OS CÃES DO INFERNO


11/09/2004


Os gritos voltaram. Mais altos. Mais assustadores. Acordar ao sons dos gritos tornou-se um privilégio, pois agora sequer consigo pregar os olhos. Dormir já não é mais uma opção, mas uma benção quando acontece. O som estridente parece cortar as ondas do mesmo ar que eu respiro. Posso agora não somente ouvir os gritos, mas respirá-los. Ensurdecem meus ouvidos e minhas narinas. Poluem meus pulmões como fumaça tóxica. Quisera parar de respirar para não ter mais que ouvir. Quisera poder gritar de volta. Mas ainda grito em silêncio... Ainda grito. Em silêncio.

Escrito por Marcela Godoy às 00h44
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(Sem Título)

 

1

 

- ...Veja, tecnicamente uma fada é uma entidade fantástica a que a imaginação popular atribui poderes sobrenaturais. Normalmente apresenta-se sob o aspecto de uma mulher formosa e encantadora que carrega consigo um artefato, também de origem fantástica, denominado varinha mágica ou varinha de condão. Só isso. – explicou Victor de maneira bastante segura, ajeitando os pequeninos óculos que insistiam em escorregar por seu nariz.

- Hmmm... Não. Não pode ser. Não foi isso que minha mãe me disse. – respondeu Lucka bastante desapontado com a exposição tão eloqüente do amigo.

- Talvez sua mãe não saiba o que uma fada é.

- Talvez você não saiba.

- Eu sei o que me dizem os livros. E é isso que os livros dizem sobre o que as fadas são.

- E se você olhou no livro errado? E se o livro que você leu trouxe uma explicação errada sobre o que são as fadas só porque o próprio livro deseja que a gente não saiba realmente o que elas são?

- E por que o livro faria isso?

- Ora, talvez porque ele precise. Talvez porque seja importante para o livro nos fazer acreditar que as fadas sejam criaturas fantásticas. Talvez eles estejam tentando preservar as fadas! Se os livros nos convencerem de que as fadas não são mais do que fruto da imaginação, as fadas estarão seguras em seu mundo, porque vamos achar sempre que esse mundo não existe!

Victor pensou por um instante.

- Você já viu uma fada? – perguntou.

- Não.

- Sua mãe já viu uma fada?

- Não.

- Você conhece alguém que tenha visto uma fada?

- Não... – disse Lucka com ar de vencido.

Victor ergueu a sobrancelha e acenou levemente com a cabeça erguendo as pequeninas mãos.

(continua.................)

Escrito por Marcela Godoy às 00h33
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Talvez fosse interessante iniciar apresentando a distinção entre as três palavras fundamentais, objeto desta discussão: fato, ficção e História.

Fato: coisa ou ação feita; acontecimento; o que é real.

Ficção: Ato ou efeito de fingir; simulação; coisa imaginária; criação da imaginação.

História: Narração metódica dos fatos notáveis ocorridos na vida da Humanidade; o conjunto das obras relativas à História. Descrição dos seres; estudo das origens e progressos de uma arte ou ciência; conto; narração; narrativa.

 

A História como ciência não é de maneira alguma absoluta.

O historiador, como cientista social, busca por meio da pesquisa (pesquisa essa norteada por métodos específicos) trazer à luz os fatos (acontecimentos) ocorridos num passado remoto ou imediato, num dado lugar a um dado tempo. Nas palavras de um dos maiores historiadores de nosso tempo, Eric Hobsbawm, “o ponto do qual os historiadores devem partir, por mais longe que dele possam chegar, é a distinção fundamental (...) entre fato comprovável e ficção, entre declarações históricas baseadas em evidências e sujeitas a evidenciação e aquelas que não o são. (...) Sem a distinção entre o que é e não é assim, não pode haver História”.

