OS CÃES DO INFERNO


15/04/2005


Caríssimos... que saudade!

 

Está para fazer um mês que não escrevo aqui, mas – como sempre e graças a Deus – tenho estado atolada de trabalho. Adorei todos os comentários que vocês enviaram acerca deste pequeno excerto da continuação do “Relato” e agradeço de coração por todos eles. Queria poder ter condições de escrever com mais freqüência aqui no Cães, mas infelizmente tem sido realmente difícil!

 

De qualquer maneira, estou postando hoje pra divulgar mais dois projetos de quadrinho "dá hora" e que (hehehe, que legal!!) tive chance de participar... Vamos lá!

Já está nas livrarias o álbum “Quebra-Queixo Technorama Volume II”, de Marcelo Campos. Pra quem não conhece, o Quebra-Queixo (carinhosamente chamado de QQ), criado por Marcelo Campos, é um anti-herói integrante da Força Zero – um grupo de ‘justiceiros independentes com permissão para matar, esmagar e destruir’.

Como eu acredito que ninguém possa falar melhor sobre um personagem do que o próprio autor do personagem, transcrevo aqui um trecho da entrevista concedida por Marcelo Campos ao site “Fan Boy” ( www.fanboy.com.br ), em que ele fala sobre o personagem e sobre os álbuns...

Fanboy: Já que estamos falando de mercado nacional, vamos a uma pergunta inevitável... e o Quebra-Queixo? Poderia nos contar um pouco acerca de sua criação e sua trajetória ao longo dos anos, assim como possíveis futuros projetos?

Campos: O Quebra-Queixo é, pra mim, o que "Bichos Escrotos" é para os Titãs... (risos).
É um personagem que eu criei há muito tempo... quando eu estava influenciado por coisas que não me tocam mais. Para mim é muito difícil escrever qualquer coisa com o QQ atualmente, porque passei dessa fase há mais de 15 anos, então...

Mas é engraçado, porque muita gente vem falar comigo e diz que adora o personagem... Mas quando eu pergunto o que ele leu, eles me dizem que nunca leram... Isso acontece de norte a sul do país, até em Portugal!!!! Eu conheci uns cinco, ou seis caras nos EUA que vieram me falar do QQ!!!!! Eles gostam, mas não conhecem!!!!

Eu gosto do QQ, não me entendam mal, mas não consigo mais.

Na verdade, eu publiquei sete, ou oito histórias na revista Pau Brasil da editora Vidente, em um período em que estava dando um tempo com o material norte-americano, entre a Malibu e a DC Comics... Foi isso... Aí o Eloyr me chamou pra publicar um especial do QQ pela Brainstore, eu tinha uma história de 29 páginas toda desenhada, que fiz de farra nos tempos livres entre uma edição e outra na fase em que estava desenhando para a Marvel, depois o QQ apareceu no álbum da Fábrica de Quadrinhos e agora nos álbuns da Devir... Devemos lançar mais um no início do ano... Talvez em fevereiro ou março.

Agora, eu conversei muito com o Leandro sobre o QQ e disse que queria mudar muita coisa nele, para que esteja mais próximo do que eu quero realmente fazer. Contei as idéias para ele e ele curtiu muito. Fiquei muito animado.
Vamos ver.

Escrito por Marcela Godoy às 09h09
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Fanboy: Você poderia nos adiantar alguns elementos desta nova abordagem?

Campos: Bom, ainda estou estudando muito sobre isso. Mas existem algumas coisas em termos de tônica que eu não gosto mais e nem consigo mais fazer... Penso em fazer a coisa mais pra um publico infantil, infanto-juvenil mesmo. A maior parte dos leitores do QQ são garotos, na faixa de 12 a 15 anos. As crianças de 5 a 10 gostam do visual, mas não podem ler, porque existem cenas de nudez, muito palavrão e as histórias são incompreensíveis para elas. Os adultos são um publico preocupado com isso, porque o personagem limita a faixa etária, os pais não podem deixar os filhos lerem isso. Os outros leitores acham que as histórias são cabeça demais, Muito intelectuais...

Mas isso é uma coisa que um ou outro leitor pega, o subtexto das histórias. Então penso em continuar a explorar os subtextos, mas de um jeito que a Pixar consegue fazer, por exemplo... Isso se eu tiver competência para tanto...

