OS CÃES DO INFERNO


25/02/2005


Então, queria desabafar um pouco.

 

Embora a noite tenha sido espetacular e a manhã muito legal (e tirando o temporal que a esta altura deve estar gerando manchetes), hoje ta sendo um dia meio esquisito pra mim.

 

A verdade é que por razões profissionais eu meio que tenho “duas vidas”, uma que vivo dentro do meu trabalho (um trabalho burocrático, de “trás de mesa” e salário - é, senhoras e senhores, não vivo de literatura ainda e estou longe, muito longe disso...) e a outra que vivo do lado de fora do escritório. Adoro as duas, mas confesso que é meio estranho ter que se dividir. Nem sempre posso ser 100% eu 100% do tempo e a todo momento fico me deparando com situações que me obrigam a colocar o “eu” que eu mais gosto de lado e deixar o “eu do sistema” falar mais alto...

 

É muito foda falar isso, mas a verdade é que não adianta, a gente acaba se tornando escravo da hipocrisia mesmo... Eu fico aqui fazendo a apologia do “seja você mesmo”, “fale o que sente”, “tire a máscara”, mas no final sei que isso é um luxo muito mais do que um ato de coragem... Por que estou dizendo isso? Porque por mais que eu odeie isso, às vezes não tenho outra saída senão “ser dissimulada” em prol de uma causa maior e isso me fode os nervos. Vivi isso esta semana inteira em meu trabalho. Um inferno. Minha sorte é que tive um montão de coisas que me mantiveram distante do escritório hoje, porque hoje era um dia que se eu estivesse por lá... Enfim, é horrível quando seu trabalho exige que você tome decisões que afetam a vida das pessoas diretamente. Horrível. Este aspecto do meu trabalho eu simplesmente abomino. Já me sinto um lixo às vezes tendo que tomar decisões sobre minha própria vida, então quando minhas decisões afetam a vida dos outros... Ah! Que puta bosta!

 

O pior de tudo é que eu me sinto um lixo também porque a porra do “sistema” nos obriga o tempo todo a usar estas máscaras de merda. Eu luto contra elas e tento da melhor maneira possível ser honesta comigo e com as pessoas que convivem comigo. Mas às vezes não dá. Não se tem escolha. Tem que “ceder ao sistema e ser um com ele” e isso é muito foda. Muito foda. Odeio isso. Simplesmente odeio e nada pode mudar isso...

 

Coisas assim me levam a sentir culpa por me achar “legal”... Porque eu sou legal, mas também sou “dissimulada” quando tenho que ser e isso é foda. Isso estraga tudo. Isso faz parecer mentira tudo o que você acredita e procura empregar no seu dia a dia. Isso faz parecer que você tem uma superfície legal, mas que se olharmos com cuidado no interior do recipiente “ah... ninguém nunca é tão legal... Nunca é tão sincero.” Parece que todo mundo é potencialmente uma laranja podre... Esses dias uma amiguinha (digo amiguinha porque além dela ser uma gracinha ela é treze anos mais nova do que eu!) me falou uma coisa que, de uma maneira muito especial, mexeu comigo... Ela me contou que eu a teria ajudado, indiretamente, a encontrar coragem para ela abrir seu coração e revelar o que estava sentindo para a pessoa que gosta... Resultado? Estão felizes! Como um casal! Não é lindo?? Coincidência ou não, no mesmo dia, recebi um testemunho (no Orkut) igualmente especial de uma leitora dizendo admirar meu jeito direto, como quem diz o tempo todo “Eu falo o que penso mesmo e aviso: mundo, lide com isso!”...

 