Embora o papel do Historiador seja notadamente relatar o fato, este, contudo, jamais consegue abster suas próprias impressões sobre o fato que está relatando. A História é uma ciência humana e, como tal, distingue-se das ciências exatas pela impossibilidade do exercício da imparcialidade. O historiador não é de maneira alguma um ser desapaixonado. Isto não significa, contudo, que a História seja construída de maneira arbitrária, à revelia daquele que a está relatando. O envolvimento do historiador com seu trabalho refletirá, neste, sua carga cultural, suas convicções histórico-metodológicas e, de alguma maneira, a própria realidade histórica de seu tempo, na medida em que esta, ao pré-existir e subsistir ao indivíduo, irá exercer sobre este tênue ou profunda influência.

Além do levantamento de dados e evidências documentais (a fonte da construção do conhecimento histórico) que corroborem as proposições do historiador, há que se considerar ainda as relações estabelecidas entre estas, o meio, e demais acontecimentos não necessariamente objeto direto da pesquisa que se está empreendendo. Um fato histórico não pode ser olhado isoladamente, não pode ser descontextualizado. Seria como retirar de um sítio arqueológico um vestígio encontrado antes de relacioná-lo com os demais encontrados no mesmo nível. Assim, as relações estabelecidas pelo historiador na construção do conhecimento histórico é que serão o alicerce fundamental a partir do qual o próprio conhecimento, agora como um fim, encontrará origem. Este é, essencialmente o empenho e o trabalho do historiador.

 

Mas e quanto ao contador de histórias? É possível ao ‘contador de história’ exercer o papel de historiador? A História, como construção do conhecimento/momento, factual, pode ser elaborada a partir da interpretação do conhecimento/momento, ficcional?

 

(continua.........)

Escrito por Marcela Godoy às 00h13
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É bastante improvável que Dante, ao concluir sua obra máxima – a Comédia – fizesse qualquer idéia acerca da repercussão atemporal que seu trabalho viria exercer sobre a construção do conhecimento que hoje se tem sobre a Idade Média. Aludido como “o homem-síntese da Idade Média”, Dante não buscava, ao escrever sua obra, a notoriedade a ele hoje atribuída como maior representante do homem de seu tempo. Ao contrário, o que Dante buscara com a Comédia foi introduzir aos seus contemporâneos, numa esfera absolutamente metafísica, a busca inquietante do homem por sua natureza última, a natureza divina, a natureza livre dos pecados e da mácula das tentações. Dante queria moralizar o mundo. Sua viagem aos confins do Inferno e às últimas fronteiras da beatificação, teve por objetivo narrar ao homem de seu tempo o quão próximo/distante este poderia estar de Deus e de Sua glória, na medida em que as ações e obras realizadas ao longo de uma vida, seriam o determinante do destino dele próprio (o homem) dentro das esferas, meticulosamente por Dante descritas, do Céu e do Inferno. Sua narrativa, profundamente apaixonada, revela-nos um homem vulnerável, temeroso diante dos flagelos divinos e profundamente preocupado com a moralização de um sistema em decadência. Dante pregara com a Comédia o prelúdio à Reforma, a moralização da Igreja e do Homem. Mais do que isso, Dante fulgura como o expoente da cultura medieval, que é em si mesma a conexão entre a cultura clássica e a cultura cristã. Do ponto de vista filosófico, Dante nos ensina, em sua obra, sobre todas as correntes de pensamento, morais e religiosas, que o haviam precedido e que ainda eram vivas em seu tempo.

A história contada por Dante, revelou-se História, na medida em que retratava, fielmente, embora sem a pretensão ou característica de relato histórico, toda uma estrutura social, econômica e cultural de um dado momento histórico. Ao expor-se a si mesmo na figura daquele viajante, Dante expõe, ainda que despretensiosamente, o homem medieval. O Dante contador de histórias de seu tempo revelou-se o Dante historiador de nosso tempo. E este é só o primeiro entre outros exemplos que viremos citar neste trabalho acerca da contribuição dos “contadores de História” para a construção da História como ciência e fonte de conhecimento.

