
Pois é...
Quanto tempo faz? Deixa eu ver o último post... 21 de Março... É, faz um tempinho. A esta altura os amigos freqüentadores do Cães já se convenceram de que eu abandonei de uma vez o blog e não vou mais investir meu precioso e escasso tempo na apreciação de assuntos sem a menor relevância para o andar das carruagens de Vossa Majestade...
Ledo engano, senhoras e senhores.
Cá estou, com muito para dizer e alguma disposição para fazê-lo.
Agora que voltei a poder me sentar sem sofrer com o incômodo de ter a cabeça de um outro vivente pressionando minhas “partes” a todo momento, posso de novo me dedicar ao exercício do “ócio produtivo”, como gosto de chamar, e dividir com vocês – amigos – e todo o resto deste subúrbio intergaláctico que chamamos carinhosamente de “Mundão de Deus”, as minhas saborosas e indigestas babaquices e opiniões desimportantes.
Para fins de esclarecimento sobre a escolha do verbete “incômodo”, acreditem-me: a maternidade pode ser maravilhosa e a gravidez [até certo ponto] um estado poético de ser, mas as medidas aumentadas devida a massa extra contida no saco de água viscosa que um dia você chamou de barriga, podem (e definitivamente hão de) se tornar um incômodo quando pensadas do ponto de vista da física, da matemática e da geometria; afinal, estamos falando de um micro-universo inflacionário em formação e constante expansão contido num outro universo, estacionário, já formado, com fronteiras bem definidas, mas continuamente colocadas à prova.... Uma esfera socada num cubo, um grande fole soprado por uma força maior e invisível... A gravidade ganha toda uma nova apreciação e sentido quando experimentada na gravidez... Enfim...
Por isso, sem culpa alguma, não hesito dizer: sim, um incômodo – especialmente nas últimas semanas....
Mas graças a Deus, ela chegou finalmente. Meu pedacinho de mim, Liah.
Por essas e outras que eu acredito que Deus exista.
Ou um anjo, como ela, não viria para me salvar...
Mas hoje não vou falar de minha filha, não.
Vou tentar retomar o antigo Cães e falar sobre... Sobre....
Catzo!
Quer dizer, não vou falar sobre catzo, “o catzo”, mas “Catzo! Vou falar sobre o que??”.
Nada me resta, exceto o que tenho vivido ultimamente, e o que tenho vivido ultimamente é a maternidade...
Ok, então falemos sobre a maternidade.
Eu nunca pensei que seria mãe um dia. Nunca acreditei nisso.
Vários motivos, posso dizer, que não caberiam citação aqui... O fato é que eu nunca me vi mãe de ninguém. Nunca tive a vocação... Tentei flores um tempo, todas secavam. Um peixe que “afogou-se” no lodo que se formou sobre a água que eu nunca troquei ou tratei.... Até bicho virtual eu já tive, aquele “Tamagoshi”, “Tamagushi”... (ou será que este era o nome de um colega de sala?....). Fora cuidar de mim mesma. Fumava um maço de Marlboro por dia, e vivia à base de Ruffles e Coca-Cola. Bem, não vou ficar aqui contanto a história da minha vida, mesmo porque quem freqüenta o Cães sabe exatamente qual era minha rotina até eu conhecer meu marido e então no que esta rotina se transformou (na verdade, como eu me transformei) quando me casei e o resultado disso poucos meses depois com minha gravidez... Eu não sou o foco desta vez, mas a experiência que vivi como resultado desta transformação: a tal maternidade....
Vejamos, então, o que nosso amigo Houaiss diz sobre o verbete “mãe”:
1 mulher que deu à luz, que cria ou criou um ou mais filhos;
2 fêmea de animal que teve crias ou que cuida ou cuidou delas;
3 Derivação: por extensão de sentido. Pessoa que dispensa cuidados maternais, que protege, que dá assistência aos necessitados;
4 pessoa ou entidade infalível em dar ajuda quando precisam dela;
5 Derivação: sentido figurado. o que dá origem a; causa, fonte;
6 Derivação: sentido figurado. país, lugar onde algo teve origem, começou, se desenvolveu, se aperfeiçoou, ou de onde se dividiu, se ramificou etc.;
6.1 sede de uma casa comercial, instituto bancário etc., com relação às suas sucursais, ou convento principal com relação às casas religiosas que a ele se subordinam.
É interessante como a palavra “mãe” se aplica tanto a ‘gente’ quanto a ‘coisa’.
É interessante como a figura da mãe pode ser abstrata ou concreta, subjetiva ou objetiva, substantivo ou adjetivo... Você escolhe! Quer a mãe tangível? Procure por ela em sua cadeia de DNA. Quer a intangível, procure por ela em seus pensamentos, em seus sentimentos. A orfandade não existe: mãe todos temos, e o que faz a diferença é a distância que nos une ou nos separa.
(CONTINUA...)


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