OS CÃES DO INFERNO


01/07/2005


 

Bom, eu achei que retomar o Cães falando de "Batman Begins" seria uma idéia boa, mas estou inclinada a acreditar que não é lá das melhores idéias não... dizer qualquer coisa sobre “Batman Begins” seria blasfêmia. Dizer que "Batman Begins" é perfeito seria redundância. Que é espetacular, seria pouco. Que não apenas superou todas as minhas expectativas, mas me deixou na expectativa de uma continuação... Bem, isso talvez seja o mais próximo da verdade.

É muito engraçado falar de “Batman Begins” porque - para mim - não há como não retomar o 26 de Outubro de 1989, quando no auge dos meus idos 16 anos, estreava nos cinemas brasileiros "Batman", de Tim Burton. Minha memória é uma merda, mas essa é uma das poucas datas de que eu não apenas me recordo dos detalhes, mas inclusive dos detalhes sórdidos (como cair na escadaria do Bristol de mini saia carregando toda a leva de refrigerantes da "turma". Muito traumático).  Acho que ainda sou capaz de sentir o cheiro da pipoca daquela tarde! O fato é que foram cento e vinte e seis minutos de absoluta imersão naquilo que eu chamaria de luxurious void, se é que vocês me entendem...

O fato de Michael Keaton visualmente nada ter a ver com o Batman ou Bruce Wayne que os fãs do personagem estavam acostumados (a começar pela altura do nosso protagonista...) não tirou o encanto do filme. Tampouco causou qualquer choque, porque houve um longo e bem elaborado preparo por parte dos produtores do filme, que lançaram uma série de trailers e produtos e pôsteres e toda a parafernália possível para a época a fim de fazer com que o público (fã dos quadrinhos) se acostumasse ‘aos poucos’ àquele visual do impecável ex-“Besourosuco”... Mesmo a Gotham City imaginada pela mente perturbada de Tim Burton não era de fato a Gotham retratada nos quadrinhos. Felizmente, e sem dúvida alguma, para deleite de ambos os fãs – de Nicholson e do Coringa – o Coringa de Jack Nicholson era o maníaco retratado na grandiosa obra de Alan Moore, “A piada mortal” e no “Cavaleiro das Trevas”, de Frank Miller...

Diferenças à parte, o fato é que nada poderia estragar o “Batman” que estreou em 26 de outubro de 1989, por uma razão muito simples: era Batman... O “Homem Morcego”, o “Cavaleiro das Trevas”... O sombrio e soturno paladino que se escondia por trás da máscara de um milionário excêntrico e solitário... A produção era grandiosa, o elenco maravilhoso, a trilha sonora especialmente composta por Prince para o filme estava impecável, a fidelidade aos quadrinhos talvez mais presente em termos de história do que visualmente, mas definitivamente, ninguém poderia negar que Batman era um “hit” e mereceu realmente ser o grande hit que foi. 

Então com o sucesso do primeiro filme veio, certamente, o segundo. Mais uma vez a capacidade de aliar demência a boas idéias faz Tim Burton trazer às telonas outra grande aventura para encanto e crítica dos fãs. Michelle Pfeifer, De Vitto, Christopher Walken... O que dizer? Pessoalmente achei que muitas coisas na história poderiam ter sido diferentes – como o fato de Batman revelar a Selina sua verdadeira identidade, coisa que eu acho que ele jamais faria... – mas no final a gente vê isso acontecendo nos quadrinhos (em circunstâncias bem diferentes, é claro, mas enfim, o fato é o mesmo), então...

A casa começou a cair (pelo menos para mim...) em “Batman Eternamente”, quando eu vi nosso querido “Big Bear” (Tommy Lee Jones) usando terno de oncinha bicolor. Para mim, o talento de Tommy Lee e Jim Carrey é indiscutível (muita gente não gostou, mas eu gostei do Charada...), agora o que aqueles roteiristas fizeram com Harvey Dent foi imperdoável. Humilhante. Indescritível. O Batman de Val Kilmer não era ruim. Sem dúvida alguma, em termos de “look”, o dele era bem mais próximo daquele que lemos e lemos e sabemos de coração. E Val Kilmer é um bom ator, então, em termos de “Batman”, eu não vi muito problema não... Agora, cagar no Harvey Dent daquela maneira foi imperdoável. E como sabemos, gostem ou não, atrás de um Batman de vez em quando vem um Robin, então já era de se esperar que uma hora o Menino Prodígio fosse aparecer... A escolha do coadjuvante de Pacino foi até bem pensada. Os uniformes ganharam uma “turbinada” e Gotham continuou tão carnavalesca quanto nos dois primeiros, mas... A verdade é que eu não tenho uma opinião formada (até hoje) sobre este episódio de Batman, exceto que eu detesto o que fizeram com Dent. Um senhor personagem como Harvey Dent/Duas Caras não merecia um fim tão “Priscilla – A Rainha do Deserto” quanto aquele (não desmerecendo “Priscilla”, que é um filme maravilhoso, apenas fazendo referência ao tema que o filme aborda).

