OS CÃES DO INFERNO


04/08/2005


Mais um continho de horror... Este outro na verdade, tem mais a ver com o horror da vida na cidade grande: a "saudável indiferença" que insistimos em perpetuar...

Na beira da estrada,

um homem ferido

os olhos fechados,

o corpo esquecido.

Jazia largado,

tal qual um bandido

Seria um herói,

            ou um anjo caído?

Talvez um ninguém,

            por ninguém conhecido...

Deixado à mercê

            do desprezo temido.

Pedindo socorro

            num grito contido

Morrendo em silêncio.

            De tudo, banido.         

  

Escrito por Marcela Godoy às 23h48
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Um continho de horror em poucas linhas...

Bicho Papão

“Mãezinha”, disse a menina,

“Foi-se a hora de deitar.

Vem comigo pro meu quarto

Quero muito te abraçar...

Alisar os teus cabelos,

E prendê-los numa graça

Feita desta mesma fita

Que teci tua mordaça...

Sei que foges, temerosa,

Da navalha em minha mão

Cujo fio é desejoso

Do teu negro coração.

Mas não temas, mamãezinha,

Eu prometo não doer

Pelo menos não o tanto

Que me fizeste sofrer

Inverteu-se, agora, o jogo,

Desta casa, fiz a cela.

Não há chaves pelas portas

E há grades nas janelas!

Esta noite é a desforra

D’outras tantas que não vi

Ao tratares como um monstro

A menina que nasci...”

 

Escrito por Marcela Godoy às 17h08
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Caríssimos amigos e freqüentadores do “Cães do Inferno”, só pra variar eu fiquei um tempão sem escrever, mas acho que estou melhorando, dado que fiquei bem menos tempo sem fazê-lo do que na última vez, ora bolas, quem se importa???

 

Retomando a boa e velha prática de contribuir com dicas para entretenimento caseiro, resolvi falar sobre um filme que assisti há alguns dias e que me encantou profundamente. Trata-se de “Finding Neverland”, ou em português “Em Busca da Terra do Nunca”, estrelado por Johnny Depp (Dép! Lê-se Dép e não Díp, como a maioria das pessoas costuma falar!), Kate Winslet, Dustin Hoffman, Julie Christie e o espetacular garotinho Freddie Highmore – que também está estrelando “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, agora em cartaz.

 

O filme fala sobre o processo de criação de Peter Pan, do dramaturgo J.M Barrie, que haveria encontrado inspiração para desenvolver a história a partir de seu convívio com a família do pequeno Peter Llewelyn Davies (Freddie Highmore).

 

O filme é belíssimo, emocionante (eu chorei tempestades!), e muito bem dirigido. Embora não seja nenhuma superprodução, os efeitos são impecáveis e a ‘brincadeira’ de construir na tela uma espécie de “cine-teatro” foi excelentemente conduzida.

 

De novo, não se trata de uma ‘nova versão’ da história de Peter Pan, mas sim de uma obra inspirada no que teria levado J.M. Barrie a escrever Peter Pan. Para quem desenvolve uma produção literária, não há como não se deixar levar pela ‘mensagem subjacente’: a motivação de um artista e o processo de criação. Como são construídas as idéias? O que leva um autor – referindo-me, agora, exclusivamente, à produção artística literária – a conceber uma história? Como desenvolvê-la? Por que desenvolvê-la?

 

Não posso negar que, embora eu tenha me encantado com o filme, fiquei um pouco triste ao descobrir ali, ainda que tudo ali não seja de fato o que de fato aconteceu, a figura que havia por trás de Peter Pan. Acho que nunca mais vou conseguir olhar para aquele personagem da maneira que olhava até ver aquele filme. Lembrou-me a frase de Morfeus, em Matrix, quando ele diz a Neo “Bem vindo ao deserto do real”. De repente me peguei pensando sobre nossas próprias motivações e todos os “subtextos” contidos em nosso trabalho, coisas que só nós mesmos somos capazes de compreender e reconhecer; histórias reais dentro da ficção, vestidas e investidas de fantasia, desempenhando o papel de um desabafo involuntário e inconsciente, o qual só nos damos conta depois de havermos, de alguma maneira, percebido o ‘deserto do real’, que é de fato a motivação última, o pano de fundo de toda criação, o motor das nossas mais profundas revoluções criativas. Cada vez mais eu acredito que a imaginação seja uma ‘Drag Queen’, se é que vocês me entendem...