Pois é, eu tento ser assim mesmo. Acredito realmente nisso! Mas aí... CABUM! Você de repente se vê obrigado a se contrariar. Caramba, será que no final a gente só consegue mesmo ser parcialmente honesto?? Acho que vale a pena pensar sobre isso, estou realmente começando a acreditar nisso! Eu aprendi que existe verdade e mentira, que não existem meias verdades. Cresci sob os auspícios dessa máxima tirana que prega somente os extremos e o preço foi relativamente alto. Mas é assim pra todo mundo, certo? Então sem essa de muro de lamentações mesmo porque estou falando de outra coisa. Estou falando que de fato, não há como sermos totalmente verdadeiros nesta merda de mundo! Não é assustador isso?? Preciso discutir este assunto com meu namorado... Ele é muito bom nessas coisas de discutir essas coisas... O que vocês acham? Estou começando a acreditar que a honestidade é algo que se manifesta diante das oportunidades. Algo como aquele ditado que diz “a ocasião faz o ladrão.” Estou desconfiada que a honestidade funcione da mesma maneira. Não to dizendo que não existam pessoas honestas, só to dizendo que independentemente da índole, do caráter das pessoas, a honestidade é um momento. Você pode ser o cara mais sincero do mundo, mas tem horas que você vai ser obrigado a ser dissimulado, omisso, ou sei lá o que... Mesmo as pessoas honestas e verdadeiras não podem ser honestas e verdadeiras o tempo todo. Não é paradoxalmente trágico isso? Que espécie de mundo é esse em que até as virtudes – se pensarmos a honestidade como uma virtude, é claro, porque pelo que estamos discutindo aqui ela, por vezes pode ser um defeito – tem que ser dissimuladas frente às necessidades?  Isso me assusta. Porque cada vez menos eu acredito no conceito de liberdade. A liberdade é tão efêmera quanto a honestidade. Melhor dizendo, acho que uma é quase sinônimo da outra, não é? você se sente livre quando é honesto, então eu errei... Não se trata de um sinônimo, se trata de uma manifestação... Sim... A honestidade é uma das formas da manifestação de liberdade. Então somos parcialmente escravos... Que merda! Acho que é por isso que toda a chance que eu tenho de ser verdadeira, eu sou.

Escrito por Marcela Godoy às 19h01
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É... No final, me sentindo uma merda ou não, tendo que negar meus princípios ou não, vou me manter firme... Vou ser honesta sempre que puder ser. Dar minha cara a tapa sempre que puder dar. Tentar fugir das situações que me obriguem a não ser assim...

 

Sexta-feira, pelo menos. A semana acabou. Vou fazer de conta que é um “fim de ciclo” e comemorar seu término. Talvez eu me sinta melhor amanhã.

 

Peter, você vai fazer falta hoje.

Escrito por Marcela Godoy às 19h00
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21/02/2005


Então... Já faz um tempo que fiquei sem escrever. É que os últimos dias foram tão intensos que eu meio que fiquei sem palavras... Mas vamos lá... Hora de prestar contas! Hehehe... Pelo meu último post deu pra ver o quanto eu estou feliz... É verdade. Queria dedicar este post aqui aos apaixonados pela vida... 

 

Entre 21 de janeiro e 11 de fevereiro deste ano, vivi um sonho. Um sonho que se concretizou num sonho ainda mais belo, por ter se concretizado! Agora, para minha felicidade, tal sonho ainda perdura e, no que depender de mim, irá se prolongar ainda pelo tempo que o tempo desejar. É... Descobrir o amor, apaixonar-se, se deixar apaixonar, estas coisas são únicas e precisam ser lembradas sempre que possível, pois é este sentimento, creio, que nos torna humanos.

 

Bem, “melações” à parte, e agora gozando de minha sanidade outra vez, vamos falar de filmes. Como vocês sabem, eu sou a rainha de comentar filmes que já passaram há uma puta cara e não me importo porque no final, é isso mesmo... Nem sempre dá pra ver quando sai e eu comento mesmo, mesmo que seja depois de um ano... Enfim...

 

O filme de hoje é “Adaptação”, estrelado por Nicolas Cage, Maryl Streep (maravilhosa!) e um outro cara que é muito bom, mas eu esqueci o nome... Bom, este filme aqui é para os amantes de “roteiro”, especialmente para os amantes neuróticos de roteiro. Sim. É um filme neurótico, sobre pessoas neuróticas e ao mesmo tempo é um filme delicado e cheio de poesia. Um filme sobre flores... Genial. Adorei vale a pena ver, mas é difícil comentar.  

 

Eu acho que ainda não dei o meu pitaco sobre o filme que está entre aqueles que certamente vai ranquear entre os que eu mais vi na minha vida: AVP – Alien X Predador!  Eu vi há poucos dias (infelizmente porque meus amigos não quiseram ir comigo ao cinema pra ver e quando eu dei por mim o filme já tinha saído de cartaz). Enfim: ANIMAL. DUCARALHO. “NÃO PERDAM” hehehehe. O Predador é o melhor! Predador! Predador! Predador!!!

 

Ok. Chega. Voltamos depois pra eu dar mais detalhes sobre isso... Agora tenho que ir trabalhar.

Escrito por Marcela Godoy às 10h51
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