OS CÃES DO INFERNO


06/03/2005


Olha só que legal que eu ganhei de uma leitora!!!!!!!!!!!! Muito obrigada, Litha!!!!!!!!!! AMEI!!!!!!!!!

Escrito por Marcela Godoy às 21h01
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Ok. O filme deste fim de semana foi “Jogos Mortais”... Vamos lá. Vamos lá...

 

Mas antes de falar do filme quero agradecer a Deus por todo o programado ter ido pro buraco. O mico teria sido muito maior e talvez irremediável se mais pessoas houvessem se juntado à desventura. (Kaka nada pessoal, ok? Tenho uma obrigação social a cumprir aqui... hehehe)

 

“Mai que firminho vagabundo, hein???”

Corram de “Jogos Mortais”, corram! Estou para ver um filminho tão mal elaborado como esse! E olha que várias salas de cinema tiveram a pretensão de blasfemar em seus letreiros, anunciando: “Esqueça Seven!”... Pelo amor de meus filhinhos não nascidos... Eu nem vou começar a falar de Seven porque Seven é o tipo de obra (veja, não usei a palavra filme, usei a palavra obra) que merece um post à parte e um minuto de silêncio e prostração.

 

Mas por que Jogos Mortais é tão ruim??

 

Atenção leitor: se você não viu o filme, NÃO leia este post, porque vou dissecar o cadáver e para que possa fazê-lo terei que revelar os segredinhos do filme, ok???

 

Então vamos lá.

 

A idéia não é ruim não, mas foi mal desenvolvida. Uma pena.

O roteiro tem muitos furos e aquilo que se pretendia revelar no final fica muito evidente logo no começo (exceto pelo milagre da ressurreição... Puta que pariu, o que foi aquilo??? Que tipo de insulto aos espectadores os produtores do filme pretendiam quando permitiram aquela conclusão???). O que eu quero dizer com isso?

 

O filme é todo contado em pequenos cortes que acontecem entre as cenas do banheiro e os flashbacks vividos pelos personagens, certo? A trama só se torna linear em alguns momentos quando o filme está caminhando pro final. Até aí, beleza.

 

Pois bem, o roteiro abre com aqueles três caras no banheiro, dois vivos e acorrentados, e um com os miolos espalhados pelo chão. O morto está segurando uma arma e um gravador. A primeira grande cagada na coerência (e que leva a gente a desconfiar do morto) ocorre no momento em que o tal do Adam consegue pegar o gravador que está na mão do morto. Um detalhe bobo, mas muito importante: o gravador está sem fita. A primeira pergunta já pipoca aí... O que aquele morto teria escutado naquele gravador sem fita que o levou a estourar os miolos? Porque, convenhamos, não dá pro cara dar um tiro na cabeça e se livrar da fita depois, certo? Conclui-se, então, que desde o “início” o cara sempre esteve segurando um gravador sem fita e aí eu pergunto... Por que diabos alguém que vai realmente se matar (e o acaba fazendo) seguraria em sua mão direita um mini-gravador sem fita??? Então você começa a prestar mais atenção ao filme, tentando encontrar no modus operandi do vilão uma explicação para aquilo... Pois bem, a gente volta nisso mais tarde. Vamos continuar...

 

Embora não pareça, a relação entre as vítimas é um tanto confusa e o critério adotado pelo vilão ao escolhê-las, também. Vejam só... O roteiro sugere que o vilão construa “jogos fechados”, como pequenos ciclos, ao selecionar suas vítimas, de maneira que todas tenham alguma relação entre elas. Isso fica evidente na medida em que a história dos protagonistas está sendo construída (aliás, um problema isso neste filme, hein??? Quem diabos é o protagonista??? Aqui, refiro-me a Adam e Dr. Gordon). O problema é que não existe qualquer relação aparente entre as ‘primeiras’ vítimas do cara, aquelas que levam o espectador a conhecer o tipo de maníaco que ele é. Isso é um detalhe MUITO importante pra ser deixado de lado, porque tem relação direta com a construção do personagem (vilão), uma vez que o estabelecimento desta relação entre as vítimas descaracteriza todo o MO do vilão! Nenhum vilão que se pretende elaborado como o vilão pretendido nesta fita poderia cometer um erro dessa magnitude! Isso foi uma grande cagada! Um puta furo!

 

Agora a gente volta pro cara do banheiro... E por que???