Então a tragédia acontece e aí todos pensam: tudo está mesmo perdido. A Warner enlouqueceu. Eu preferia dizer que o filme “Batman & Robin” não existiu. Que foi somente fruto de uma ilusão coletiva projetada por algum super-vilão, mas como isso não é possível e como sabemos que Joel Schumacher merecia a pena capital por ter feito o que fez com nosso herói, enfim... Eu não quero me alongar porque sinto vontade de chorar quando penso em “Batman & Robin” e toda aquela presepada de milhões de dólares... Dói minha cabeça só de pensar e eu estou na TPM... Deixa esse filme pra lá...

(continua...)

Escrito por Marcela Godoy às 16h22
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(...continuando...)

Então... Inúmeros e impacientes invernos depois: BATMAN BEGINS. A sensação que eu tenho é que finalmente Batman está começando de verdade.  Já vi o filme duas vezes no cinema e pretendo ver mais algumas tantas a fim de poder gravar, de uma vez para sempre, em minha péssima memória, todos os melhores momentos - e não são poucos - que tem o filme.

Com "Batman Begins" estamos finalmente falando de Batman.

A Gotham é a Gotham dos quadrinhos. Chris Bale está simplesmente perfeito no papel tanto de Bruce quanto de Batman. Gary Oldman como Gordon?? Liam Neesam e Ra's al Ghul?! E o que era Michael Cane no papel de Alfred! Até o rapazinho que encarou o Espantalho surpreende. Bem, estamos falando aqui dos atores que encarnaram estes personagens incríveis mas e a história? E o roteiro? Não há uma brecha, não há uma falha, uma escorregada, nada. A história é impecável, muito bem contada, simples e com diálogos profundos, muito bem construídos. As sequências de 'suspense' parecem ter sido dirigidas como que se tratasse de um filme de terror e houve momentos em que a figura do Homem-Morcego realmente foi capaz de causar medo. Não vou estragar o filme para quem não viu, mas quem viu vai concordar que talvez a melhor sequência é aquela do "interrogatório" do Flass, o policial corrupto parceiro de Gordon. Por amor: o que foi aquilo?? hahaha! Eu quase colei na cadeira!

Enfim.... Eu adoraria ficar divangando aqui sobre o que Batman Begins tem de melhor - já que, para mim pelo menos, ele nada tem de 'pior' - mas a lista acabaria se tornando interminável. No final, acabei mais uma vez devendo ao Batman uma outra grande alegria, que está sendo retomar o Cães... Agora que a lua-de-mel já chegou ao fim, e a vida de casada (que inclusive, eu recomendo!) teve início nos moldes do que se pode chamar de vida normal, pretendo voltar a postar aqui as minhas cagadas mentais e quem sabe tomar um pouco mais do tempo de vocês elucubrando sobre as coisas mais pífias e inúteis que fazem do ser humano o que ele é em essência...

Um beijo a todos e até a próxima...

Escrito por Marcela Godoy às 14h48
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29/06/2005


Já que não escrevo há tanto tempo, pelo menos me dei ao trabalho de refazer a carinha do Cães...

É. Tá brega pra caralho. Mas é assim que eu gosto mesmo: brega!  Quem gosta do brega vive mais feliz! Ouve música romântica, acha que rosa combina com vermelho e sabe (em segredo) algumas maiores pérolas do repertório sertanejo - embora negue até a morte que sabe, mas gosta de cantar essas aí no Karaokê (que também é brega!).

Enfim... Quando eu enjoar eu mudo. Se eu enjoar... Pode demorar, viu???

Novidades em breve...

 

Escrito por Marcela Godoy às 15h42
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