OS CÃES DO INFERNO


05/02/2005


O teu amor me rasga o peito como açoite.

E não o recuso.

O teu sorriso é não mais que artifício.

E eu o retribuo.

Tuas palavras são tão limpas quanto fezes.

E eu as ouço.

As tuas mãos revelam tez de squatina.

E eu as afago.

 

De todas as escolhas que não pude fazer, és a única que me abate.

De tudo aquilo que não quero ser, és o modelo.

Quisera te apagar de mim, mas morreriam minhas lembranças.

Quisera negar teu nome, Deus não me perdoaria.

 

Meu ódio é teu amor doente. Mas presente.

Meu ódio é amor sempre.

 

 

Não estou com vontade de dizer para quem escrevi esse lixo aí em cima. Tampouco valeria a pena dizer, uma vez que tal vivente pouco se interessa por este assunto que vos fala.

 

Certos grilhões preexistem e subsistem à passagem de um indivíduo por seu tempo. Um deles é o amor incondicional. Aquele que você dedica se odiando por fazê-lo. Aquele que você jamais conseguiria negar . Aquele que cede infaltimente a um pedido de desculpas, a um abraço inesperado.

 

O amor de quem te dá colo antes de você conceber o que isso é...

 

Enfim....

Escrito por Marcela Godoy às 11h14
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04/02/2005


Pensando bem...

 

Então... Vamos falar um pouco mais sério, só pra variar...

 

Os últimos dias foram bastante intensos e me fizeram pensar sobre muitas coisas. Uma delas foi a maneira com a qual eu dialogo comigo mesma, e com todas as pessoas que freqüentam o Cães.

 

A noite passada foi aniversário de um amigo muito especial e que eu não via há algum tempo. Depois de colocar todas as “fofocas” em dia, acabamos nos envolvendo numa conversa interessante sobre como nos expomos muitas vezes sem darmos a devida atenção ao “tipo” de exposição a que estamos nos sujeitando. E isso chamou bastante a minha atenção porque eu sou uma pessoa bastante transparente quando estou escrevendo. Principalmente quando estou escrevendo aqui... No meu espaço...

 

E aí então eu começo a me perguntar sobre nossa honestidade frente a tudo aquilo que sentimos e a maneira com a qual lidamos com o desejo, creio, incontido de sermos genuinamente honestos. Não só isso, questionei-me também sobre como esta honestidade pode se revelar corajosa a ponto de nos levar a expor o que sentimos sem medo de nos tornarmos um alvo desta honestidade.

 

E então as perguntas começaram a pipocar...

 

Por que não ser honesto?

Por que não estar exposto?

Será que devo olhar o mundo de maneira presunçosa e pretensiosa, e então negar a ele a minha honestidade ao esconder-lhe o que sinto?

Será que o mundo não está preparado para receber a minha honestidade?

Será que não saberia como lidar com ela?

 

É intrigante pensar sobre isso nos dias de hoje.

 

Em outros tempos, as pessoas mantinham diários, mandavam cartas para si mesmas, publicavam seus pensamentos em jornais, revistas, folhetos...  Hoje em dia temos a Internet e suas fabulosas ferramentas que lembram bastante aquela sacolinha mágica do Gato Felix (personagem de um desenho animado bastante popular na década de 80). E com a Internet e suas ferramentas fabulosas, veio ‘no pacote’ a chance que o indivíduo tem de tornar público o seu mundo reservado, aquele que antigamente era privilégio das páginas bem guardadas de um diário trancado a oito chaves num baú sobre o armário...

 

(continua abaixo....)

 

Escrito por Marcela Godoy às 19h18
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(continuando...)

 

Eu visito alguns blogs de amigos, outros que são indicados aqui no próprio Cães, estou sempre “fuçando” lá e cá pela internet. O mais engraçado é que conheço gente que no blog é capaz de se despir de qualquer medo, insegurança, vergonha, ou o que quer que seja, e livremente rasgar o verbo expondo emoções, impressões, sensações, sem qualquer pudor. E algumas destas pessoas são literalmente outras quando nos sentamos à mesa para uma cerveja, como que se aquele espaço virtual fosse o único realmente reservado para a honestidade frente a si mesmo e frente o resto do mundo... Certa vez, curiosa, eu perguntei “Mas você é tão quieta, no blog me parece uma pessoa diferente”, e, não para meu espanto, a resposta foi “Ali eu posso ser eu mesma. Aqui, do lado de fora, não.”