Na verdade, o QQ sempre foi um personagem complicado, houve um grande artista de quadrinhos norte-americano que quis comprar o personagem uma vez, ele ia virar um super-herói formal, mas eu não quis. Uma grande editora brasileira também quis investir no personagem, mas não conseguiu classificá-lo. Não sabiam se era adulto, infantil... Pornográfico... Sei lá... Foi sempre muito difícil publicá-lo. Todos dizem que ele tem potencial mas não foi explorado "comercialmente". Eu não estou fazendo estas mudanças porquê quero fazê-lo dar certo apenas comercialmente. Quero que ele de certo pra mim. Eu mudei... Tenho filhos... Tenho quase 40 anos agora e vejo as coisas muito diferentes, Não dá pra fazer um personagem que não retrate pelo menos um pouco do que o autor é.

Fanboy: Recentemente você convidou outros artistas para darem suas próprias visões a respeito do personagem, como surgiu esta idéia e como foi a aceitação do publico da mesma?

Campos: A idéia básica é dar espaço para novos talentos... Mesmo... Não tem nenhum tipo de salto alto aqui. Como algumas pessoas devem saber, eu sou sócio da Quanta Academia de Artes e sempre pensei em ter um veículo pra mostrar o trabalho dos artistas que estudam lá. O Douglas me procurou e me propôs um álbum do QQ. A principio eu disse que não tava a fim, porque não queria voltar a fazer nada com o personagem, pelos motivos que já falei, mas daí pensei que eu não precisava "fazer" exatamente e que a oportunidade poderia ser dada aos caras da Quanta. Essa era uma idéia que tinha desde a época da Fábrica, mas, por motivos diversos, não deu...

O álbum um está indo muito bem... Graças a Deus... Vamos ver o dois, Na verdade era pra ter saído no ano passado, mas eu inventei um concurso cultura Quebra-Queixo Technorama Volume dois, com a Devir e a Revista Wizard e o vencedor simplesmente não fez o trabalho. Aí... Bom... Me ferrei.

O próprio site já dá um preview do Quebra-Queixo Technorama Volume II...

Escrito por Marcela Godoy às 09h09
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Quebra Queixo - Technorama Volume 2

“Neste segundo volume, as histórias e a arte foram feitas por novos talentos das HQs nacionais, mas sempre sob a coordenação do criador do personagem, Marcelo Campos.

A variedade de estilos e talentos é o grande diferencial deste livro. Uma das histórias, inclusive, foi produzida por duas mulheres: Marcela Godoy (roteiro) e Julia Bax (arte). Outra história no melhor estilo mangá foi produzida por dois talentos portugueses: Nuno Duarte (roteiro) e Ana Freitas (arte). O prefácio foi assinado por Sidney Guzman, editor da revista Wizard Brasil e editor-chefe do site Universo HQ.”

Pois é, eu tive o privilégio de poder participar desse maravilhoso projeto do Marcelo Campos, que foi quem belissimamente ilustrou o Primeiro Relato, e a quem serei eternamente grata por ter me “apadrinhado”! É, caríssimos! O Campos é o cara! Não fosse por ele (e também Octávio Cariello, que conheci por meio do Campos), esta que vos fala não vos falaria neste momento...

 

O lançamento do Quebra-Queixo Technorama Volume II será na Quanta Academia de Artes em 6 de Maio próximo, à partir das 19:00 hs. A Quanta fica na Rua Minas Gerais, 27 pertinho do metrô Consolação. Espero vocês lá! O telefone deles é 3214.0553 e o email: quantaonline@terra.com.br

Visitem o site da Quanta pra saber sobre cursos, palestras, workshops, consultoria em problemas pessoais, técnicas advinhatórias e medicina alternativa:

http://planeta.terra.com.br/arte/quantaonline/index2.htm 

Escrito por Marcela Godoy às 09h09
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O outro projeto que quero divulgar é (ai meu deus, só de falar me dá “uma coisa”) é minha participação no relançamento dos álbuns de Sin City de Frank Miller, pela Devir Livraria, como tradutora. Caramba... telefone... Já volto pra falar...

Escrito por Marcela Godoy às 09h09
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