Bom, eu achei que retomar o Cães falando de "Batman Begins" seria uma idéia boa, mas estou inclinada a acreditar que não é lá das melhores idéias não... dizer qualquer coisa sobre “Batman Begins” seria blasfêmia. Dizer que "Batman Begins" é perfeito seria redundância. Que é espetacular, seria pouco. Que não apenas superou todas as minhas expectativas, mas me deixou na expectativa de uma continuação... Bem, isso talvez seja o mais próximo da verdade. É muito engraçado falar de “Batman Begins” porque - para mim - não há como não retomar o 26 de Outubro de 1989, quando no auge dos meus idos 16 anos, estreava nos cinemas brasileiros "Batman", de Tim Burton. Minha memória é uma merda, mas essa é uma das poucas datas de que eu não apenas me recordo dos detalhes, mas inclusive dos detalhes sórdidos (como cair na escadaria do Bristol de mini saia carregando toda a leva de refrigerantes da "turma". Muito traumático). Acho que ainda sou capaz de sentir o cheiro da pipoca daquela tarde! O fato é que foram cento e vinte e seis minutos de absoluta imersão naquilo que eu chamaria de luxurious void, se é que vocês me entendem... O fato de Michael Keaton visualmente nada ter a ver com o Batman ou Bruce Wayne que os fãs do personagem estavam acostumados (a começar pela altura do nosso protagonista...) não tirou o encanto do filme. Tampouco causou qualquer choque, porque houve um longo e bem elaborado preparo por parte dos produtores do filme, que lançaram uma série de trailers e produtos e pôsteres e toda a parafernália possível para a época a fim de fazer com que o público (fã dos quadrinhos) se acostumasse ‘aos poucos’ àquele visual do impecável ex-“Besourosuco”... Mesmo a Gotham City imaginada pela mente perturbada de Tim Burton não era de fato a Gotham retratada nos quadrinhos. Felizmente, e sem dúvida alguma, para deleite de ambos os fãs – de Nicholson e do Coringa – o Coringa de Jack Nicholson era o maníaco retratado na grandiosa obra de Alan Moore, “A piada mortal” e no “Cavaleiro das Trevas”, de Frank Miller... Diferenças à parte, o fato é que nada poderia estragar o “Batman” que estreou em 26 de outubro de 1989, por uma razão muito simples: era Batman... O “Homem Morcego”, o “Cavaleiro das Trevas”... O sombrio e soturno paladino que se escondia por trás da máscara de um milionário excêntrico e solitário... A produção era grandiosa, o elenco maravilhoso, a trilha sonora especialmente composta por Prince para o filme estava impecável, a fidelidade aos quadrinhos talvez mais presente em termos de história do que visualmente, mas definitivamente, ninguém poderia negar que Batman era um “hit” e mereceu realmente ser o grande hit que foi. Então com o sucesso do primeiro filme veio, certamente, o segundo. Mais uma vez a capacidade de aliar demência a boas idéias faz Tim Burton trazer às telonas outra grande aventura para encanto e crítica dos fãs. Michelle Pfeifer, De Vitto, Christopher Walken... O que dizer? Pessoalmente achei que muitas coisas na história poderiam ter sido diferentes – como o fato de Batman revelar a Selina sua verdadeira identidade, coisa que eu acho que ele jamais faria... – mas no final a gente vê isso acontecendo nos quadrinhos (em circunstâncias bem diferentes, é claro, mas enfim, o fato é o mesmo), então... A casa começou a cair (pelo menos para mim...) em “Batman Eternamente”, quando eu vi nosso querido “Big Bear” (Tommy Lee Jones) usando terno de oncinha bicolor. Para mim, o talento de Tommy Lee e Jim Carrey é indiscutível (muita gente não gostou, mas eu gostei do Charada...), agora o que aqueles roteiristas fizeram com Harvey Dent foi imperdoável. Humilhante. Indescritível. O Batman de Val Kilmer não era ruim. Sem dúvida alguma, em termos de “look”, o dele era bem mais próximo daquele que lemos e lemos e sabemos de coração. E Val Kilmer é um bom ator, então, em termos de “Batman”, eu não vi muito problema não... Agora, cagar no Harvey Dent daquela maneira foi imperdoável. E como sabemos, gostem ou não, atrás de um Batman de vez em quando vem um Robin, então já era de se esperar que uma hora o Menino Prodígio fosse aparecer... A escolha do coadjuvante de Pacino foi até bem pensada. Os uniformes ganharam uma “turbinada” e Gotham continuou tão carnavalesca quanto nos dois primeiros, mas... A verdade é que eu não tenho uma opinião formada (até hoje) sobre este episódio de Batman, exceto que eu detesto o que fizeram com Dent. Um senhor personagem como Harvey Dent/Duas Caras não merecia um fim tão “Priscilla – A Rainha do Deserto” quanto aquele (não desmerecendo “Priscilla”, que é um filme maravilhoso, apenas fazendo referência ao tema que o filme aborda). Então a tragédia acontece e aí todos pensam: tudo está mesmo perdido. A Warner enlouqueceu. Eu preferia dizer que o filme “Batman & Robin” não existiu. Que foi somente fruto de uma ilusão coletiva projetada por algum super-vilão, mas como isso não é possível e como sabemos que Joel Schumacher merecia a pena capital por ter feito o que fez com nosso herói, enfim... Eu não quero me alongar porque sinto vontade de chorar quando penso em “Batman & Robin” e toda aquela presepada de milhões de dólares... Dói minha cabeça só de pensar e eu estou na TPM... Deixa esse filme pra lá... (continua...)


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