"O tempo é o maior de todos os sádicos. Ele fere ao curar. Ele cura ao ferir. O tempo salva e condena. Tudo ao mesmo tempo. Tudo a seu tempo. Por todo o tempo em que o tempo existir. O tempo não avança, ele simplesmente passa. E quando passamos por ele, avançamos por vezes num tempo que não existe. Jogamos no tempo os nossos sonhos e pedimos ao tempo, mais tempo, para que os frutos não sejam colhidos fora do tempo... E quando passam do tempo, choramos o tempo que não vimos passar, porque perdemos o tempo da colheita e o tempo não volta. O tempo simplesmente passa. O tempo simplesmente avança apressado, sem tempo para si mesmo... O tempo não olha para o nosso tempo, mas nós olhamos para o tempo que o tempo leva para olhar pra nós. E lamentamos pelo tempo que o tempo levou para nos encontrar. E percebemos o quanto o tempo se atrasou... E levou consigo o encontro. O tempo é o destino passando por cima de nós. Esmagando-nos com encontros e desencontros fora do tempo. Em tempo. Ah... Sádico. Tempo sádico, quanto tempo ainda vai levar pra teu te compreender? Por quanto tempo mais eu vou sofrer com as tuas brincadeiras? Porque ainda que eu pudesse voltar atrás, sei que não faria nada diferente... Ainda que o tempo me concedesse a chance de mudar o tempo... Eu não mudaria nada. E ousaria jamais questionar o tempo pelo tempo que passei em vão. Mas não posso. Nunca é tempo demais. É um tempo maior do que aquele que ainda me resta. E sendo, o tempo, sádico como é... Não posso arriscar perdê-lo... Nunca."
Então... Eu postei este texto que escrevi em 27/10/2004. Achei que devia postá-lo de novo porque tem tudo a ver com o que está se passando comigo agora. Eu tenho uma relação estranhíssima com o tempo. Sempre com a sensação constante de que ele está contra mim, me pressionando e me espremendo. Acho que isso tem muito a ver com o medo que eu tenho da morte. Muito louco isso, porque eu sou pessoa constantemente assombrada pela sensação de que vai morrer logo. E eu tenho pavor disso e por causa disso vivo um grande paradoxo, porque eu tento viver a minha vida da maneira mais intensa possível e acabo fazendo isso com tanta vontade que às vezes me pergunto se não vou acabar esgotando essa punção de vida antes do tempo que me cabe aqui... A minha mania com a morte também me leva a escrever muito sobre ela. No "Primeiro Relato da Queda de um Demônio" a morte é uma personagem maravilhosa. Apaixonante. Neste segundo livro "O Mensageiro de Ararat", (sim, pessoal este é o nome da continuação do Primeiro Relato!) não é diferente. A Morte participa mais ativamente da história e às vezes eu acabo me surpreendendo com ela (não é groselha quando dizem que a partir de um determinado ponto, a história passa a acontecer sozinha e o autor adquire a figura de mero narrador... Não sei se me fiz entender...). O tema principal de toda a saga dos Guardiões do Mito é no fundo relacionado ao fato de todos serem eternos. Como é não morrer? Viver para sempre? Passar pelo tempo e não ver o tempo se cumprir! Ao mesmo tempo (trocadilho não intencional...) Como é ser privado deste tempo? Tê-lo cumprido antes do que se deseja. Acordar de um momento para o outro e simplesmente não ser, simplesmente não estar... Eu me pergunto isso todos os dias. E não temo apenas pela minha morte, temo ainda mais pela morte das pessoas que amo. Essa me assusta profundamente. O pior de tudo, aí, é ficar pra trás...
Ah, mas que papo pesado esse, hein Marcelinha? A solidão faz isso com as pessoas. A gente acaba se ocupando dos próprios demônios quando não tem ao lado um anjo pra dividir os pequenos pecados e bençãos. E a noite taí, me espreitando... Me dizendo "cheguei e agora você vai ficar acesa até eu ir embora..." Acho que eu to ficando uma pessoa atormentada. Bah! groselha!Eu sou o ser humano mais normal que eu conheço! É que eu falo mesmo o que eu sinto e a maioria prefere "deixar pra lá"...
To aqui pensando no que vou assistir agora. Tava pensando em ver uma coisa bem light, daquelas pra se divertir mesmo, tipo... X-Men II (a sequência inicial do Noturno vale o filme inteiro!). Na verdade eu tava mesmo a fim de ver um grande clássico, um ícone da história da Sétima Arte intitulado "O Grande Dragão Branco"!! Me lembrei desse filme esses dias e infelizmente este é um que não figura em minha coleção de DVDs ainda... Este ou ALIEN X PREDADOR que... Ai meu deus! ESPETACULAR! Certamente vai entrar pro rol dos meus mais assistidos assim que eu o houver adquirido... heheheh.
Já que eu comecei falando de morte e to agora falando de filme, vamos juntar as duas coisas e falar sobre um filme que é de morte, de matar, ruim que é a gota e que eu vi duas vezes (long story...) e não recomendo: O Grito. Meu, que filminho vagabundo. O pior é que esse filme é daqueles filmes ruins pra cacete e que "é legal" ao mesmo tempo! Sabe aquele trash que voce assiste sem saber porque assistiu, não gosta sem saber porque não gostou e no fundo, bem no fundo, detesta admitir que achou legal?? Pois é, O Grito é assim. Essa miscelânia de impressões. Uma coisa é certa: o diretor tem sacadas geniais e o bicho do filme é assustador! Rapaz, que bicho feio da peste! Um troço escandalosamente feio, mais feio que o bicho de "Ring" na minha modesta e inquestionavelmente perfeita opinião. O horror! O horror! Mas o roteiro tem uns furos imperdoáveis, isso estraga muito... Enfim, vale a pena ver pra se poder dizer que não valeu a pena ter ido, sacaram??
Meu humor melhorou bastante nos últimos minutos. Tá chovendo cobras e lagartos aqui na Aclimação... Vou fazer uma massinha no creme de leite e abrir um tinto seco. Acho que vai me ajudar a dormir.
No fundo eu queria não sentir tanta saudade. Na verdade é isso que me tira o sono.