OS CÃES DO INFERNO


21/08/2004


Deus está comigo. Disso não tenho dúvidas. Meu primeiro dia em BH foi sem dúvida alguma bastante agitado. Arrombaram meu carro, levaram o CD Player e outras coisas que ainda não sei o que são porque não dei falta. A conexão da Injeção eletronica foi perdida e levou horas para o mecânico conseguir arrumar. Quando cheguei, morta de fome, pedi uma lasanha. A porra da lasanha tava quente que nem lava de vulcão. Desceu queimando meu esôfago de tal forma que eu achei que fosse morrer. To puta da vida, já chorei. quero ir embora e o pior é que BH é bonita pra caramba. O lançamento do livro é amanhã e eu não vi nenhuma nota em porra de lugar nenhum. Isso porque paguei (de uma grana que eu não tinha) uma assessoria de imprensa pra divulgar o evento. Evento my big fucking beautiful ass, porque evento é coisa de gente conhecida e eu sou uma porra dum Zé Ninguém. Dane-se. Pelo menos não roubaram o carro e quem sabe até domingo eu consigo ingerir alimentos normalmente outra vez, né??? Não posso reclamar. Tudo poderia ser bem pior. Uma coisa legal foi ter encontrado o Sidney Gusman por aqui. Uma grata e inusitada surpresa. Acho que ele vai passar lá amanhã. Cara, que saco.... As lições que a gente toma, às vezes parecem por demais gratuitas.........

(Fujita. Clil. Cacete - Cacete, cacete, cacete, cacete! Porra!)

Escrito por Marcela Godoy às 00h46
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19/08/2004


Caríssimos,

Estou de saída. Indo a BH para divulgar o Primeiro Relato lá pelas bandas mineiras. Como vou de carro e a Fernão Dias é um pouco aterrorizante, espero estar de volta na segunda-feira... Um beijo a todos e nos vemos logo mais.

PS: Fujita, não me esqueci de você não. Email não conhece fronteiras.

(9: Fujita. Calil.Cacete... Só faltam 11!!!!!!!)

Escrito por Marcela Godoy às 08h37
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17/08/2004


Ele disse assim "amanhã eu passo lá." Nunca passou. Ela ficou esperando horas e horas. Colocou um vestido daqueles que vestem bem mas não gritam a vontade que um tem de se achar bem vestido. Sentou-se à porta para esperar a visita que não viria, e lá ficou. No décimo cigarro percebeu que não fumava, mas até aí que diferença poderia fazer? Ele não foi. E ela queria tanto que ele tivesse ido. Achou que a melhor saída era esquecer. Abriu um buraco na testa e deixou que o sangue escorresse a lembrança do desencontro. Melava o vermelho entre os dedos e vez por outra experimentava um pouco da sua memória. Percebeu que o gosto lhe dava prazer. Começou a gesticular para os passantes, oferecendo um pouco do que ela já nem mais lembrava. Sangrou sozinha, na beira da rua, e acordou sete palmos acima da estratosfera. Chorou. Ele olhava para ela. Estendia aquela mão esvoaçante como quem oferece um lenço. Se ao menos ela soubesse que o encontro marcado teria lugar somente ali... Jamais teria aceito o convite. Mas agora era tarde.

De que vale a escolha quando não se sabe escolher?

<Fujita.Calil.Cacete>

Escrito por Marcela Godoy às 20h55
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Os dias têm sido curtos. As noites, longas. Já não faz mais diferença a ampulheta ou o relógio. As areias nunca são suficientes e as engrenagens parecem estar sempre enferrujadas. Correr atrás do sol já foi uma alternativa do passado. Hoje, toda a fumaça em meus pulmões sequer me permitem subir uma escada com dignidade. As horas não passam por mim e tudo o que passa eu retenho nas vísceras. Os nós encurtam o tempo e o dia se refaz apenas na forma de perguntas para as quais ainda não encontrei resposta. Quisera poder dormir tranquilamente. Só uma noite de sono bastaria. Mas o descer das escadas me assombra e me lembra a todo instante que o caminho de volta, há muito, já não faz sentido.

 

(Fujita.Calil.Cacete. Essa promessa está me cansando....)

Escrito por Marcela Godoy às 20h21
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Eu não sei quanto a vocês, mas para mim essa mania de escrever como se fala não é lá muito inteligente não... Cada dia mais eu noto o quanto as pessoas vem adotando esse vocabulário alternativo, como se o trocar do "não" por um "naum" fosse sinônimo de qualquer outra coisa que não absoluta e completa estupidez. Por certo que não vale apena "criar um blog" ou uma "comunidade no Orkut" para discutir problemas desta natureza, mas... Alguém aí já parou para se perguntar sobre o que a degradação contínua da língua, de uma maneira geral, pode estar relacionada à degradação da humanidade com um todo?? O que houve com a beleza do falar? do escrever? Por que o bom uso destas ferramentas fundamentais parecem agora ter ganho o status de privilégio, como se aqueles que dele abrem mão, jamais houvessem sequer gozado do acesso à boa formação? Um pena. Uma grande pena... Anos e anos investidos na educação, na formação do indivíduo. Tempo, dinheiro, energia... Manhãs e manhãs não dormidas para que se pudesse estar presente à sala de aula precisamente às sete horas e no final... Isso. "Naum".

Sei lá. Acho que estou ficando velha. E chata...

(Fujita.Calil.Cacete.)

Escrito por Marcela Godoy às 20h05
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