 

Eu sempre ouvi dizer que os namoros “via chat” eram em muitos aspectos bem mais intensos do que aqueles vividos no estilo “live action”, porque as pessoas simplesmente se sentem mais à vontade ao escrever do que ao escutar o som da própria voz a dizer os absurdos que digita sem qualquer hesitação. E para compreender (e comprovar) este fenômeno, me vi mais uma vez recorrendo a um ensaio de Edgar Allan Poe, que na verdade me ‘inspirou’ a pensar sobre este assunto ao selecionar esta mesma citação para enviá-la ao dono dos meus pensamentos (sim, senhoras e senhores, estou realmente apaixonada). Enfim, diz o gênio “(...)Assim é que redigimos gravemente sobre o papel aquilo que, por coisa alguma deste mundo, poderíamos afirmar, pessoalmente, a um amigo sem corar ou romper em gargalhadas!".

 

Vivemos uma era de escravidão e escravização da imagem, das aparências, dos comportamentos. Somos levados (e nos deixamos levar!) por todo o arsenal bombástico e absurdo de rótulos e arquétipos com que a mídia, em sua onipotência e onipresença, nos esmaga. Os hindus acreditam ser, esta aqui, a Khaliuga, ou “Era da Estupidez”. Difícil não concordar com isso...

 

O fato é que, Khaliuga ou não, sentimos hoje da mesma maneira que sentíamos antes mesmo da escrita ter sido inventada. Somos o nosso “bom dia”, somos o nosso sorriso, somos o “vai tomar no cu”. Nada mais, nada menos. Tentamos, em vão, nos esconder de nós mesmos vivendo a mentira do silêncio, mas o som é inevitável. A voz que escutamos dentro de nossa cabeça, e que nos fala em segredo, se deixa ouvir em lágrimas, em beijos e abraços, em sorrisos e cenhos franzidos; em inúmeros pedaços e folhas de papel em que revelamos os nossos segredos para no instante seguinte nos livrarmos deles rezando, silenciosamente, para que alguém os descubram perdidos no cesto de papel.

 

O silêncio, contudo, uma característica bastante comum às pessoas que se dizem ‘solitárias’, hoje, tornou-se público. Cada dia que passa, mais e mais viventes aderem à idéia de, por meio da Internet, compartilhar com o mundo inteiro sua solidão e o fazem de maneira apaixonada, intensa e indubitavelmente honesta (há exceções, por certo, mas estamos falando aqui dos casos verdadeiros). Parece que estamos perdendo o rosto e a forma. Mas ganhando espaço!

 

Não consigo deixar de pensar nisso por uma razão muito simples: eu sou o que escrevo. E não consigo ser desonesta ao fazê-lo. Eu deixaria de ser (existir). E era justamente isso que meu amigo estava questionando naquela rodada de cerveja “Por que você se expõe dessa maneira?”

Novas perguntas pipocando...

Pensei bastante sobre isso. E, como resultado, li e reli todos os posts já publicados aqui no Cães.

 

Realmente, eu me exponho bastante. Por quê?

 

Assim como a fotografia congela no tempo uma imagem, a mão de quem escreve congela no tempo um instante sentido. Assim como o fotógrafo captura na imagem fotografada um momento visual, creio que ao escrever capturemos nas palavras escolhidas um momento de consciência (talvez caiba aqui dizer que a palavra consciência aplicada neste trecho se refere à “percepção imediata da própria experiência”). Eu, em minha neurose, associo tudo à minha finitude. Pessoalmente, acho que eu escreva porque sou presunçosa. E em minha presunção, não me agrada a idéia de saber que nada do que sou ficará uma vez que eu já tenha passado. Acho que se eu fosse eterna, eu não escreveria, porque teria tempo suficiente para caminhar todo o mundo e passar, pretensa ou despretensiosamente, por todos os ouvidos. Mas não é assim que funciona. E nossa passagem é breve, um sopro.

 

(continua abaixo....)

 

Escrito por Marcela Godoy às 19h18
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(continuando....)

 

No final, ser honesto, estar exposto... Nós somos absolutamente e estamos relativamente porque se fôssemos simplesmente, não nos caberia lugar. Jamais estaríamos.

 

E pensar que eu comecei esta conversa toda porque fiquei me perguntando se valeria a pena ser honesta em relação ao que estou sentindo... É claro que vale. Eu não saberia me separar dessa maneira. Seria me privar da minha finita eternidade.

