OS CÃES DO INFERNO


14/11/2005


Marcela Godoy por Marido – Uma biografia nada autorizada

Marcela Godoy foi deixada na Terra em 1973. Até os 4 anos de idade foi criada por uma família de Bocas de Lobo na Zona Leste de São Paulo. De maneira semelhante ao selvagem menino Mogli, com as Bocas de Lobo a pequena criança aprendeu tudo sobre drenagem de águas pluviais e captação básica de embalagens plásticas. Vivendo num ambiente envolto por bolinhas do jogo de taco, sandálias havaianas azuis e flagrantes dispensados pelos manos, Marcela crescia em conhecimento através da leitura dos rótulos de embalagens. Subitamente foi retirada do seio fétido da família Boca de Lobo por força de uma enchente que carregou a pobre criatura até as "galerias subterrâneas da Vila Mariana" - conhecidas construções denominadas Magazines de Esgoto onde se avolumam bolinhas de golfe, sandálias Yves Saint Laurent e flagrantes dispensados pelos mauricinhos. Resgatada por um grupo de músicos, a garotinha conheceu a civilização e um adorável mundo novo. Não obstante o encantamento com o universo das Belas Artes e a descoberta do verdadeiro conteúdo das embalagens plásticas, uma vez criada entre as Bocas de Lobo Marcela não poderia se divorciar de seu passado bárbaro e logo começou a manifestar sua natureza selvagem. Ao trazer à memória os momentos de alegria em que vivia como uma verdadeira deusa Hécate no mundo subterrâneo das embalagens, passa os anos seguintes alimentando sua revolta. Aos cinco anos se negou a tocar piano. Aos sete destruiu uma loja de pianos. Aos oito anos assassinou um professor de piano. Aos nove se cansou dessa loucura e decidiu que Mozart era um cara legal. Já na idade adulta, não suportando as imagens apelativas da primeira infância que pululavam em sua mente, começou a estocar em casa uma diversidade sem limites de rótulos com a marca de seus produtos favoritos. Fazendo de seu lar um museu da propaganda no século XX, Marcela Godoy cai no isolamento e se entrega freneticamente ao consumo de coca-cola, gibis e chaveiros com todos os signos da pop art. Por trás de tudo isso jazia nos pensamentos de Marcela um plano diabólico, oriundo de uma mente doentia: Ela queria se metamorfosear num quadro de Andy Warhol. De fato, ela quase realizou esse intento e se fosse pregada na parede em tal estágio de demência, passaria despercebidamente como sendo o quadro da lata de sopa Campbell (em seu estado físico mais bidimensional, a bichinha chegou a pesar 23 quilos!). Mas muita coisa mudou quando ela se deparou com uma nova filosofia de vida denominada Fu Potatos - conceito muito complexo, sinteticamente seria algo situado entre Dragon Ball e Dostoiévski. Atualmente ela faz três refeições saudáveis diariamente e apenas uma não saudável, além de ter derrubado do cavalo de uma vez por todas o homem de Marlboro. Acompanha "fielmente" o sucesso do Super-Corinthians e seu belo time montado com dinheiro russo outrora injetado na educação das crianças cubanas nos bons tempos da URSS. Sua última façanha mirabolante foi contribuir com a reprodução da espécie humana. Em princípio, Marcela queria passar por um processo de bipartição que garantisse uma cópia fiel e duradoura chamada Mini me. No entanto, foi convencida pela filosofia Fu Potatos de que ela não era uma estrela-do-mar e sim da Terra e que seria mais interessante fazer as coisas à moda dos primatas.

Escrito por Marcela Godoy às 13h10
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