OS CÃES DO INFERNO


26/10/2005


Pois é...

 

Como vocês já devem saber, não tenho tido muita chance de me dedicar ao blog em função de minha atual condição. Eu até poderia parafrasear a letra da música e dizer que eu estou “ligeiramente grávida”, mas não há qualquer coisa de “ligeiro” sobre estar grávida. Aliás, tudo é bastante lento... O tecido temporal, de repente, se emaranha num nó “inatável” (se é que esse diabo desta palavra existe!), do qual você, a gestante,  faz parte. Então vem a parte mais legal... Esta nova percepção do tempo passa a ser a sua referência real de tempo: um tempo pessoal, absolutamente incompatível com o tempo coletivo, e o resultado disso é pavoroso, desastroso e absolutamente incompreensível a qualquer vivente que não esteja carregando um outro vivente em sua barriga. O que nos leva ao resultado deste resultado: a intolerância! Sim, senhoras e senhoras, agora compreendo a intolerância das grávidas como nunca antes compreendi! Essa história de que as grávidas ficam mais sensíveis e mais “humanas” é pura groselha! Na verdade o que acontece é que as grávidas ficam tão intolerantes QUE TUDO AS LEVA A CHORAR!

 

Ah! Os tempos em que eu era capaz de ver um comercial das Lojas Marabrás sem derramar uma lágrima sequer, ou ser naturalmente educada com a atendente do laboratório de análises clínicas... Ah! Os tempos que eu conseguia amarrar meus sapatos sem ter que pedir ajuda, ir ao banheiro fazer xixi ou “o outro” sem vomitar só porque minhas entranhas agora definem o caminho neurológico de minhas sensações estomacais me levando a curvar sobre um vaso sanitário a cada vez que vejo um, ao invés de simplesmente me sentar sobre ele e meditar!

 

Rá! Falando assim até parece que eu estou infeliz com a gravidez... Longe disso. Minha intolerância é com o tempo porque ele parece se ter congelado... Agora mais do que nunca queria poder fazê-lo correr contra ele mesmo e preciso de toda a paciência que nunca tive para lidar com esta dimensão especificamente. A verdade é que eu não vejo a hora de vê-lo nascer! Saber como ele é, o quanto ele não se parece comigo... A gente (eu e o Mini-Me) conversa toda hora sobre como vai ser quando ele chegar. E ele me entende tão bem que já o sinto mexer. Acho que até acenou pra mim hoje...

 

Desde que engravidei eu quase não consigo fazer nada. Tudo em mim está voltado para meu filho; sem que eu perceba necessariamente, o que é mais extraordinário. Meus prazos explodiram; eu consigo freqüentar meu local de trabalho duas a três vezes por semana (quando consigo!); comprei um vídeo-game pra me ajudar a passar o tempo e não posso usá-lo, porque me dá enjôo, fico revirando com insônia ou mal-estar noites inteiras e ainda assim: nossa! Como eu estou feliz! É muito engraçado como as grávidas conseguem lidar com as contradições. É um incômodo, gente, não tem como não dizer que não é, mas é um incômodo absolutamente maravilhoso. Recomendável (para os preparados, é claro!), inclusive!

Enfim, fazia um tempão que eu não passava por aqui e só o que consigo fazer é falar sobre isso... Sentei-me ao teclado com a intenção de resenhar algum filme, mas não rolou. Não agora, pelo menos. Talvez um pouco mais tarde....

 

Hoje à noite vou estar no Mackenzie participando de uma palestra sobre produção de quadrinhos junto com Marcelo Campos, Ronaldo Barata, e Fernando “Peque” Cintra. A partir das 19 hs. Não sei onde, só sei que é no Mackenzie... Deve ser em algum auditório, sei lá... Logo eu... Naquele ‘antro’ de extrema direita... uhhhhhhhhh.... Arrepios!

 

Beijos a todos!

Escrito por Marcela Godoy às 12h49
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