
Esse aí é meu primeiro fillho "O Primeiro Relato da Queda de Um Demônio" (Devir, 2004), lançado em 15 de junho. As ilustrações internas (13 ao todo) foram feitas por meu querido amigo Marcelo Campos. O texto da orelha e da biografia foram escritos por meu querido amigo Octavio Cariello. A colorização da capa foi feita por meu querido amigo Weberson Santiago e o editor é meu querido amigo Leandro Del Manto... Como vocês podem ver, um projeto cheio de queridos amigos!
Falando um pouquinho mais sobre o Primeiro Relato.... Bem, eu fico insistindo em falar do Primeiro Relato, acho que é porque se trata do meu primeiro trabalho. O primeiro de muitos, espero... Bom, depois que o Campos topou ilustrar e o Cariello fez a primeira leitura crítica, o trabalho foi para as mãos de mais uma pessoa importantíssima no projeto, a ilustríssima senhora Campos, Fati Campos. A Fati foi maravilhosa. No Primeiro Relato, por contar uma história que se passa no século XV, a utilização da segunda pessoa (do singular e plural) é uma constante. A idéia era tentar aproximar o leitor da época em que se passa a história por meio da utilização de um recurso mais simples, já que seria muito complicado reconstruir a língua falada na época sem distanciar por demais o leitor da narrativa (talvez até cansá-lo). Em suma, não há "voce" ou "voces" ao longo do livro, mas somente "tu" e "vós". Como a língua portuguesa falada hoje em dia permite a troca do pronome de segunda pessoa (tu) para o de terceira pessoa (voce) este foi o recurso que utilizei para dar um "toque de época" à linguagem dos personagens. Simples e funcional. Há também que se considerar o objetivo da história. Embora tenha havido uma grande preocupação em relação à fidelidade dos fatos no que concerne aos eventos históricos e locações descritas no livro, em momento algum foi pretendido reconstruir o recurso linguístico (coisa que seria bastante delicada em vista até mesmo - admito sem qualquer medo - de minhas próprias limitações. Neste sentido o trabalho da Fati, responsável pela revisão do livro, foi fundamental. As construções em segunda pessoa, embora o recurso em si seja simples, podem ser bastante complicadas! Em muitos momentos no texto original eu "comi bola", utilizando a terceira pessoa ao invés da segunda e alguns trechos inteiros tiveram que ser adaptados. Sem contar as correções 'corriqueiras' de ortografia, concordância e alguns toques especiais que ela deu em certos diálogos/parágrafos. Há um discurso do Azael e um do Lucien que foi integralmente inserido por ela. O processo neste sentido se dava da seguinte maneira: a Fati identificava o problema, apontava o problema para mim já fazendo a sugestão de mudança/inclusão e eu dava o ok. Trocamos muitos emails neste sentido. O processo de revisão durou uns dois meses ao todo. Foi excelente. Aprendi muito com ela!
Quando a revisão acabou, outra coisa muito legal aconteceu. Eu me lembro de ter recebido o arquivo da Fati via email. Eu abri, imprimi e levei para casa. Li tudo numa noite. No dia seguinte, levei a impressão a uma xerox e mandei fazer algumas cópias. Peguei as cópias no mesmo dia e saí distribuindo para um montão de amigos e familiares, pedindo opinião. Eu estava muito, muito, feliz pois, finalmente, o projeto de tantos anos estava concluído. Num sábado à tarde resolvi passar na Quanta (coisa que eu fazia toda hora!!) para levar a cópia do manuscrito final ao Cariello, que ele não tinha. Tanto o Cariello quanto o Campos já haviam falado sobre me dar uma força na indicação do trabalho a uma editora. Em diferentes ocasiões e em diferentes conversas, ambos fizeram comentários acerca do trabalho para um dos editores da Devir, hoje meu amigão, Leandro Luigi Del Manto. Naquele sábado especificamente o Leandro estaria na Quanta, coisa que eu nem imaginava. Quando eu cheguei na escola, o Marcelo de cara me disse que eu estava com sorte, o Leandro (Devir) iria passar por lá naquela tarde para uma reunião com ele e com o Cariello, e me perguntou se eu tinha comigo uma cópia do manuscrito. O Cariello deu um sorriso que eu nunca vou esquecer e disse "É hoje!!". Eu fiquei toda nervosa e ainda falei "Mas assim?? Desse jeito?? Será que não tem problema?". O Cariello riu e disse "Deixa de ser boba! Se você tiver sorte, ele não vai ter nada pra fazer nesse fim de semana e vai pegar seu manuscrito pra ler !".
Naquela tarde, durante a reunião, eles entregaram ao Leandro o manuscrito do livro. Eu fiquei lá a tarde toda enchendo o saco de todo mundo (coisa que eu faço até hoje), e pensando sobre tudo aquilo. Eu também queria falar com o Leandro, me apresentar para ele, sei lá... A verdade é que quando a oportunidade surgiu e o Cariello me apresentou a ele, putz eu fiquei abestalhada e não consegui falar nada. Ele foi hiper simpático, disse que ia ler o trabalho. Me fez uma ou outra pergunta que eu quase não consegui responder, porque gaguejava muito. A verdade é que eu simplesmente fiquei olhando pra ele com uma puta cara de imbecil sem conseguir dizer quase nada. Foi ridículo. O Cariello me olhava com aquela cara de "Vai! Anda, mulher! Vende seu peixe!!" e eu, completamente muda!!! Pouco depois o Leandro foi embora e eu pedi um copo de cicuta ao Cariello.... Ali havia começado um dos períodos mais angustiantes que eu já passei! A espera pelo retorno da Devir...