 

Avancemos agora no futuro, para os tempos contemporâneos, arrebatados pelos princípios antagônicos do Capitalismo e do Comunismo. Voltemos nossos olhos para aquele, cuja obra revelou claramente o papel do Estado no aniquilamento das liberdades individuais e da cidadania. Considerado o mais influente escritor político do século XX, George Orwell, apresenta ao mundo em “1984” uma sociedade totalitária na qual o governo, referido como “o Partido”, tem quase que total e absoluto controle sobre a população. O líder supremo do Partido era o “Grande Irmão”. Por toda parte viam-se os anúncios de que “O Grande Irmão está observando você”, uma alusão à onisciência divina apropriada pelo homem para a manutenção do poder. Sua influência foi tamanha que o termo “Orwelliano” passou a ser utilizado para caracterizar tudo aquilo que tem aspecto totalitário e falsificador na História. Escreveu ele “quem controla o passado, controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado”; “Guerra é paz; liberdade é escravidão, ignorância é força”. Ao seu lado, que não poderia deixar de ser citado, figura a obra de Aldous Huxley, contemporâneo de Orwell, que em “Admirável Mundo Novo” nos apresenta uma das principais obras antiutópicas do século XX, em que um futuro sombrio aguarda a humanidade num mundo terrível, objeto dos sonhos pérfidos dos tecnocratas, aspirantes a ditadores e políticos em geral. A felicidade laboratorial. Enquanto Orwell antevia a tecnologia espiã, Huxley antevia os avanços da engenharia genética e sua manipulação pelas forças governantes para o ‘progresso e felicidade’ humanos.

 

(Chega. Cansei de escrever......... Depois eu continuo!!!!!!!!!!!!!!!!hehehehehehhehe)

Escrito por Marcela Godoy às 00h12
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10/09/2004


Você já ouviu gritos na noite? Eu acabo de ouvir gritos na noite.... Num primeiro momento achei que estava sonhando. Então abri os olhos, vi que estava acordada, mas os gritos continuavam ali..... Eram gritos desesperados... Havia terror naquela voz que gritava e gritava aflitivamente... Não dizia nada. Não pedia socorro. Não chamava por ninguém. Nenhum nome. Nenhum som reconhecível exceto pelo som do próprio grito... Um grito apavorado. Um grito molhado... Longo... Escorregadio... Eu pensei sobre os jornais de amanhã... Talvez alguma nota acerca de um possível crime. Talvez alguma linha na sessão de óbitos. O grito não cessava. Não cessava... Até que cessou. E eu me peguei perguntando sobre porquê teria cessado. Fora o fôlego que acabou? Talvez o medo? Talvez a vida?... E olhei pela janela, mas o grito não estava lá. Talvez nunca houvesse estado. E se eu gritasse para o grito, esperando que ele gritasse de volta? E se, ao gritar de volta, o grito, eu calasse?

Não consegui mais dormir pensando naqueles gritos na noite.

E me peguei gritando em silêncio....

Alguém aí??? Consegue me ouvir????

Escrito por Marcela Godoy às 02h48
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08/09/2004


Cristiane Marcela

 

Alguém soprou em minhas narinas, escreveu meu nome em um papel e eu existi.

Primeiro tão somente uma forma sem conteúdo; um vaso de carne e sangue sem propósito algum que não entreter aqueles a quem, dizem, devo minha origem.

Depois me tornei um pouco do Filho do Homem, Cristiane, e nele busquei sentido, qualquer razão não para ser, mas para estar. Estar aqui.

Compreendi, contudo, minha imagem, e nela reconheci a forma sem conteúdo, hoje, mero conteúdo cuja forma me desagrada. Tornei-me martelo, Marcela, talvez aquele empunhado pelo romano. Malleus, quiçá Malleficarum. Crucifiquei a forma e tornei-me Marcus e Marte. Tornei-me guerra. Um nada que deseja ser lembrado por aqueles que o maldizem, porquanto aqueles que o amam, por vezes, dele se esquecem.

