Bom... Eu tava a fim de escrever mas parece que a caneta não quer falar comigo hoje. Para alguns, quando isso acontece o melhor a fazer é "fechar a lojinha" e abrir uma cerveja. Para outros, insistir bastante, como se o processo criativo fosse algo muito parecido com a educação intestinal. Você se senta e espera a coisa sair... O processo pode não ser exatamente o mesmo, mas eventualmente o resultado do processo pode vir a ser indiscutivelmente idêntico...
Pessoalmente, acho o método em questão bastante eficiente. A caneta pode não querer falar comigo. Mas sou daquelas pessoas muito chatas... Fico insistindo, chamando por ela até que ela me responda. E se me responder deseducadamente, sorrio para ela... Às vezes funciona. Às vezes nem o sorriso dá jeito e invariavelmente eu acabo mandando minha caneta tomar no cu. Expressões como esta são desaconselháveis numa página respeitosa e poética como essa aqui, contudo, caríssimos, trata-se meramente da reprodução de uma interjeição. Neste caso, o discurso é livre...
Um dado interessante acerca do processo criativo relaciona-se ao estado de espírito do criador... Acho interessante meditarmos escatologicamente sobre isso. Quando estamos nos sentindo na merda, exteriorizamos poesia. Quando estamos por demais alegres, exteriorizamos muita merda... Isso nos leva a pensar se tudo o que há de melhor em nossa tristeza, ou em nossa alegria, no final advém da merda, porque afinal (e no final!), a merda, em tudo, está presente...
Se seguirmos adiante nesta linha de raciocínio, vamos nos deparar com um grande paradoxo universal... A criação do universo... Se admitirmos que Deus criou o universo, devemos levar em conta duas possibilidades: 1. Deus criou o universo porque estava muito feliz. Neste caso, seguinto a lógica acima apresentada, Deus o fez num momento de exultação (felicidade) e quando estamos felizes exteriorizamos muita merda... Logo... O Universo é uma merda porque Deus estava feliz quando o fez... 2. Digamos que Deus tenha feito o universo porque sentiu-se sozinho e triste. O fez para livrar-se de sua negra e condensada nostalgia... Logo, Deus, estando na merda, criou algo belíssimo (este universo, que convenhamos, pode realmente ser uma merda, mas é indiscutivelmente uma beleza!). Tudo isso me leva a crer que a merda é uma fonte inesgotável de inspiração! E se você for pensar com cuidado, vai se dar conta de que quando você está ali, sozinho, em comunhão consigo mesmo e seu sistema digestivo realizando aquela muitas vezes árdua tarefa de se livrar da própria merda, é ali, naqueles momentos que você realmente consegue meditar, pensar em paz, criar! Ter idéias! Por que Deus não teria cagado o universo se quando cagamos experimentamos genuínos momentos de criatividade??? A criatividade é divina! Como a Criação! E esta conversa está começando a me dar cólicas! Isso é bom, porque significa que logo mais novos universos irão compor esta gama infinita de multiversos que compartilhamos!
Vejam o que acontece ao autor que não tem assunto. Ah! Caneta desgraçada... Não quer falar comigo e me obrigada a falar merda e ao fazer isso estou criando, talvez mais do que se estivesse a conversar com a caneta... A natureza é sábia. O que podemos concluir disso tudo? Que não existe tal coisa como "crise criativa". Um autor nunca deixa de escrever, nem mesmo quando está escrevendo merda! Pensando merda! Se sentindo uma merda (ah! aí ele vira poeta!).
Putz... quanta merda.


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