Por mim, foda-se. Tudo.
O tempo é o maior de todos os sádicos. Ele fere ao curar. Ele cura ao ferir. O tempo salva e condena. Tudo ao mesmo tempo. Tudo a seu tempo. Por todo o tempo em que o tempo existir. O tempo não avança, ele simplesmente passa. E quando passamos por ele, avançamos por vezes num tempo que não existe. Jogamos no tempo os nossos sonhos e pedimos ao tempo, mais tempo, para que os frutos não sejam colhidos fora do tempo... E quando passam do tempo, choramos o tempo que não vimos passar, porque perdemos o tempo da colheita e o tempo não volta. O tempo simplesmente passa. O tempo simplesmente avança apressado, sem tempo para si mesmo... O tempo não olha para o nosso tempo, mas nós olhamos para o tempo que o tempo leva para olhar pra nós. E lamentamos pelo tempo que o tempo levou para nos encontrar. E percebemos o quanto o tempo se atrasou... E levou consigo o encontro. O tempo é o destino passando por cima de nós. Esmagando-nos com encontros e desencontros fora do tempo. Em tempo. Ah... Sádico. Tempo sádico, quanto tempo ainda vai levar pra teu te perdoar? Por quanto tempo mais eu vou sofrer com as tuas brincadeiras? Porque ainda que eu pudesse voltar atrás, sei que não faria nada diferente... Ainda que o tempo me concedesse a chance de mudar o tempo... Eu não mudaria nada. Eu poderia até dizer que nunca perdoarei o tempo pelo tempo que passei em vão. Mas não posso. Nunca é tempo demais. É um tempo maior do que aquele que ainda me resta. E sendo, o tempo, sádico como é... Não posso arriscar perdê-lo... Nunca.