Diante de teu pedido que, cruel, prostrou-me diante de um espelho quebrado, sopro de volta o ar que me trouxa a vida ao cuspir a fumaça de um cigarro. Rasgo o papel onde o nome da forma fora um dia escrito e, num outro, nada escrevo.

Ao me perguntar meu nome, perguntas, em verdade quem sou.

Mas, em verdade te digo: ninguém é, apenas está.

No fim, o nome, a forma e o conteúdo não passam de mera poeira.

 

São Paulo, 23 de janeiro de 2004. (num exercício proposto durante uma oficina de roteiro ministrada por Lourenço Mutarelli, em que ele solicitou aos alunos que escrevessem sobre o próprio nome).

Escrito por Marcela Godoy às 11h35
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06/09/2004


Vamos fechar a janela

Esquecer que o tempo espia

Que o dia converte em noite

Que a noite converte em dia...........

Escrito por Marcela Godoy às 20h22
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Proscriptus é uma série de pequenas histórias de vampiros. São histórias de 12 quadros. Uma idéia que ainda não saiu do papel, mas quem sabe?... Esta aqui é a segunda dessas pequenas histórias. Na verdade, o título original do universo é "Uninvited", porque eu escrevi todas as histórias em inglês. A versão em português é essa aí... Os trocadilhos são mais difíceis na nossa língua então muita coisa teve que ser mudada a partir da idéia original. Enfim.........

 

Proscriptus II

 

Página 1

 

Quadro 1

Noite. Rua escura, mal iluminada. A rua deve lembrar aquelas ruas estreitas de Ouro Preto, com pequenos sobrados de cada lado e aquele poste de luz antigão, que parece um lampião. Um homem passa correndo, pisando sobre uma poça d’água. O leitor tem que ter a impressão de que o fugitivo está “saindo” do quadro.

Ele está afoito, mas parece sorrir, um sorriso cínico e doentio.

Rec:     ...Corre, filho da puta, vem me pegar!

 

Quadro 2

Mesmo cenário, só que neste quadro o fugitivo não está presente. Em seu lugar, vê-se seu perseguidor, um policial, de terno, com o distintivo pendurado no pescoço.

Rec:     Que eu vou te provar porque você não serve pra essa vida.

 

Quadro 3

Fugitivo entrando num prédio (É um prédio antigo, de quatro andares). Deve ser possível notar o policial correndo em sua direção, embora com alguma desvantagem.

Rec:     Aliás, pra vida nenhuma.

 

Quadro 4

Cena vista de cima. Fugitivo já no quarto lance de escada, entrando no corredor, enquanto o policial está ao “pé” da escada, olhando para cima, subindo atrás do fugitivo.

Rec:     Seu tempo acabou, desgraçado, mas você insiste em não morrer.

 

Quadro 5

Fugitivo entrando num dos apartamentos, deixando a porta aberta atrás de si. Policial chegando ao topo da escada.

Rec:     Agora eu vou ter que matar...

 

Quadro 6

Policial à porta aberta do apartamento. Seus olhos estão arregalados como que se ele não acreditasse no que vê.

Rec:     ...pra te fazer entender tua própria morte!

(continua abaixo...........)

Escrito por Marcela Godoy às 19h48
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Página 2

 

Quadro 1

Câmera posicionada atrás do policial. Deve ser possível ver parte do policial (de costas para o leitor) e o interior do apartamento. Nesta cena, vê-se o fugitivo colocado ao lado de uma mulher que está sentada numa cadeira de madeira, amarrada e amordaçada, com cara de apavorada, chorando. Ao seu lado, vê-se o fugitivo sorrindo sadicamente para o policial que está à porta. O fugitivo está segurando uma faca, encostando a lâmina no rosto da mulher.

Rec:     ... Não, filho da puta, você não foi convidado!!

 

Quadro 2

Ângulo reverso. Policial (agora de frente para o leitor) à porta, olhos arregalados, estendendo a mão com a palma ligeiramente para cima, como quando gesticulamos pedindo algo. A intenção é que pareça que com o gesto ele está dizendo “Não !!” ao fugitivo.

