OS CÃES DO INFERNO


08/07/2005


Eu me cortei sem querer com um punhal invisível...

Escrito por Marcela Godoy às 22h36
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“Sambalelê tá doente... Tá co’a cabeça quebrada...”

 

É. Parece que o vaso anda querendo se derrubar do bufê. Talvez essa fosse a melhor maneira de dizer, mas o problema dessa proposição é que “vaso não tem vontade própria”. O vaso jamais se derrubaria do bufê, exceto se alguma força exterior houvesse agido sobre ele.

 

O mesmo não se pode dizer de um ser humano. Seres humanos não agem somente compelidos pelas forças externas que agem sobre ele, mas agem também compelidos por suas próprias forças. E não se derrubam de bufês, derrubam-se de janelas, sacadas, parapeitos... Derrubam-se de fora para dentro, de dentro para fora. Mexem-se desordenadamente, num caos compreendido apenas pela própria força que os levou ao movimento.

 

O que me faz pensar que ainda existe o equilíbrio é saber que sempre podemos contar com a sobriedade e clareza de um vivente que nos conhece melhor que nós mesmos, ou quem sabe um bom terapeuta – para os menos afortunados neste sentido. Pessoalmente, gozo de ambos os “prêmios” e graças a isso não permito que “o vaso se derrube”. De uma maneira ou de outra, não significa que o vaso esteja firme, colado ao bufê, protegido de si mesmo ou de quaisquer outras forças que possam agir sobre ele...

 

Chega a me dar febre quando começo a pensar sobre os mecanismos da mente humana. Todos os caminhos que as idéias percorrem até se traduzirem em verdade absoluta e irrefutável – momento em que chega à superfície da consciência e nada, nada parece capaz de afirmar que o que você entende por certo está, na verdade, errado.

 

No “Primeiro Relato da queda de um Demônio”, Azael diz uma frase que me faz pensar (sei que parece estranho, já que Azael é somente um personagem que eu criei, o que significa que fui eu quem disse a tal frase, mas enfim... É assim que eu me relaciono com minhas criações, como se elas fossem vivas...). De qualquer maneira, diz ele: “Nunca sabemos onde uma verdade se define como verdade”. E assim, eu me pergunto em que momento de minha existência eu deixei que algumas de minhas verdades inventadas se tornassem as verdades que ditariam meu caminho.

 

Minha terapeuta diz que, embora seja raro – em vista de todas as “travas de segurança” de que dispõe o raciocínio – algumas vezes, por motivos às vezes bastante banais, resultado de eventos nem sempre complexos ou obscuros, o inconsciente abre uma brecha e revela, ao consciente, por um momento, uma fração ínfima de tempo, algo que ali deveria ficar guardado. Sabemos que o inconsciente é aquela caixinha de lacre inviolável que desempenha em nossa vida o mesmo papel que desempenha, no mundo, a Caixa de Pandora. Olhar para o conteúdo da caixa leva-nos a entender por que Nietzsche teria afirmado (em outras palavras) que ‘se você olhar para a escuridão, a escuridão poderá olhar de volta para você’... Quando, porém, este infortúnio acontece, aquela pequena porção de loucura, ou o que quer que seja, que estava ali trancafiada, cumprindo a sua função de nos manter em equilíbrio com a sobriedade de nosso consciente, vem à superfície e se coloca diante do desafortunado como verdade absoluta. Ou seja, a impressão que se tem da realidade estará impregnada das impressões percebidas pelo inconsciente – o que significa (e resulta em) a percepção de uma falsa realidade, uma realidade imbuída de valores e sentimentos experimentados por aquela porção mais obscura e – teoricamente – inalcançável de nossa mente; em outras palavras: vemos o que quer que nosso inconsciente esteja projetando naquele momento e transformamos aquela projeção em realidade e verdade. O resultado disso? Caos. Caos mental. Caos emocional. Loucura.

 

O louco/psicótico, só é louco/psicótico porque, em sua patologia, só o que ele consegue ver é aquilo que seu inconsciente está projetando. Ele está a todo momento em contato com aquela matéria-prima, aquele núcleo de sensações e sentidos completamente desprovido dos filtros – misericordiosos, se me permitem dizer – do consciente. A caixa está sempre aberta. Eles estão sempre olhando para a escuridão e conseqüentemente, a escuridão está sempre olhando de volta. Bendito seja Deus que não me privou deste lacre, mas maldita a hora em que me vi, naquele instante de semi-consciência – completamente fascinada por aquela caixa aberta!