E eu sou presunçosa...

 

Diga a quem você ama, que ama.

Chore quando sentir vontade.

Grite quando te faltarem palavras.

Escreva quando as palavras lhe chegarem. 

Eternize-se.

 

Minha resposta à pergunta de meu amigo?

“Ricardo, o tempo é ser. E ser, é breve.”

 

 

Escrito por Marcela Godoy às 19h18
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03/02/2005


"Se a rocha da esperança derradeira
se rompe e afunda em meio aos vagalhões
sinto que a alma não mais é prisioneira
da dor - e está liberta dos grilhões.
Muitas angústias vêm a perseguir-me;
talvez me esmaguem, não me inflamarão;
se me infligem tortura, serei firme;
é em TI que agora penso - nelas não."

Lord Byron

Ao dono do meu coração e dos meus sonhos.

 

Escrito por Marcela Godoy às 06h17
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02/02/2005


É...
Eu bem que tentei dormir, mas dessa vez não foram os meus demônios que me mantiveram acordada, mas a presença do meu anjo... A sua presença...
 
Eu queria saber dizer minha alegria de outra forma, mas quanto mais eu procuro pelas palavras, mais e mais apenas uma é que me vem à mente e ao coração, o seu nome... Dizer seu nome é como dizer felicidade. Dizer seu nome é fazer o peito se esmagar em êxtase e explodir em luz... Uma luz que vivifica e que cega ao mesmo tempo... Seu nome se tornou uma canção, um mantra... Uma força que evoca o que há de mais belo no universo e tudo o que está além dele... E eu me pego dizendo seu nome como se estivesse dizendo uma prece... Fazendo um pedido à fada madrinha. E tento recitá-lo, como se estivesse recitando um poema.. E cada vez que o faço, posso ouvir dois anjos cantando...
 
Eu bem que tentei dormir, mas o seu nome me roubou a noite. E roubou, da noite, a letargia.
 
Acho que a sua sombra veio se deitar comigo...
Se escondeu na minha sombra e agora não me deixa...
 
O que seu nome trouxe, eu desconhecia.
Deus deve existir mesmo...
E certamente está sorrindo pra mim...
 
Durma bem, meu anjo.
E não me esqueça...
 
2/02/2005 - 3:17

Escrito por Marcela Godoy às 01h08
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01/02/2005


“Elevo os olhos para os montes: de onde me virá socorro?

O meu socorro vem do Senhor, que fez a terra e o céu.

Ele não permitirá que teus pés vacilem; não dormitará aquele que te aguarda.

É certo que não dormita nem dorme o guarda de Israel.

O Senhor é quem te guarda;

O Senhor é a tua sombra à tua direita.

De dia não te molestará o Sol, nem de noite, a Lua.

O Senhor te guardará de todo mal; guardará tua alma.

O Senhor guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre.”

 

Salmo 121

 

Aprendi esta oração hoje. E veio na hora certa.

Sei que muita gente se sente desamparada e acaba cedendo ao medo, à tristeza que só quem é realmente sozinho conhece. E a solidão não implica a falta de amigos. A solidão implica saudade de si mesmo. Procurar-se em si mesmo e não se achar; procurar-se nos outros e não se achar...

 

Mas a verdade é que a gente não está sozinho... Está apenas ocupado demais olhando apenas para o próprio umbigo, dando valor somente à nossa própria companhia, vivendo uma pseudo-humildade (porque não há humildade alguma em se sentir só e diferente do resto do mundo...).

 

E eu não estou aqui "pregando" nada, estou falando de tudo, de todas as pessoas, de todas as maneiras em que Deus milagrosamente se manifesta. Um sorriso, uma mensagem. Um estranho que cruza o seu caminho e muda a sua vida, abre seus olhos sem que você se desse conta de como eles estavam fechados... Pra tudo. Pra todos. Todas aquelas coisas que nunca são "boas o suficiente" pra que a gente não se sinta só... Ah... O tempo que a gente perde na vida... Procurando respostas que sempre estiveram ali, bastava apenas que fizéssemos a pergunta certa...

 

Existe solidão? Não... Solidão não existe... Solidão é uma escolha! Uma escolha boba e egoísta...

 

Então se você é como eu, olhe em volta. Olhe de novo.