A gente viu que o grande barato do vilão era fazer com que seus escolhidos dessem cabo da vida de outros escolhidos, ou da própria vida, certo? Isso implica, de cara, que todos os participantes daquele jogo estão fora dele como vilão (ou seja, nenhum poderia ser o vilão, o titereiro). Isso pelo menos, devo reconhecer, eles fizeram direitinho. Não teve furo. De fato, os jogadores permaneceram jogadores durante todo o filme. A única peça fora daquele tabuleiro era o cara do banheiro. Na minha pretensa cabeça de contadora de história, eu cheguei a pensar que o morto era a resposta, sim. Só não imaginei que eles fariam a merda de botar aquele morto pra andar e falar no final... Teria sido legal (ou menos mal, na verdade) se o jogo se fechasse como um “oroborus”, o fim apontando pro começo de um ciclo inevitável de repetição, ou seja, o cara teria planejado o próprio suicídio (já que ele era mesmo um doente condenado) e usado os dois malas sem alça para dar cabo da vida dele... Mas pra isso o morto teria que estar vivo, certo? Pena que eles acharam mais legal ressuscitar o cara... Convenhamos... Um médico dentro daquele banheiro e ele não sacou que o morto respirava??? Isso é um insulto! E os choques, então??? Como ele acionava aquela merda? Por telepatia?

Escrito por Marcela Godoy às 20h39
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Ah! Não podemos nos esquecer do casal de indianos que surge por combustão espontânea na casa do médico depois de toda aquela merda que deu ali... (contribuição do meu amado à já extensa lista de furos identificados no filme...) Deixe-me ver... E o carinha que quase teve os miolos perfurados pelas furadeiras... Que porra era aquela??? De onde o cara veio??? Pra onde o cara foi??? É uma porra de um thriller policial! Não dá pra ficar simplesmente enfiando gente ali e não explicar depois... Pra que enfiar aquele cara na trama? Pra criar um ponto de virada? Se a intenção foi essa (que pessoalmente eu acho que foi...) com a morte do japa eles assinam o atestado de "plágio", só que mal feito!!! (Lembram de Seven???) O que nos leva ao pecado-mór, o grande crime, pois desse momento em diante fica evidente a cara de pau do roteirista ao tentar, pretensamente e incompetentemente, usar recursos da obra Seven na construção desse roteiro:

1. a motivação do vilão (até aí a gente perdoa, vai, to sendo chata...);

2. A cena do policial descobrindo o covil do vilão! (aqui já começa a merda...)

3. A fuga do vilão e a reversão do jogo (quando ele passa a relacionar as vítimas!!!! Aqui fodeu!), o suposto ponto de virada do filme que virou, na verdade, um ponto de cagada, porque além de deixar a clara marca da imitação simplesmente disvirtuou e descaracterizou o vilão!

AHHHHHHHHHHHHHHHHHH. Odeio quando idéias com potencial são mal aproveitadas! Não sou um gênio, não. Mas convenhamos... Fora esses pequenos foras, o filme tem momentos genuinamente patéticos e outros hilários. Eu mesma tive um acesso de riso desesperado que causou algum constrangimento naquela seqüência em que o enfermeiro começa a brigar com a mulher do médico e o cara ta ouvindo a merda toda pelo telefone e aí ele toma o choque, enfim... Ali eu tive a impressão de que o roteiro havia sido escrito pelo Pernalonga, juro pra vocês.. E a atuação do Denny Glover... O que foi aquilo? Definitivamente o cara precisa aposentar.  

Enfim, sei que estou desapontando alguns freqüentadores aqui do Cães (Kaka, putz... Vou ficar devendo essa...), mas não dá. O filme é ruim que dói. Pra minha sorte, carreguei comigo apenas meu namorado e um amigo pro cinema. Os planos eram de que toda a turma fosse! Deus é pai! Eu teria sido apedrejada! Cariello já decretou o fim de minhas sugestões e disse que agora só vai comunicar a decisão ao resto da galera, o que significa que estou oficialmente e terminantemente proibida de escolher qualquer filme (seja cinema, DVD, VHS, não interessa) por tempo indeterminado se quiser continuar saindo com meus amigos..... Buahhhhhhh...... Cruel decisão, cruel!

 

Mas puta.... Jogos Mortais??? Odeio reconhecer, mas... Eu realmente mereço o castigo..

Escrito por Marcela Godoy às 20h39
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