 

Foi instantâneo. Olhei e o que se passou depois, prefiro não lembrar. Na verdade, estou ainda tentando esquecer... Nessas horas eu agradeço por minha natural racionalidade, pela “mania” que tenho de buscar explicação para tudo, não importa o que, não importa como. No final, ompreender que a gente esquece que é para não ter que lembrar parece ridículo, mas venho repetindo esta frase que minha parte sã gentilmente sussurrou nos ouvidos da minha parte insana, quase que como uma prece... (continua...)

Escrito por Marcela Godoy às 14h05
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(continuando...)

Enfim, está acabando.

 

Minha terapeuta também explicou que, como eu não tenho a patologia dos loucos e/ou psicóticos, o que aconteceu teria sido semelhante àquelas estúpidas esbarradas de cotovelo que invariavelmente a gente dá nas paredes de corredores apertados. Uma batida seca, que dói muito na hora, mas que em pouco tempo se vai sem deixar marcas. Saímos intactos das caneladas e chutes no pé da cama, por que não sair intacto de uma mera esbarrada nos confins de nossa mente... Afinal, o que está lá fomos nós mesmos que colocamos, não é?

 

Meu vaso pode até estar balançando, mas sei que não vai cair...

Escrito por Marcela Godoy às 14h04
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06/07/2005


Para compensar o tempo perdido em “Alone in the Dark”, um filme que não é nenhum lançamento, mas que eu só tive chance de assistir agora e, honestamente, é um dos roteiros mais geniais que eu já vi, é “Efeito Borboleta”. Fazia tempo que eu não via uma história complicada tão bem construída e bem contada como aquela.

 

Poucos filmes retrataram a hipótese de viagem no tempo de maneira convincente e bem conduzida. No topo da lista, pelo menos para mim, figura o fantástico “De volta para o futuro”. O próprio título já é genial, e o filme (a série, melhor dizendo) surpreende. Em “De volta para o futuro” temos a combinação perfeita de roteiro, direção, excelente cast e efeitos especiais na dose certa. Os filmes são um conjunto de elementos muito bem engrenados em todos os níveis e aspectos de sua produção. Tudo bem, estamos falando de Steven Spielberg e Robert Zemeckis... Quem somos, reles mortais, para falar destas ‘divindades’ do cinema?

 

Ainda sobre viagem no tempo, “Peggy Sue – Seu passado a espera”, a série “O Exterminador do Futuro” e “Donnie Brasco” são produções – novas ou não tão novas assim – que devem ser lembradas como aquelas que deram ao tema o seu devido valor. Neste sentido, “Efeito Borboleta” não fica atrás de nenhuma e ainda – de forma ousada e bem sucedida – apresenta uma história bastante complexa e difícil de ser contada que, não fosse pelo roteiro impecável, talvez pudesse ter acabado como um grande fiasco – coisa que o filme passa longe de ser!

 

Enfim, “Efeito Borboleta” mexe com a cabeça da gente. Faz-nos lembrar do quanto somos donos de nosso destino e quantos mundos são possíveis a partir de uma fração de tempo, da intenção de um passo. O multiverso da mecânica quântica é lúdica e “quase” didaticamente  abordado, deixando os amantes do tema com pelos menos “duas” pulgas atrás da orelha...

Escrito por Marcela Godoy às 09h04
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04/07/2005


É. Parece que tenho um novo segundo lugar para minha lista de piores filmes já feitos (o primeiro lugar continua ainda intocável e vai ser difícil, muito difícil deixar esta posição. Trata-se do incomparável "Vampiros 2", de John Carpenter. Este aí... Putz, é insuperável...). Voltando, o mais novo ganhador da segunda posição é “Alone in the Dark”. Só dá pra dizer uma coisa: puta-que-pariu, que filme ruim! Estou começando a desconfiar que é preciso mesmo muito tutano e muito cérebro para fazer algo tão ruim. Que para ser incompetente é preciso ter muita competência – um incompetente convencional não seria capaz de fazer algo tão mal feito e mal acabado como aquele filme... Isso é coisa para incompetentes profissionais! Enfim, fujam de “Alone in the Dark” e se sua curiosidade não conseguir resistir à tentação, é melhor que ao ver o filme você esteja “alone” mesmo, assim você não corre o risco de, além de jogar pela janela 96 minutos do seu tempo, desperdiçar o tempo de outras pessoas e talvez até colocar em risco boas amizades...

 

Escrito por Marcela Godoy às 14h15
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