OS CÃES DO INFERNO


09/11/2004


Bom... Eu tava a fim de escrever mas parece que a caneta não quer falar comigo hoje. Para alguns, quando isso acontece o melhor a fazer é "fechar a lojinha" e abrir uma cerveja. Para outros, insistir bastante, como se o processo criativo fosse algo muito parecido com a educação intestinal. Você se senta e espera a coisa sair... O processo pode não ser exatamente o mesmo, mas eventualmente o resultado do processo pode vir a ser indiscutivelmente idêntico...

Pessoalmente, acho o método em questão bastante eficiente. A caneta pode não querer falar comigo. Mas sou daquelas pessoas muito chatas... Fico insistindo, chamando por ela até que ela me responda. E se me responder deseducadamente, sorrio para ela... Às vezes funciona. Às vezes nem o sorriso dá jeito e invariavelmente eu acabo mandando minha caneta tomar no cu. Expressões como esta são desaconselháveis numa página respeitosa e poética como essa aqui, contudo, caríssimos, trata-se meramente da reprodução de uma interjeição. Neste caso, o discurso é livre...

Um dado interessante acerca do processo criativo relaciona-se ao estado de espírito do criador... Acho interessante meditarmos escatologicamente sobre isso. Quando estamos nos sentindo na merda, exteriorizamos poesia. Quando estamos por demais alegres, exteriorizamos muita merda... Isso nos leva a pensar se tudo o que há de melhor em nossa tristeza, ou em nossa alegria, no final advém da merda, porque afinal (e no final!), a merda, em tudo, está presente...

Se seguirmos adiante nesta linha de raciocínio, vamos nos deparar com um grande paradoxo universal... A criação do universo... Se admitirmos que Deus criou o universo, devemos levar em conta duas possibilidades: 1. Deus criou o universo porque estava muito feliz. Neste caso, seguinto a lógica acima apresentada, Deus o fez num momento de exultação (felicidade) e quando estamos felizes exteriorizamos muita merda... Logo... O Universo é uma merda porque Deus estava feliz quando o fez... 2. Digamos que Deus tenha feito o universo porque sentiu-se sozinho e triste. O fez para livrar-se de sua negra e condensada nostalgia... Logo, Deus, estando na merda, criou algo belíssimo (este universo, que convenhamos, pode realmente ser uma merda, mas é indiscutivelmente uma beleza!). Tudo isso me leva a crer que a merda é uma fonte inesgotável de inspiração! E se você for pensar com cuidado, vai se dar conta de que quando você está ali, sozinho, em comunhão consigo mesmo e seu sistema digestivo realizando aquela muitas vezes árdua tarefa de se livrar da própria merda, é ali, naqueles momentos que você realmente consegue meditar, pensar em paz, criar! Ter idéias! Por que Deus não teria cagado o universo se quando cagamos experimentamos genuínos momentos de criatividade??? A criatividade é divina! Como a Criação! E esta conversa está começando a me dar cólicas! Isso é bom, porque significa que logo mais novos universos irão compor esta gama infinita de multiversos que compartilhamos!

Vejam o que acontece ao autor que não tem assunto. Ah! Caneta desgraçada... Não quer falar comigo e me obrigada a falar merda e ao fazer isso estou criando, talvez mais do que se estivesse a conversar com a caneta... A natureza é sábia. O que podemos concluir disso tudo? Que não existe tal coisa como "crise criativa". Um autor nunca deixa de escrever, nem mesmo quando está escrevendo merda! Pensando merda! Se sentindo uma merda (ah! aí ele vira poeta!).

Putz... quanta merda.

Escrito por Marcela Godoy às 18h43
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Hora de falar de novo......... Falar que nunca fico triste e que sempre estou sorrindo. Falar que mesmo que alguma coisa queira me tirar o chão de sob os pés, eu sei flutuar!!!!!!! Falar que amo com meu coração e não com minha cabeça, por isso não tenho medo da queda.....

Escrito por Marcela Godoy às 07h00
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Preciso deixar meus devaneios de lado e fazer um comentário acerca da incrível experiência deste fim de semana.

Na noite de sábado, dia 6 de novembro, participei de um evento intitulado "Theatro dos Vampiros", que aconteceu no Fofinho Rock Clube, à Avenida Celso Garcia, 2728. Estive por lá a convite dos organizadores para divulgar "O Primeiro Relato da Queda de Um Demônio". Foi uma experiência maravilhosa. Fui recebida com muito carinho (André, você é defenitivamente um gentleman!!) e conversei com gente que leu o livro, gente que nunca havia ouvido falar, gente que só tava a fim de bater papo. Lembrei-me da época em que frequentei a Treibhauss, o Espaço Retrô e o Madame Satã, lá pelos idos de 1990.... Eu preciso confessar que não conhecia o Theatro, tampouco as pessoas envolvidas com sua organização, mas que grata supresa foi ter recebido o convite!

Quero agradecer de coração ao André e à Flávia, organizadores do evento, pela oportunidade que me deram de poder mostrar meu trabalho ao público do Theatro e fazer uma menção especial ao Luiz - Arkanjo Negro, que me surpreendeu ao dizer "Vim aqui saber quando sai a continuação!" (referindo-se à continuação do Primeiro Relato). Arkanjo, de coração, muito obrigada por seus comentários na Página Gótica. Foi realmente uma surpresa maravilhosa conhecê-lo e, mais ainda, bater aquele longo papo sobre quadrinhos! O Leandro Del Manto tá sempre passeando aqui pelo Cães, então já vou deixar o recado a ele.... "Leandro!!! O Arkanjo é seu fã e quer te conhecer!!!!!!! Vamos marcar????". Te mando as fotos assim que ficarem prontas!

Aliás, fotos.......... Como posso não agradecer ao meu querido Refael Bueno??? Fotógrafo talentosíssimo que me acompanha sempre (que pode... Porque eu sempre deixo pra ligar pra ele horas antes do evento!heheh).

Para quem quiser saber mais sobre esse evento, visite a Página Gótica no endereço: www.paginagotica.com

Eu já me cadastrei pra ficar por dentro do Theatro e dos Foruns que rolam. Beijos a todos esses novos amigos!

Escrito por Marcela Godoy às 06h44
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08/11/2004


Eu detesto me sentir assim. Sozinha. Simplesmente detesto. A sensação de solidão está para o espírito assim como a falta do que fazer está para a razão. Ambas são a casa do Diabo... Fica aquela dor martelando incessantemente como se não existisse mais nada para prestarmos atenção em todo mundo. A impressão de que estamos entrando em entropia, tudo apontando pro centro, pro mesmo lugar... Um lugar que vai ficando cada vez mais denso, cada vez mais escuro... E que pulsa. Como nenhum outro.

Eu detesto quando meu apartamento fica grande demais! Detesto andar pela casa como estivesse andando por um labirinto... Detesto ficar debruçada na janela pensando e ao me dar contar de estar pensando não me lembrar do que estava em minha cabeça... Detesto olhar pro nada à toa. Contemplar o nada como se tudo estivesse ali! Detesto os espaços vazios! Detesto ouvir nas canções o que não consigo dizer pra mim mesma... Detesto estar errada sobre algumas coisas. Detesto estar certa sobre outras.

Ah....... Que sensação horrível. Eu preciso ocupar minha cabeça! Preciso ocupar minha cabeça!

Escrito por Marcela Godoy às 11h07
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