Caríssimos amigos e freqüentadores do “Cães do Inferno”, só pra variar eu fiquei um tempão sem escrever, mas acho que estou melhorando, dado que fiquei bem menos tempo sem fazê-lo do que na última vez, ora bolas, quem se importa???
Retomando a boa e velha prática de contribuir com dicas para entretenimento caseiro, resolvi falar sobre um filme que assisti há alguns dias e que me encantou profundamente. Trata-se de “Finding Neverland”, ou em português “Em Busca da Terra do Nunca”, estrelado por Johnny Depp (Dép! Lê-se Dép e não Díp, como a maioria das pessoas costuma falar!), Kate Winslet, Dustin Hoffman, Julie Christie e o espetacular garotinho Freddie Highmore – que também está estrelando “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, agora em cartaz.
O filme fala sobre o processo de criação de Peter Pan, do dramaturgo J.M Barrie, que haveria encontrado inspiração para desenvolver a história a partir de seu convívio com a família do pequeno Peter Llewelyn Davies (Freddie Highmore).
O filme é belíssimo, emocionante (eu chorei tempestades!), e muito bem dirigido. Embora não seja nenhuma superprodução, os efeitos são impecáveis e a ‘brincadeira’ de construir na tela uma espécie de “cine-teatro” foi excelentemente conduzida.
De novo, não se trata de uma ‘nova versão’ da história de Peter Pan, mas sim de uma obra inspirada no que teria levado J.M. Barrie a escrever Peter Pan. Para quem desenvolve uma produção literária, não há como não se deixar levar pela ‘mensagem subjacente’: a motivação de um artista e o processo de criação. Como são construídas as idéias? O que leva um autor – referindo-me, agora, exclusivamente, à produção artística literária – a conceber uma história? Como desenvolvê-la? Por que desenvolvê-la?
Não posso negar que, embora eu tenha me encantado com o filme, fiquei um pouco triste ao descobrir ali, ainda que tudo ali não seja de fato o que de fato aconteceu, a figura que havia por trás de Peter Pan. Acho que nunca mais vou conseguir olhar para aquele personagem da maneira que olhava até ver aquele filme. Lembrou-me a frase de Morfeus, em Matrix, quando ele diz a Neo “Bem vindo ao deserto do real”. De repente me peguei pensando sobre nossas próprias motivações e todos os “subtextos” contidos em nosso trabalho, coisas que só nós mesmos somos capazes de compreender e reconhecer; histórias reais dentro da ficção, vestidas e investidas de fantasia, desempenhando o papel de um desabafo involuntário e inconsciente, o qual só nos damos conta depois de havermos, de alguma maneira, percebido o ‘deserto do real’, que é de fato a motivação última, o pano de fundo de toda criação, o motor das nossas mais profundas revoluções criativas. Cada vez mais eu acredito que a imaginação seja uma ‘Drag Queen’, se é que vocês me entendem...
De qualquer maneira, o filme é belíssimo e uma excelente pedida em todos os sentidos. A participação de Dustin Hoffman, além de ser espetacular, é muito legal em vista da 'homenagem' que o diretor, ao escolhê-lo, parece ter feito por causa de sua participação como Capitão Gancho, em "Hook". Kate Winslet está maravilhosa como sempre, e Johnny Depp dispensa comentários. Além da performance digna de um prêmio, ele parece ter rejuvenecido. Cá para nós, estou desconfiada que o rapaz tenha assinado algum tipo de 'contrato' com o Danado, porque o homem simplesmente não envelhece!
Mas isso é assunto pra outra hora!