“Aprenda a ver através da fera”, nas palavras do meu querido Azael...  E se você não acreditar em Deus, não tem problema. Porque acreditando ou não, Ele está ali num sorriso de bom dia, no telefonema do seu amigo, no afago do seu cachorro, naquela flor que voce esqueceu de regar, na luz do sol e na escuridão assustadora da noite.

 

Nós somos “a luz do mundo”* e sendo assim, estamos sempre iluminando ou nos deixando iluminar por alguém...

 

E quando a noite chegar eu vou dormir bem. Porque vou me lembrar disso. 

 

E vou me lembrar de você, menino lindo... Vou fechar meus olhos e ver seu rosto. E nada, nada vai me dar medo... Obrigada.

 

*Mateus 5-14

Escrito por Marcela Godoy às 16h18
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31/01/2005


“Even in the quietest moments” (Supertramp) é uma das canções mais belas e singelas que eu já ouvi em toda a minha vida... E como estou às vésperas de começar uma nova fase, me deu vontade de postar essa letra aqui e dedicá-la à pessoa que vem me arrancando sorrisos bobos e fora de hora... Alguém que me fez ver o quanto de bom ainda existe em mim pra dividir...

 

Como eu disse no post anterior, “Tudo de novo. Tudo de novo...”.

 

Brindemos então à vida, que promove gratos encontros, e ao Sol, que está lá para nos lembrar de que não importa o que aconteça, os dias sempre se renovam.

 

Obrigada por você existir e me fazer enxergar que eu existo também...

 
Even in the quietest moments
I wish I knew what I had to do
And even though the sun is shining
Well I feel the rain --- here it comes again, dear
And even when you showed me
My heart was out of tune
For there’s a shadow of doubt that’s not letting me find you too soon
The music that you gave me
The language of my soul
Oh lord, I want to be with you.
Won’t you let me come in from the cold?

Don’t you let the sun fade away
Don’t you let the sun fade away
Don’t you let the sun be leaving
Won’t you come to me soon

And even though the stars are listening
And the ocean’s deep, I just go to sleep
And then I create a silent movie
You become the star, is that what you are, dear?
Your whisper tells a secret
Your laughter brings me joy
And a wonder of feeling I’m nature’s own little boy
But still the tears keep falling
They’re raining from the sky
Well there’s a lot of me got to go under before I get high

Don’t you let the sun disappear
Don’t you let the sun disappear
Don’t you let the sun be leaving
No, you can’t be leaving my life
Say that you won’t be leaving my life
Say that you won’t be leaving my life
Say won’t you please, stay won’t you please
Say won’t you please, stay won’t you please
Lord, won’t you come and get into my life
Lord, won’t you come and get into my life
Say won’t you please, stay won’t you please
Say won’t you please, stay won’t you please
Lord, don’t go

And even when the song is over
Where have I been --- was it just a dream?
And though your door is always open
Where do I begin --- may I please come in, dear?

 

 

PS: Renatinho, voce pode nem fazer idéia, mas eu te devo uma! Ah, se devo!!!

 

Escrito por Marcela Godoy às 23h51
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1 de Fevereiro de 2005. Faltam dez dias para o Ano Novo... Só dez... Só dez... A parte que faltava apareceu! Tudo de novo... Tudo de novo... Que delícia... Que delícia...

Escrito por Marcela Godoy às 22h52
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Poxa vida! Não há nada que deixe um autor mais feliz do que ver as pessoas perguntando sobre futuros lançamentos!

Olha só, a continuação do Primeiro Relato está com lançamento programado para Maio/Junho deste ano (sem data definida ainda). O livro se chama "O Mensageiro de Ararat" e por enquanto este é o máximo que eu posso dizer a vocês! hehehehe

Pra quem está no Orkut, há uma comunidade dedicada ao Primeiro Relato chamada Azaélicos. Participem! Já vi alguns comentários bem legais postados lá e volto a convidar quem ainda não faz parte pra se juntar aos Azaélicos e dar seus palpites sobre personagens, a história, enfim... O que der na telha!

Mais uma vez registro aqui meu beijo mais do que carinhoso a todos vocês que visitam o Cães e deixam os meus dias mais felizes! Adoro abrir o email e ver que há comentários postados no Cães para o monte de groselha que eu insisto em escrever aqui! hahaha!!!!!!!!!!

Fiquem com Deus!

Escrito por Marcela Godoy às 12h54
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