 

De qualquer maneira, o filme é belíssimo e uma excelente pedida em todos os sentidos. A participação de Dustin Hoffman, além de ser espetacular, é muito legal em vista da 'homenagem' que o diretor, ao escolhê-lo, parece ter feito por causa de sua participação como Capitão Gancho, em "Hook". Kate Winslet está maravilhosa como sempre, e Johnny Depp dispensa comentários. Além da performance digna de um prêmio, ele parece ter rejuvenecido. Cá para nós, estou desconfiada que o rapaz tenha assinado algum tipo de 'contrato' com o Danado, porque o homem simplesmente não envelhece!

 

Mas isso é assunto pra outra hora! 

 

Escrito por Marcela Godoy às 14h02
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01/08/2005


O Fantástico Laboratório Culinário de Marcela - Capítulo 1

Para você que, como eu, sabe fazer pedidos como ninguém em qualquer restaurante, mas quando se trata do seu restaurante doméstico as coisas ficam um pouco mais complicadas do que simplesmente apontar o indicador em direção a sinais gráficos que podem ser lidos e interpretados por outro cozinheiro que não você....

Prato do dia: Batata Assada

Ingredientes:
Batatas grandes
Manteiga
Requeijão
Bacon triturado
Papel alumínio
Uma faca de ponta
Duas horas de paciência - De preferência, comece a fazer este 'prato' antes (bem antes!) de você perceber que vai estar com fome logo mais...

Modo de Preparo:
Ligue seu forno em fogo alto quinze minutos antes de começar a fazer a batata. Quando o forno estiver quente, execute a tarefa da seguinte maneira:
Selecione a maior batata que você encontrar entre as todas batatas que você tem em casa (eu falo como se as pessoas mantivessem um caminhão de batatas estacionado à porta de suas casas...)
Lave-a bem
Embrulhe-a no papel alumínio
Esfaqueie a batata cinco vezes
Soque-a no forno (com todo carinho)
Aguarde até que a batata esteja completamente assada (Você pode descobrir que ela está assada abrindo o forno e cutucando a batata com a faca de ponta que você separou. Se a batata estiver molinha é porque assou, se estiver durinha é porque você tem que segurar seus cavalos mais um pouco... A parte mais emocionante da verificação do cozimento da batata é a inserção da sua mão dentro do forno quente. Se você tiver coragem e um pouco de espírito de porco, como eu, faça isso sem a proteção de luvas térmicas. O risco do telefone tocar e você levar um susto e eventualmente queimar o braço e a mão na grade e nas paredes do forno torna a tarefa quase que uma aventura. Experimente!)
Depois que a batata estiver assada (leva aproximandamente uma hora e meia para assar), remova o papel alumínio (isso melhora o gosto da batata e também faz com ela fique - como você - completamente susceptível ao contato de alienígenas na eventualidade de uma invasão), parta a batata em duas metades (cuidado! ela estará muito quente e vai sair um bafão pelando de dentro dela quando você a partir!), passe um pouco de manteiga e então recheie-a com requeijão a gosto. Para finalizar, salpique o bacon triturado e sirva. Detalhe: apenas sirva, não coma sem antes soprar ou coisa que o valha. Ou você vai queimar a língua de tal maneira que não conseguirá sentir o gosto desta ou qualquer outra batata assada por um tempo que eu desconheço.

Acompanhada de Coca-Cola e namorado fica uma delícia!

 

Escrito por Marcela Godoy às 16h04
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Eu havia pensado em hospedar o Cães em outro lugar, mas é melhor continuar aqui... Se você viu a mensagem que deixei anteriormente sobre o novo endereço do Cães (eu apaguei a mensagem!), por favor desconsidere-a. Tudo permanece (quase) como está!

De qualquer maneira, o Cães vai ficar com dois endereços. O outro é: http://marcelagodoy.multiply.com/ .

Quem faz parte desta rede, terá a opção de ver os posts por ali, se preferir. Quem não conhece a rede pode clicar no endereço acima e dar uma olhadinha pra ver como é. Vale a pena, as ferramentas são muito legais para quem está a fim de ter um 'quase' site e sofre de limitações de conhecimento da ferramenta (como eu!...). Tem fotos e outras bobagens por lá. Para ver a página não precisa ser membro, é só clicar no link acima. Mas para postar tem que ser membro, por isso mantive o endereço do Cães aqui na UOL, porque a parte mais legal de escrever aqui é ler o que vocês, caríssimos, também têm a dizer sobre o processo de "onania mental" que insisto em perpetuar...

Beijos a todos e volto mais tarde para "groselhar" um pouco sobre os acontecimentos do fim-de-semana!

Escrito por Marcela Godoy às 11h28
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