Rec:     E esse herói que você inventou não esconde tua monstruosidade.

SFX:     Mmmmm!!!!......

 

Quadro 3

Câmera posicionada atrás do policial. Vê-se aqui o mesmo cenário, só que o fugitivo está cortando a garganta da mulher e o policial está ajoelhando (desesperado, desacreditando no que vê).

Rec:     O sangue que você protege...

 

Quadro 4

Continuação da cena anterior. Policial de joelhos (de costas para o leitor), cabisbaixo. Mulher de pescoço cortado, caído para o lado. Fugitivo segurando a faca ensangüentada, com cara de quem gozou.

Rec:     É o mesmo que te alimenta.

 

Quadro 5

Ângulo reverso. Câmera posicionada atrás do fugitivo. Vê-se as costas do fugitivo, a mulher morta e o policial ajoelhado à porta (de frente para o leitor), com o rosto entre as mãos, derrotado, fodido.

Rec:     E eu te trouxe até aqui pra te fazer lembrar disso...

 

Quadro 6

Mesma ângulo, em close. Policial ajoelhado à porta. Cenho franzido, ódio, derrota e lágrimas nos olhos. Seu rosto está transfigurado. Ele é um vampiro (e isto tem que se fazer notar pois é o ponto da história!). Seus punhos devem estar cerrados e a cara dele deve ser de quem está puto mas sabe que foi derrotado.

Fugitivo:           Pode entrar agora, detetive...

Rec:     Agora vem, filho da puta, vem me pegar!...

 

FIM.

 

Escrito por Marcela Godoy às 19h47
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Devaneios

 

1 pg – 9 quadros

Imagine que esta história tem lugar na torre de um antigo castelo e o personagem é prisioneiro desta torre.

Q1

Vemos o que parece ser uma porta de ferro, fechada.

Rec.:     Num lugar distante, o viço, mudo, pensava consigo sobre a falta que lhe faziam as palavras.

Q2          

Vemos uma mão direita empurrando esta porta, abrindo-a “delicadamente”, de maneira que ainda não vemos o que há atrás da porta.

Rec.:    Não as conhecia e, não conhecendo, sequer entendia a razão pela qual pensava.

Q3

Vemos o personagem de costas, um homem, cabelos longos e negros, manto branco, caminhando em direção a uma janela. Esta janela deve ser em arco e devemos poder notar o brilho da lua entrando pela janela, diagonalmente. Não devemos ver a lua neste quadro, mas devemos notar sua presença por seu brilho.

Rec.:    Queria muito compreender, o viço, a razão de sua essência.

Q4

Vemos a luz da lua sobre o rosto da personagem (3/4 do rosto). Os olhos do velho estão encantados.

Rec.:    Buscou, então, na Lua, respostas.

Q5

Vemos a noite, através da janela, com a lua esplendorosa. A cena deve ser vista a partir dos olhos do personagem.

Rec.:    E somente ao olhá-la, vigorosa, compreendeu a razão pela qual não precisava falar.

Q6

Câmera no chão de frente para o persongem, que olha para ela de cima. Não vemos todo o seu rosto.

Rec.:    Calou-se em pensamento, o viço, para sempre.

Q7

Câmera posicionada atrás do personagem. Vemos o personagem de costas, à janela, cabisbaixo. A câmera está colocada de tal maneira que a cena seja vista diagonalmente, ou seja, vemos o personagem um pouco de perfil e podemos ver a Lua através da janela.

Rec.:    E seu silêncio eterno deu-lhe nome.

Q8

Personagem deixando a cena. Já quase que totalmente fora do quadro.

Rec.:    O viço não há que falar, mas ser dito.

Q9

O personagem já não aparece no quadro.

Uma bela tomada da janela, valorizando ao máximo a lua e seu brilho.

Rec.:    Você já olhou para a Lua hoje?...

Escrito por Marcela Godoy às 19h39
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