasmada no outro dia, hein??? Bem, tentemos repetir a dose!

O assunto era... a pesquisa, né? Pois bem, a pesquisa é realmente uma parte deliciosa. No Primeiro Relato ela aconteceu de maneira bastante experimental. Digo isso porque, como falei antes, eu não havia tido uma 'formação' voltada para contar hsitórias (não pelo menos até os 20 anos, quando entrei na faculdade). Eu simplesmente ia lá e escrevia e achava com isso estar contando histórias. Aliás, deixa eu mudar de assunto porque é o que eu to a fim de falar agora...

Quando eu estava com 20 anos, comecei a faculdade de História. Bem, eu já havia feito um bocado de pesquisa durante todos os anos que antecederam meu ingresso na faculdade, mas sem dúvida alguma a faculdade me ajudou muito. Eu tenho uma coisa engraçada, que para mim na verdade acabou virando meio um problema... Eu queria ser tudo, fazer tudo. Já quis ser de bombeira a piloto de provas. De piloto de caça (imagine!!!!) a engenheira espacial. Mas dentro dessa panela de sonhos, havia pelo menos dois que realmente me sacudiam: a física e a arqueologia. Nesta ordem. Eu sempre fui absolutamente fascinada por física. A arqueologia me atraía porque eu também sou uma amante da história das ciências e das religiões e... bem, sou contemporânea dos Caçadores da Arca Perdida! Isso explica muito! Comcei a estudar história porque eu não passei no vestibular de física. A única chance que eu tive de estudar física foi aos 17 anos, quando havia acabado de me formar. Eu consegui passar na física da USP mas perdi a vaga porque não pude mudar meu curso para o período noturno e na época eu precisava muito trabalhar. Nunca mais consegui passar de novo! Comecei meu curso de história numa Universidade particular em 1993. Estudei por dois anos e então tive que parar, porque a grana acabou. Em 1996, comecei de novo e fui até março de 2000, quando tive que interromper mais uma vez pelo mesmo motivo. Tranquei minha matrícula a 8 meses de me formar... Foi foda. Em janeiro de 2000, comecei a estagiar na USP, no Museu de Arqueologia e Etnologia. Essa história do estágio é legal porque também tem a ver com quadrinhos. Quando eu estava na faculdade, uma noite meu professor de História Geral, Edurado Morettin, chegou com um folhetinho de propaganda de um curso básico de arqueologia que seria ministrado na PUC aos sábados por 4 ou 5 meses, não lembro. Eu me inscrevi neste curso e comecei a fazer. Fiquei apaixonada. Queria largar tudo pra fazer aquilo. Na época eu tinha um bom emprego numa das maiores auditorias do mundo, a KPMG. O curso me fez mandar aquele emprego às favas. Eu estava trabalhando lá havia tres anos e desisti num piscar de olhos! O lance dos quadrinhos tem a ver com o meu orientador, o Professor Doutor Alvaro Allegrette. Eu me lembro que queria encontrar uma forma de ir lá falar com o Álvaro, mas não tinha coragem. Eu tava lendo alguma coisa do Gaiman, acho que era "Belas Maldições". Eu andava com aquele livro pra cima e pra baixo. Enfim, um dia, no curso, durante o intervalo, eu tomei coragem e fui falar com o Álvaro. O mais interessante foi que o que chamou a atenção dele foi o livro do Gaiman! ele me perguntou se eu lia Gaiman, se conhecia Sandman... Putz, o papo durou pacas! Falávamos muito mais de quadrinhos do que de arqueologia! Quando o curso acabou eu comecei a ir visitá-lo na USP. Ficava indo lá, inventando que tinha dentista na KPMG só pra poder ir ao museu. Um belo dia eu perguntei ao Álvaro se ele seria meu orientador. Contei a ele que estava disposta a largar tudo. Ele me apoiou. Isso foi em Outubro de 1999. Como eu não podia deixar meu trabalho sem deixar meu chefe na mão, fiquei mais dois meses até que ele arrumasse alguém para me substiuir. Minha demissão data de 4 de janeiro de 2000. Meu estágio começou na semana seguinte. Nas férias mesmo. Foi incrível.

Escrito por Marcela Godoy às 23h49
[ ] [ envie esta mensagem ]

Perfil